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MOSSORÓ (RN), QUINTA-FEIRA, 12/11/2009 (ATUALIZADO: 00:50hs)
 
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» Caixa fica inoperante devido ‘apagão’

» Fiéis prestam homenagens a padre Guido
» Coleta Seletiva promete mais rigor na separação do material

» Vacinação Antirrábica acontece neste sábado



ENERGIA
Caixa fica inoperante devido ‘apagão’
Higo Lima
Da Redação

As consequências do apagão que atingiu 18 Estados na noite de terça-feira, 10, foram sentidas também em Mossoró e em outras 29 cidades da região Oeste. Em Mossoró, o efeito recaiu sobre as agências bancárias. A agência do Banco do Brasil, segundo a gerente de administração da agência central, Nancy Santos, passou todo o dia de ontem com lentidão no sistema, mesmo assim, os atendimentos foram mantidos. Já a Caixa Econômica Federal ficou inoperante durante o dia de ontem. O sistema das agências da Caixa só começou a se normalizar no final da tarde. De acordo com o gerente da agência central, Ciro Leite, o sistema interno de todas as agências da região Nordeste é ligado ao Rio de Janeiro, um dos Estados mais atingidos.
Já nas cidades circunvizinhas (veja a relação dos municípios no infográfico) a distribuição de energia chegou a ser interrompida em decorrência do blecaute. Segundo a Companhia Energética do Rio Grande do Norte (COSERN), o apagão foi sentido por pouco tempo nos municípios do Estado, apenas uma cidade ficou por 22 minutos sem luz.
Em nota, o Ministério de Minas e Energia (MME) informa que o blecaute no Sistema Interligado Nacional (SIN) teve início às 22h13 do dia 10, depois de uma pane na Usina de Itaipu. A usina está localizada no Rio Paraná, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai (país também atingido parcialmente). Segundo hipótese divulgada pela Usina Itaipu, a interrupção se deu depois de um problema em um ou mais pontos do sistema de transmissão da energia, que é interligado a todos os sistemas de energia do Brasil.
Mais especificamente, a pane aconteceu no ponto que liga a cidade de Ivaiporã, no Estado do Paraná, a Itaberá (SP) e em uma subestação que liga a Subestação de Itaberá à cidade de Tijuco Preto, também em São Paulo. É justamente nesta última convergência que a energia da Usina de Itaipu entra no sistema de interligação com todo o país, gerenciado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS).
Segundo explica o secretário Extraordinário de Energia e Assuntos Internacionais do RN, Jean-Paul Prates, caso uma das linhas de transmissão da Itaipu apresente inconformidades, parte das unidades geradoras da Usina deixa de produzir energia por uma questão de segurança. Ainda segundo ele, o Estado não foi atingido diretamente porque não é abastecido pela usina de Itaipu, mas sim pela Companhia Hidroelétrica do São Francisco (CHESF).

Estado irá produzir mais energia do que a demanda
O Rio Grande do Norte caminha rumo à autossuficiência em capacidade de geração de energia, segundo informa o secretário Jean-Paul Prates. Ainda de acordo com ele, em 2003 não havia nenhuma produção de energia instalada no próprio Estado. "Chegaremos 2010 com a produção de energia superior a nossa demanda", enfatiza ele.
A Termoaçu, no Alto do Rodrigues, tem capacidade para gerar até 340 megawatts de energia e as duas de Macaíba podem gerar mais 119 megawatts. Já está funcionando uma unidade de geração de energia eólica na praia de Rio do Fogo, com capacidade para 49,4 megawatts. Outras duas grandes unidades eólicas estão sendo projetadas para Guamaré, com capacidade para 151,8 megawatts.
O consumo de energia no RN hoje gira em torno de 600 megawattes. Com o total do que passará a ser produzido, essa cifra passará para algo em torno de 641,9 megawatts.
"A autossuficiência em capacidade de geração não implica em que o Estado pare de comprar energia do sistema nacional, pois, regularmente, é mais economicamente viável adquirir a 'energia média' do sistema (gerada por Chesf, Tucuruí, Furnas, por exemplo). Até porque algumas térmicas listadas acima são emergenciais, ou seja, só geram em caso de necessidade", complementa o secretário. Outra vantagem da energia originada no Estado é quanto às fontes utilizadas. Todos os recursos naturais também são gerados no Rio Grande do Norte: o petróleo, gás e o vento.

