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ENERGIA
Caixa
fica inoperante devido apagão
Higo Lima
Da Redação
As consequências do apagão que atingiu 18 Estados na
noite de terça-feira, 10, foram sentidas também em
Mossoró e em outras 29 cidades da região Oeste. Em
Mossoró, o efeito recaiu sobre as agências bancárias.
A agência do Banco do Brasil, segundo a gerente de administração
da agência central, Nancy Santos, passou todo o dia de ontem
com lentidão no sistema, mesmo assim, os atendimentos foram
mantidos. Já a Caixa Econômica Federal ficou inoperante
durante o dia de ontem. O sistema das agências da Caixa só
começou a se normalizar no final da tarde. De acordo com
o gerente da agência central, Ciro Leite, o sistema interno
de todas as agências da região Nordeste é ligado
ao Rio de Janeiro, um dos Estados mais atingidos.
Já nas cidades circunvizinhas (veja a relação
dos municípios no infográfico) a distribuição
de energia chegou a ser interrompida em decorrência do blecaute.
Segundo a Companhia Energética do Rio Grande do Norte (COSERN),
o apagão foi sentido por pouco tempo nos municípios
do Estado, apenas uma cidade ficou por 22 minutos sem luz.
Em nota, o Ministério de Minas e Energia (MME) informa que
o blecaute no Sistema Interligado Nacional (SIN) teve início
às 22h13 do dia 10, depois de uma pane na Usina de Itaipu.
A usina está localizada no Rio Paraná, na fronteira
entre o Brasil e o Paraguai (país também atingido
parcialmente). Segundo hipótese divulgada pela Usina Itaipu,
a interrupção se deu depois de um problema em um ou
mais pontos do sistema de transmissão da energia, que é
interligado a todos os sistemas de energia do Brasil.
Mais especificamente, a pane aconteceu no ponto que liga a cidade
de Ivaiporã, no Estado do Paraná, a Itaberá
(SP) e em uma subestação que liga a Subestação
de Itaberá à cidade de Tijuco Preto, também
em São Paulo. É justamente nesta última convergência
que a energia da Usina de Itaipu entra no sistema de interligação
com todo o país, gerenciado pelo Operador Nacional do Sistema
(ONS).
Segundo explica o secretário Extraordinário de Energia
e Assuntos Internacionais do RN, Jean-Paul Prates, caso uma das
linhas de transmissão da Itaipu apresente inconformidades,
parte das unidades geradoras da Usina deixa de produzir energia
por uma questão de segurança. Ainda segundo ele, o
Estado não foi atingido diretamente porque não é
abastecido pela usina de Itaipu, mas sim pela Companhia Hidroelétrica
do São Francisco (CHESF).
Estado
irá produzir mais energia do que a demanda
O Rio Grande do Norte caminha rumo à autossuficiência
em capacidade de geração de energia, segundo informa
o secretário Jean-Paul Prates. Ainda de acordo com ele, em
2003 não havia nenhuma produção de energia
instalada no próprio Estado. "Chegaremos 2010 com a
produção de energia superior a nossa demanda",
enfatiza ele.
A Termoaçu, no Alto do Rodrigues, tem capacidade para gerar
até 340 megawatts de energia e as duas de Macaíba
podem gerar mais 119 megawatts. Já está funcionando
uma unidade de geração de energia eólica na
praia de Rio do Fogo, com capacidade para 49,4 megawatts. Outras
duas grandes unidades eólicas estão sendo projetadas
para Guamaré, com capacidade para 151,8 megawatts.
O consumo de energia no RN hoje gira em torno de 600 megawattes.
Com o total do que passará a ser produzido, essa cifra passará
para algo em torno de 641,9 megawatts.
"A autossuficiência em capacidade de geração
não implica em que o Estado pare de comprar energia do sistema
nacional, pois, regularmente, é mais economicamente viável
adquirir a 'energia média' do sistema (gerada por Chesf,
Tucuruí, Furnas, por exemplo). Até porque algumas
térmicas listadas acima são emergenciais, ou seja,
só geram em caso de necessidade", complementa o secretário.
Outra vantagem da energia originada no Estado é quanto às
fontes utilizadas. Todos os recursos naturais também são
gerados no Rio Grande do Norte: o petróleo, gás e
o vento.
