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PÁGINA ATUALIZADA AOS DOMINGOS
Cláudia
Regina
Peço
que a população possa identificar quem
são os parlamentares que quebram o
decoro parlamentar
Por:
Edilson Damasceno Fotos: CARLOS COSTA
Diante
das discussões acaloradas na Câmara Municipal, a troca
de acusações tem se tornado frequente entre vereadores
governistas e oposicionistas, o que se configuraria em esquecimento
total da Carta de Princípios, assinada por todos os parlamentares
no início da nova legislatura, e, com isso, estaria deixando
a Casa fragilizada. O entendimento da vereadora Cláudia Regina
(DEM) é de que a falta de conduta no Legislativo não
pode ser atribuída a todos e que existe um grupo pontual
de parlamentares que tem evidenciado tal comportamento. "Assinei
e assinaria a carta de princípios novamente", afirma.
Ela comenta que, contudo, falta respeito na Câmara e que alguns
vereadores estão se excedendo e partem para agressões.
Cláudia afirma que quatro vereadores governistas já
foram agredidos em plenário: ela, Niná Rebouças,
Ricardo de Dodoca e Claudionor dos Santos, presidente da Câmara.
A vereadora também discorre sobre a quebra de decoro parlamentar:
"Peço que a população possa identificar
quem são os parlamentares que quebram o decoro parlamentar,
que fragilizam a Casa, ironizando a Casa, e quem é que está
desrespeitando os colegas." Confira a entrevista:
JORNAL DE FATO - A senhora vem sendo acusada de obstacular projetos
de vereadores da oposição e inibir ascensão
política dos colegas. Como está o convívio
entre a oposição e situação na Câmara?
CLÁUDIA REGINA - O convívio entre os contrários,
em toda Casa Legislativa, é natural, corriqueiro e normal.
Existe oposição e situação. Agora, defendo
que todos os posicionamentos, ideologias e defesas sejam feitos
pautados pelo respeito, ética e da verdade. Os projetos que
são apresentados, fazemos avaliação. Dentro
dessa avaliação, fazemos o julgamento diante do que
o projeto se apresente, independente de que seja de oposição
ou situação, porque o nosso compromisso é com
a cidade de Mossoró. Para ilustrar, na sessão da quarta-feira
passada, tivemos vários projetos que foram à pauta
em primeira votação e, dentre eles, tivemos, só
do vereador Lahyre Neto, quatro projetos, dos quais fui a relatora.
Fiz a relatoria e só não o julgamento positivo de
um projeto, que falava da criação de um programa de
compra direta no municio.
POR QUE a senhora se posicionou contra?
Fui contrária, não ao mérito do projeto,
e sim à constitucionalidade. Não cabe e é inconstitucional
que um vereador possa propor criações de despesas
ao Município. Isso é uma prerrogativa única
do Executivo. De quatro projetos que relatei, apenas em um fui contrária
só pela inconstitucionalidade. Para adquirir os alimentos
da compra direta dos agricultores, em nível local, já
existe um convênio com o Ministério do Desenvolvimento
Agrário, e a compra já é feita em parceria
com a Prefeitura e com recursos do Ministério. Isso já
é executado. O projeto dele era para criar um projeto municipal,
no qual o Município iria destinar recursos do Orçamento
para a compra desses alimentos. Então, não cabe a
nenhum vereador legislar em cima de despesas para o Município.
Por isso, fui contrária a esse, que é inconstitucional.
Só pode ser proposto se vier do próprio Executivo.
Pautamos o nosso mandato pela ética, respeito e defendemos
que tudo pode ser dito, desde que tenha ética, respeito e
verdade.
NESSE raciocínio na ética, é público
que existe um desconforto sobre postagem na internet feita contra
o presidente da Casa. Com a instalação da Comissão
de Ética, é possível coibir excessos?