Fiéis prestam homenagens a padre Guido
Esdras Marchezan
Da Redação

Aos onze anos de idade, o menino Everton Nascimento aprendeu, pela primeira vez, a dizer adeus. Perder o pai trouxe dor e tristeza que somente através de um ombro amigo foram se desfazendo ao longo do tempo. Na acolhida amiga do padre italiano Guido Tonelotto, da paróquia de São José, em Mossoró, a figura paterna se reconstruiu. Ontem - 19 anos depois -, Everton chorou e aprendeu que adeus não se diz apenas uma vez. Passava das 9h quando sua segunda referência paterna partiu, num suspiro que encerrava um sofrimento de mais de seis anos. Depois de 15 dias internado no Hospital da Unimed, padre Guido morreu vítima de falência múltipla dos órgãos, aos 89 anos de idade.
Desde que sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), em maio de 2003, padre Guido não falava nem se locomovia. Sequelas do coágulo formado na cabeça após o AVC. Nem mesmo uma cirurgia tornou possível a reabilitação. Mas o carisma e o carinho que cultivou nos fiéis faziam que rotineiramente muitos fossem a sua casa visitá-lo. "A gente sabia que ele, mesmo sem poder falar, entendia as coisas, por isso a gente ia contando tudo que acontecia na paróquia e sempre tinha gente visitando ele", conta Sérgio de Sousa Melo, 39 anos. Ele foi uma das pessoas que cuidava de padre Guido desde que ele ficou doente.
Para Everton Nascimento, que hoje é músico na igreja, a figura de padre Guido vai muito além da de um religioso. "O amor de pai que eu tive foi o de padre Guido", disse emocionado.
Ontem, durante todo o dia, o corpo do religioso foi velado na igreja de São José, onde ele atuou como vigário geral da paróquia por mais de vinte anos. Ao lado do caixão, revezavam-se pessoas pobres que em algum momento da vida encontraram no padre um conforto, fosse por meio de palavras ou gestos.
O vigário-geral da Diocese de Santa Luzia, padre Flávio Augusto, emocionou-se ao visitar a igreja e disse que padre Guido foi o homem que "saiu da Itália para cuidar dos pobres de Mossoró". "A resposta do trabalho dele está aqui. Essa manifestação de carinho e afeto demonstrada pelos mais carentes", disse.
Hoje, às 8h, o bispo diocesano, dom Mariano Manzana, celebra uma missa de corpo presente na igreja de São José. Em seguida, acontece o cortejo fúnebre em direção ao cemitério São Sebastião, onde acontece o sepultamento. O corpo de padre Guido será sepultado em uma cova aberta na capela do cemitério, ao lado do lugar onde foi enterrado o corpo do monsenhor Américo Simonetti, no último dia 5 de outubro.

LAMENTO
Em pronunciamento no Senado Federal, a senadora Rosalba Ciarlini lamentou a morte do padre Guido Tonelotto e destacou o papel desempenhado pelo religioso na assistência aos pobres. "Padre Guido deixa como exemplo o Projeto Esperança, que dá dignidade à criança e ao adolescente", reforçou a senadora, lembrando o lema "menino salva menino", adotado pelo sacerdote.
Em nota, a senadora disse que a amizade e admiração por ele nasceu bem antes da vida pública. Ela contou que quando era apenas médica pediatra recebeu um bilhete do padre com a seguinte recomendação: "Rosalba, atenda esta criança para sua poupança no céu", frase que ficou marcada pela dedicação e compromisso que ele tinha com a vida dos mais humildes.
O voto de pesar apresentado por Rosalba Ciarlini foi subscrito pelos senadores José Agripino e Garibaldi Filho.

Recuperando crianças e jovens em situação de risco
Sérgio e Everton fazem parte de uma geração que participou de um dos principais projetos executados por padre Guido em Mossoró. O Projeto Esperança - nascido em 1978, sob o nome de "Pequenos Vendedores" - tinha como objetivo resgatar crianças, adolescentes e jovens pobres de Mossoró que vivam em situações propícias ao envolvimento com crimes e drogas. Em seu ápice, o projeto chegou a reunir mais de 400 pessoas. Depois da doença do padre, o trabalho foi regredindo gradativamente. "A maior parte do dinheiro que mantinha o projeto vinha da Europa. Quando ele (padre) ficou doente e sem falar, não tivemos mais como manter contato com essas pessoas, aí foi fraquejando", disse Sérgio de Sousa, que faz parte da coordenação.
Hoje, pouco mais de trinta jovens dão prosseguimento às atividades idealizadas pelo italiano que escolheu Mossoró para cumprir sua missão sacerdotal. Sem ele, o projeto perde sua referência.
"Na sua história, esse envolvimento com as crianças pobres e os jovens, trazendo eles para a Igreja, foi o forte de padre Guido. Ele cumpria missão semelhante à de Dom Bosco e cumpriu um papel importante na vida dessas pessoas", disse o atual pároco da Igreja de São José, padre Elizeu Wilton.

