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MOSSORÓ (RN), QUINTA-FEIRA, 12/11/2009 (ATUALIZADO: 00:50hs)
 
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» Oposição põe a culpa em Dilma
» Governo ainda não sabe causas do apagão
» Presidente Lula admite que perdeu o sono com apagão no país


APAGÃO
Oposição põe a culpa em Dilma
Denise Madueño
Da Agência Estado

Brasília, 11 (AE) - O apagão que atingiu 12 Estados ontem à noite (10) transformou-se em arma política e eleitoral para a oposição nesta manhã (11). O líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), relacionou o blecaute diretamente à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ex-ministra de Minas e Energia. "Além do prejuízo ao País, o apagão caracteriza a incompetência da candidata do governo à Presidência", afirmou Caiado. "Faltou investimento", continuou o líder do DEM. "O modelo implantado por Dilma expulsou os investidores e o governo não investiu, provocando o colapso", disse.
O líder do PPS, Fernando Coruja (SC), classificou o apagão como "um caso típico de pane gerencial". Ele avaliou que, pela extensão do blecaute, a chuva não pode ter sido determinante. "A chuva ajudou, mas o governo colaborou para aumentar o problema. É preciso investimento e gerenciamento nesse setor", disse. "E quem garante que não irá ocorrer outra vez?", questionou Coruja.
O DEM e o PPS já elaboram requerimentos de convocação do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e de Dilma para prestarem depoimento nas comissões permanentes da Câmara.
Ainda pela manhã, Caiado protocolou um requerimento de informações ao ministro Lobão. Na lista de perguntas, Caiado questiona quantos Estados e municípios foram atingidos, qual o valor estimado do prejuízo, que medidas efetivas serão adotadas para minimizar as perdas com o apagão e qual foi o total de investimentos feitos para diminuir a fragilidade dos sistemas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica e para incrementar os sistemas de segurança das linhas de transmissão no período de janeiro de 2003 até hoje.
Mas o líder do PT, Candido Vaccarezza (SP) rebate as acusações da oposição. Segundo ele, não houve um apagão, e sim uma queda de energia que durou menos de três horas. Ele afirmou que ao contrário do que a oposição diz, o apagão mostra a capacidade do governo e da ministra Dilma Rousseff. "Na época deles (governo Fernando Henrique Cardoso) foi um ano de apagão. No nosso governo, três horas e sem nenhuma consequência grave para a economia do Brasil. A economia vai crescer neste trimestre e continuar no ano que vem. Este é um tema que nos interessa discutir e comparar o que foi feito no governo deles e no nosso", afirmou Vaccarezza. Segundo ele, no governo passado foi necessário controlar o crescimento da economia, por falta de produção de energia e que hoje o Brasil produz mais do que precisa e investe mais para acelerar o crescimento econômico.

EMBATE
O embate político que está sendo travado pela oposição e governo em torno do apagão é um sinal de que o debate eleitoral que já permeia o cenário sucessório de 2010 precisa ser mais qualificado. Para o cientista político Humberto Dantas, é preciso que as discussões deixem de se pautar apenas em tiroteios, críticas e ataques mútuos sobre eventos ocorridos. Já para o cientista político Marco Antônio Carvalho Teixeira, o uso político do blecaute pela oposição é um sinal de que o PSDB, principal adversário político do PT, ainda não encontrou um discurso capaz de polarizar com o governo Lula.

Paraguai teve apagão duplo
Ariel Palacios
correspondente da AE

BUENOS AIRES, 11 (AE) - O apagão que afetou o Brasil na terça-feira à noite e na madrugada de hoje também estendeu-se ao Paraguai, país que recebe da usina de Itaipu quase 85% de sua energia elétrica. No entanto, o impacto foi significativamente mais breve do que no território brasileiro, já que a maior parte do Paraguai ficou entre 15 e 25 minutos em pleno apagão. A carga total interrompida no território paraguaio foi de 1.401 MW.
Na mesma noite, embora por um breve período, o Paraguai teve um problema adicional quando dois minutos após a desconexão com Itaipu, a interconexão do sistema paraguaio com a hidrelétrica de Yaciretá (binacional Paraguai-Argentina), no sul do país, também ficou fora de serviço.
Apesar do breve apagão, a população em Assunção não teve problemas de peso, já que está acostumada a frequentes mini-apagões, provocados - segundo os especialistas - por problemas no equipamento antigo do sistema elétrico do país.
A Administração Nacional de Energia Elétrica (Ande), a empresa estatal paraguaia de energia, anunciou que o período fora de funcionamento gerado pelo apagão de Itaipu provocará uma perda de 5 milhões de guaranis (US$ 704 mil), já que no lapso de quase 25 minutos não pode cobrar pela energia costumeiramente consumida dentro do território paraguaio. A Ande descarta categoricamente que o colapso da terça-feira teria sido provocado por uma sabotagem do sistema, tal como indicavam rumores. Segundo os porta-vozes da companhia, "a origem do colapso elétrico que atingiu ambos países foi gerada por uma perturbação do sistema elétrico brasileiro".
Para complicar, uma tempestade na região do município de Ñeembucú, no sudoeste do país, derrubou nove torres de alta tensão e deixou 30 mil pessoas sem eletricidade. A tempestade provocou danos ao longo de seis quilômetros de extensão da linha de transmissão.