A COMISSÃO de Ética, com certeza, vai disciplinar
esses excessos. Quero dizer que sou contra a qualquer gesto de preconceito,
independente da classe social, do nível de escolaridade de
qualquer cidadão. Fazer comentários sobre qualquer
cidadão, independente que seja autoridade ou não,
caracterizo como preconceituoso e altamente discriminatório.
Repudio, e duplamente, porque a atitude foi feita à maior
autoridade da Casa, que é o presidente. Não é
porque o vereador Claudionor dos Santos não teve acesso a
ensinos no exterior ou a conhecimentos em outras faculdades e universidades
de renome que ele não seja um cidadão que tenha compromissos
com as causas sociais. Sou terminantemente contra o preconceito,
e quero que hoje o regimento da Casa já dá essa abertura
para qualquer vereador ou pessoa que seja agredido ou ações
nas dependências da Casa, não precisa ser só
em sessão, o regimento contempla como quebra de decoro parlamentar
e enquadra à pena, inicialmente de censura, e depois a outras
que podem ser conduzida à comissão e que pode culminar
com a perda de mandato. Defendo que o respeito seja garantido a
todas as pessoas. Nesse caso específico, repudio e presto
minha solidariedade ao presidente da Casa e dizendo a ele que cabe
as sanções e ele conhece, e acredito que ele vá
aplicá-las.
OS ÂNIMOS na Câmara estão exaltados ultimanente,
especificamente no que diz respeito às mudanças na
saúde...
CRIOU-SE um cabo de guerra entre a transferência do AMI
(Ambulatório Materno Infantil), que era uma preposição
da Prefeitura para adequar os gastos às despesas para ir
para um prédio próprio da Prefeitura. As mães
dos usuários pediam que o serviço não fosse
separado. Pessoas que não atuaram como bombeiros, e sim como
incendiários, criaram uma grande polêmica na cidade,
não usando o diálogo e o respeito como arma. Estabeleceu-se
um cabo de guerra e de força, a minha condição
de líder do governo fez que eu fosse lá, intermediasse
um entendimento, fazendo reuniões com os usuários
do AMI, levando o que eles estavam dizendo para o secretário
da Cidadania (Francisco Carlos) e para a gerente da Saúde
(Jaqueline Amaral). Foram oito reuniões, intermediando e
servindo de ponte. A liderança, para mim, serve para poder
utilizar essa condição, articular situações
na busca de soluções. Na quinta-feira passada, o secretário
fez reunião com todas as mães e chegou-se a um ponto
comum: atendeu-se o interesse da Prefeitura, de mudar os serviços
para um prédio próprio e atendeu os interesses dos
usuários, de ter serviços em um único local.
Com o diálogo, respeito e vontade de acertar, e é
para isso que serve o líder. Não tenho dificuldade
nenhuma.
ESTÁ sendo corriqueira a postagem de comentários de
vereadores na internet, no Twitter e em blogs, durante as sessões.
A senhora acha necessário e oportuno o uso desse instrumento
durante as sessões?
ACHAMOS oportuno e extremamente interessante que se utilizem
todos os meios de comunicação como um canal de articulação,
de interação com a população. O que
sou contra é que durante as sessões nós somos
vereadores, somos pagos pelo povo para exercermos o nosso mandato
em defesa do povo de Mossoró. Se estou em uma sessão,
participando de um processo de votação, de discussão,
não é o momento ideal e nem adequado de estar utilizando
qualquer instrumento de comunicação, pela via internet.
Pois se faço isso, não estou prestando atenção
nas matérias que estão sendo discutidas e votadas.
Estamos sendo pagos para discutirmos e apresentarmos projetos, usando
a ética, o respeito e a verdade. O que estamos vendo, nesses
últimos dias, são inverdades sendo propagadas tanto
pela internet quanto pela TV, de jornais e rádio. São
assuntos que acontecem no dia a dia da Câmara e são
distorcidos em benefício próprio. Somos contra essa
propagação de inverdades. Por isso que convocamos
a população para acompanhar as sessões e saber.