Fiéis
prestam homenagens a padre Guido
Esdras Marchezan
Da Redação
Aos onze anos de idade, o menino Everton Nascimento aprendeu, pela
primeira vez, a dizer adeus. Perder o pai trouxe dor e tristeza
que somente através de um ombro amigo foram se desfazendo
ao longo do tempo. Na acolhida amiga do padre italiano Guido Tonelotto,
da paróquia de São José, em Mossoró,
a figura paterna se reconstruiu. Ontem - 19 anos depois -, Everton
chorou e aprendeu que adeus não se diz apenas uma vez. Passava
das 9h quando sua segunda referência paterna partiu, num suspiro
que encerrava um sofrimento de mais de seis anos. Depois de 15 dias
internado no Hospital da Unimed, padre Guido morreu vítima
de falência múltipla dos órgãos, aos
89 anos de idade.
Desde que sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), em maio de
2003, padre Guido não falava nem se locomovia. Sequelas do
coágulo formado na cabeça após o AVC. Nem mesmo
uma cirurgia tornou possível a reabilitação.
Mas o carisma e o carinho que cultivou nos fiéis faziam que
rotineiramente muitos fossem a sua casa visitá-lo. "A
gente sabia que ele, mesmo sem poder falar, entendia as coisas,
por isso a gente ia contando tudo que acontecia na paróquia
e sempre tinha gente visitando ele", conta Sérgio de
Sousa Melo, 39 anos. Ele foi uma das pessoas que cuidava de padre
Guido desde que ele ficou doente.
Para Everton Nascimento, que hoje é músico na igreja,
a figura de padre Guido vai muito além da de um religioso.
"O amor de pai que eu tive foi o de padre Guido", disse
emocionado.
Ontem, durante todo o dia, o corpo do religioso foi velado na igreja
de São José, onde ele atuou como vigário geral
da paróquia por mais de vinte anos. Ao lado do caixão,
revezavam-se pessoas pobres que em algum momento da vida encontraram
no padre um conforto, fosse por meio de palavras ou gestos.
O vigário-geral da Diocese de Santa Luzia, padre Flávio
Augusto, emocionou-se ao visitar a igreja e disse que padre Guido
foi o homem que "saiu da Itália para cuidar dos pobres
de Mossoró". "A resposta do trabalho dele está
aqui. Essa manifestação de carinho e afeto demonstrada
pelos mais carentes", disse.
Hoje, às 8h, o bispo diocesano, dom Mariano Manzana, celebra
uma missa de corpo presente na igreja de São José.
Em seguida, acontece o cortejo fúnebre em direção
ao cemitério São Sebastião, onde acontece o
sepultamento. O corpo de padre Guido será sepultado em uma
cova aberta na capela do cemitério, ao lado do lugar onde
foi enterrado o corpo do monsenhor Américo Simonetti, no
último dia 5 de outubro.
LAMENTO
Em pronunciamento no Senado Federal, a senadora Rosalba Ciarlini
lamentou a morte do padre Guido Tonelotto e destacou o papel desempenhado
pelo religioso na assistência aos pobres. "Padre Guido
deixa como exemplo o Projeto Esperança, que dá dignidade
à criança e ao adolescente", reforçou
a senadora, lembrando o lema "menino salva menino", adotado
pelo sacerdote.
Em nota, a senadora disse que a amizade e admiração
por ele nasceu bem antes da vida pública. Ela contou que
quando era apenas médica pediatra recebeu um bilhete do padre
com a seguinte recomendação: "Rosalba, atenda
esta criança para sua poupança no céu",
frase que ficou marcada pela dedicação e compromisso
que ele tinha com a vida dos mais humildes.
O voto de pesar apresentado por Rosalba Ciarlini foi subscrito pelos
senadores José Agripino e Garibaldi Filho.
Recuperando
crianças e jovens em situação de risco
Sérgio e Everton fazem parte de uma geração
que participou de um dos principais projetos executados por padre
Guido em Mossoró. O Projeto Esperança - nascido em
1978, sob o nome de "Pequenos Vendedores" - tinha como
objetivo resgatar crianças, adolescentes e jovens pobres
de Mossoró que vivam em situações propícias
ao envolvimento com crimes e drogas. Em seu ápice, o projeto
chegou a reunir mais de 400 pessoas. Depois da doença do
padre, o trabalho foi regredindo gradativamente. "A maior parte
do dinheiro que mantinha o projeto vinha da Europa. Quando ele (padre)
ficou doente e sem falar, não tivemos mais como manter contato
com essas pessoas, aí foi fraquejando", disse Sérgio
de Sousa, que faz parte da coordenação.