Coleta Seletiva promete mais rigor
na separação do material contagioso
Lenilson Freitas
Da Redação

Os trabalhadores da Coleta Seletiva da Associação Comunitária Reciclando para a Vida (ACREVI) afirmaram estar recolhendo material do lixo hospitalar da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Alto de São Manoel (zona leste). A denúncia feita ontem à imprensa gerou surpresa e providência da direção da Coleta Seletiva, ligada à Seletiva da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, Trânsito e Transportes Públicos (SESUTRA).
De acordo com Josefa Avelina, presidenta da Acrevi, o recolhimento era feito sem nenhum cuidado por partes dos catadores. Além disso, ela reclamou que o diretor da Coleta Seletiva não estava dando orientação necessária aos funcionários da UPA. "Há cerca de duas semanas já encontramos seringas, agulhas, luvas, bolsas de soro", diz.
Para o diretor da Coleta Seletiva, Cid Batista, os trabalhadores estavam recolhendo os materiais que podem ser aproveitados para a reciclagem e provavelmente misturando com o lixo hospitalar. "O pessoal que trabalha na coleta estão assustados porque o material que pode ser reciclado, como bolsas de soro, estava no lixo da UPA, junto com material infectado", reafirma Cid Batista. O problema de recolhimento de lixo hospitalar também atingiu a Associação dos Catadores de Material Reciclável de Mossoró (ASCAMARE). O representante dos trabalhadores, Pedro Pereira, confirma o perigo ocorrido durante a coleta seletiva. "Já retirei uma vez lixo hospitalar na Upa, mas o trabalho não prosseguiu porque não tínhamos equipamentos de segurança", afirma.
O diretor Cid Batista informou que hoje serão realizadas reuniões com os funcionários das UPAS para esclarecer sobre o que pode ou não ser coletado. "Vamos informar o que pode ser recolhido pela coleta seletiva e o material infectado que deve ser levado pela empresa especializada até São Gonçalo do Amarante, em Natal", disse.

Vacinação Antirrábica acontece neste sábado
A Campanha de Vacinação Antirrábica Canina e Felina acontecerá neste sábado, 14, e é realizada pela Secretaria de Estado da Saúde Pública, através da II Unidade Regional de Saúde Pública (II URSAP) e a Gerência Executiva da Saúde.
Segundo Domício do Vale, médico veterinário da Vigilância Sanitária da II Ursap, a aplicação das vacinas nestes animais impede a circulação do vírus. "Além da vacinação, cada vez mais é preciso trabalhar a consciência sanitária das pessoas. Quem se dispõe a ter um animal de estimação deve tomar cuidado com a saúde do animal e com a sua própria saúde. Um dono responsável não deixa seu cão solto na rua, cuida dele regularmente, usa coleira para passear, mantém o local limpo e procura manter a vacinação em dia", afirma o veterinário. A transmissão do vírus da raiva canina ocorre através da pele ou mucosa, por mordida, lambedura ou arranhadura de animal contaminado, ou até mesmo pelo contato com morcegos. O principal animal transmissor para humanos é o cão, mas a raiva também pode ser transmitida por gatos, macacos, morcegos e outros mamíferos.
"Quando alguém for agredido por um animal, mesmo vacinado, é importante lavar o ferimento, procurar com urgência o serviço de saúde mais próximo e deixar o animal em observação durante dez dias, para que se possa identificar qualquer sinal indicativo da raiva", explica Domício Vale, alertando sobre a importância da vacinação. "Mossoró e municípios circunvizinhos são áreas endêmicas da raiva transmitida por morcegos em animais como bovinos e equinos", esclarece.
É importante vacinar o animal a partir de dois meses de idade. A vacina é apenas para cães e gatos e está disponível nos pontos de vacinação distribuídos pela cidade das 8h às 17h.

 



       
 


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