Temos defendido, junto ao presidente da Casa, que as sessões
possam ser transmitidas, ao vivo, pela televisão, porque
fica o registro total, sem cortes e sem inverdades, do dia a dia
da Câmara.
A SENHORA acha que o interesse pessoal está se sobressaindo
na Câmara?
NÃO vim para a Câmara para trabalhar e nem refletir
meus interesses pessoais. Fui às ruas e continuo indo para
ter um contato com o povo, isso semanalmente. Nosso mandato é
subsidiado pelas vontades da população. Não
fui eleita, não vim aqui e nem sou paga para resolver interesses
pessoais. Vim aqui para atender os interesses da coletividade e
procurar defendê-lo com todas as minhas forças.
NO CASO da saúde, vereadora, quando houve a reunião
da qual participaram o secretário da Cidadania e a gerente
da Saúde, isso culminou com uma carta aberta à prefeita
e esse fato suscitou outros, principalmente de que a senhora não
estaria sabendo cumprir bem seu papel e não teria feito que
a bancada recuasse. Como está o relacionamento da bancada?
ESTÁ em perfeita harmonia, sem nenhuma dificuldade. O
que aconteceu no episódio da carta aberta, isso se deu pelo
seguinte fato: na semana anterior, em uma sexta-feira, acompanhada
dos vereadores Daniel Gomes, Jório Nogueira e Ricardo de
Dodoca, estive no Palácio da Resistência para convidar
o secretário e a gerente para vir a esta Casa para explicar
a reestruturação da saúde, que estava causando
tanto desconforto e polêmica. Quando fui na companhia dos
vereadores à Prefeitura, imediatamente o chefe de Gabinete
agilizou a vinda deles. Se fui na sexta fazer o convite para se
tornar clara a reestruturação da saúde, eu
estava querendo ouvir a versão do Município. Nesse
ínterim, os mesmos colegas que estiveram comigo elaboraram
uma carta aberta, com todos os pontos que seriam discutidos na reunião...
Se iríamos fazer uma carta aberta, não seria necessário
trazermos os secretários. Coloquei-me contrária à
assinatura na carta, pela incoerência e desrespeito às
autoridades, de não ouvirem e terem assinado a carta. Sou
a favor do diálogo. Usar baderna, confusão e carro
de som, isso não resolve o problema, e sim o diálogo.
Não eram motivos políticos, pessoais para aparecer,
e sim de encontrar a solução mais justa, que realmente
foi encontrada, beneficiando a Prefeitura e as mães.
DIANTE desse quadro todo na Câmara, de acusações,
xingamentos, ameaças e início de quebra de decoro
parlamentar, a senhora acha que aquela carta de princípios
assinada por todos ainda está em voga?
PARTICULARMENTE a defendo com todas as forças. Assinei
a carta de princípios e assinaria novamente. Pelo que me
consta, todas essas trocas de acusações estão
sendo provocadas de uma forma pontual e ligadas a alguns membros.
Claro que essa condição, quando uma pessoa é
agredida, como fui recentemente agredida no plenário, como
a professora Niná (Rebouças), como na sessão
passada o vereador Ricardo de Dodoca foi destratado e como também
o presidente da Casa foi destratado, isso atinge a todos. Mas todos
os níveis de agressão, de falta de posicionamentos,
de postura e de quebra de decoro parlamentar, tudo isso está
pontuado e fixado em alguns membros da Casa. Não podemos
tomar e dizer que a Câmara está totalmente sem harmonia
e quebrando toda e qualquer situação de decoro e postura
parlamentar, porque esses pontos estão fixados em alguns
vereadores. Fazendo uma retrospectiva nos jornais, você não
vai encontrar Cláudia Regina atingindo, agredindo ou desrespeitando
qualquer colega, mas já fui vítima de agressão
por parte dos colegas. Peço que a população
possa identificar quem são os parlamentares que quebram o
decoro parlamentar, que fragilizam a Casa, ironizando a Casa e quem
é que está desrespeitando os colegas.
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