Hoje, pouco mais de trinta jovens dão prosseguimento às
atividades idealizadas pelo italiano que escolheu Mossoró
para cumprir sua missão sacerdotal. Sem ele, o projeto perde
sua referência.
"Na sua história, esse envolvimento com as crianças
pobres e os jovens, trazendo eles para a Igreja, foi o forte de
padre Guido. Ele cumpria missão semelhante à de Dom
Bosco e cumpriu um papel importante na vida dessas pessoas",
disse o atual pároco da Igreja de São José,
padre Elizeu Wilton.
Coleta
Seletiva promete mais rigor
na separação do material contagioso
Lenilson Freitas
Da Redação
Os trabalhadores da Coleta Seletiva da Associação
Comunitária Reciclando para a Vida (ACREVI) afirmaram estar
recolhendo material do lixo hospitalar da Unidade de Pronto-Atendimento
(UPA) do Alto de São Manoel (zona leste). A denúncia
feita ontem à imprensa gerou surpresa e providência
da direção da Coleta Seletiva, ligada à Seletiva
da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, Trânsito
e Transportes Públicos (SESUTRA).
De acordo com Josefa Avelina, presidenta da Acrevi, o recolhimento
era feito sem nenhum cuidado por partes dos catadores. Além
disso, ela reclamou que o diretor da Coleta Seletiva não
estava dando orientação necessária aos funcionários
da UPA. "Há cerca de duas semanas já encontramos
seringas, agulhas, luvas, bolsas de soro", diz.
Para o diretor da Coleta Seletiva, Cid Batista, os trabalhadores
estavam recolhendo os materiais que podem ser aproveitados para
a reciclagem e provavelmente misturando com o lixo hospitalar. "O
pessoal que trabalha na coleta estão assustados porque o
material que pode ser reciclado, como bolsas de soro, estava no
lixo da UPA, junto com material infectado", reafirma Cid Batista.
O problema de recolhimento de lixo hospitalar também atingiu
a Associação dos Catadores de Material Reciclável
de Mossoró (ASCAMARE). O representante dos trabalhadores,
Pedro Pereira, confirma o perigo ocorrido durante a coleta seletiva.
"Já retirei uma vez lixo hospitalar na Upa, mas o trabalho
não prosseguiu porque não tínhamos equipamentos
de segurança", afirma.
O diretor Cid Batista informou que hoje serão realizadas
reuniões com os funcionários das UPAS para esclarecer
sobre o que pode ou não ser coletado. "Vamos informar
o que pode ser recolhido pela coleta seletiva e o material infectado
que deve ser levado pela empresa especializada até São
Gonçalo do Amarante, em Natal", disse.
Vacinação
Antirrábica acontece neste sábado
A Campanha de Vacinação Antirrábica
Canina e Felina acontecerá neste sábado, 14, e é
realizada pela Secretaria de Estado da Saúde Pública,
através da II Unidade Regional de Saúde Pública
(II URSAP) e a Gerência Executiva da Saúde.
Segundo Domício do Vale, médico veterinário
da Vigilância Sanitária da II Ursap, a aplicação
das vacinas nestes animais impede a circulação do
vírus. "Além da vacinação, cada
vez mais é preciso trabalhar a consciência sanitária
das pessoas. Quem se dispõe a ter um animal de estimação
deve tomar cuidado com a saúde do animal e com a sua própria
saúde. Um dono responsável não deixa seu cão
solto na rua, cuida dele regularmente, usa coleira para passear,
mantém o local limpo e procura manter a vacinação
em dia", afirma o veterinário. A transmissão
do vírus da raiva canina ocorre através da pele ou
mucosa, por mordida, lambedura ou arranhadura de animal contaminado,
ou até mesmo pelo contato com morcegos. O principal animal
transmissor para humanos é o cão, mas a raiva também
pode ser transmitida por gatos, macacos, morcegos e outros mamíferos.
"Quando alguém for agredido por um animal, mesmo vacinado,
é importante lavar o ferimento, procurar com urgência
o serviço de saúde mais próximo e deixar o
animal em observação durante dez dias, para que se
possa identificar qualquer sinal indicativo da raiva", explica
Domício Vale, alertando sobre a importância da vacinação.
"Mossoró e municípios circunvizinhos são
áreas endêmicas da raiva transmitida por morcegos em
animais como bovinos e equinos", esclarece.
É importante vacinar o animal a partir de dois meses de idade.
A vacina é apenas para cães e gatos e está
disponível nos pontos de vacinação distribuídos
pela cidade das 8h às 17h.
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