Governo ainda não sabe causas do apagão, diz presidente da comissão
Gerusa Marques
Da Agência Estado

Brasília, 11 (AE) - O presidente da Comissão de Minas e Energia da Câmara, deputado Bernardo Ariston (PMDB-RJ), saiu nesta tarde (11) de um encontro com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e informou à reportagem que o governo ainda não sabe as causas do apagão que afetou ontem à noite (10) 18 Estados do País.
Ariston disse que ele próprio estranha o fato de não haver até agora uma explicação oficial para o ocorrido, mas prefere acreditar que tenha havido um problema técnico.
O parlamentar relatou que o ministro lhe contou que ficou até de madrugada trabalhando no monitoramento do sistema de energia elétrica do País e que, assim que foi constatado que o sistema estava "íntegro", as transmissões foram religadas.
Ariston contou que pediu ao ministro que autorizasse deputados da Comissão de Minas e Energia a participarem da reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), marcada para as 17 horas de hoje, mas Lobão respondeu que não será possível, por se trata de "assunto de segurança nacional". Ariston disse que Lobão se comprometeu a falar com os deputados depois da reunião.
O deputado disse que não é possível comparar o blecaute de ontem à noite com o apagão registrado na época do racionamento de energia, em 2001, quando a forte estiagem causou escassez de água nos reservatórios das usinas hidrelétricas. Hoje, observou Ariston, os reservatórios estão em condições normais. Ele disse acreditar que a causa do blecaute não seja, também, falta de investimentos no sistema de transmissão.

RIO
O Rio não registrou nenhuma ocorrência grave durante o blecaute ocorrido anteontem à noite (10). "O retorno da PM (Polícia Militar) e da Polícia Civil é que não tivemos nada mais sério em função da ausência de luz.

Imprensa internacional noticia
São Paulo, 11 (AE) - Diversas agências de notícias e jornais pelo mundo colocaram entre suas principais manchetes a informação sobre o blecaute no Brasil, que deixou pelo menos 12 Estados, o Distrito Federal e o Paraguai sem energia elétrica ontem à noite, depois de a queda de uma linha que transmite energia da Hidrelétrica de Itaipu ter tirado do sistema elétrico todos os 14 mil megawatts gerados pela usina.
Enquanto muitos brasileiros ainda se questionavam sobre a amplitude do apagão, às 22h52 (de Brasília) de ontem, cerca de 35 minutos depois do início, a agência France-Presse (AFP) divulgava uma manchete, citando testemunhas, de que as principais cidades do país estavam sem energia elétrica.
Menos de uma hora depois da manchete, a agência informava que os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, outros Estados no Sudeste, algumas regiões do Estado de Goiás e o Distrito Federal estavam no escuro.
O Wall Street Journal ainda mantinha a chamada para o artigo na página principal do site nesta manhã.
Reportagens no WSJ, CNN, Dow Jones, Reuters, Bloomberg e France-Presse destacaram que o transporte foi prejudicado no Brasil, com interrupção nos metrôs do Rio de Janeiro e de São Paulo. Alguns artigos também destacavam que o Rio colocou mais policiais nas ruas para manter a calma na cidade.

Presidente Lula admite que
perdeu o sono com apagão no país

Leonencio Nossa
e Tânia Monteiro
Da Agência Estado

Brasília, 11 (AE) - Em entrevista ontem no Itamaraty, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratou como um "incidente" o blecaute ocorrido na noite de anteontem. Ele, porém, confidenciou que o problema acabou com sua noite de sono. Contou que passou a madrugada em conversas por telefone com técnicos e ministros para saber detalhes da queda das linhas de transmissão de energia. Na mesma entrevista, Lula disse e repetiu que o problema era técnico e não um problema de falta de energia como ocorreu no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Lula, que recebia o presidente de Israel, Shimon Peres, não escondeu um certo abatimento.
Anteontem, numa solenidade do PAC da Habitação, no mesmo prédio do Itamaraty, Lula esbanjava bom humor e descontração, chegando a brincar com a plateia formada por prefeitos e governadores. Hoje, ele chegou a fazer um apelo para que a imprensa não criasse "teses" e desse a informação "correta" sobre o que gerou o blecaute. Desde 2003, Lula cita o período de racionamento de energia da Era FHC, chamado de "apagão", para atacar os tucanos. No poder, Lula fez 55 discursos para comentar o "apagão" no governo anterior, sendo seis apenas neste ano. Durante a disputa pela reeleição, em 2006, ele bateu seu próprio recorde de discursos sobre o tema. Naquele ano, ele citou a palavra "apagão" em 15 discursos. O primeiro discurso de Lula sobre o "apagão" ocorreu em junho de 2003, numa visita a Parintins, cidade da beira do Solimões, no Amazonas. Depois de receber um abaixo assinado de moradores pedindo luz elétrica em uma parte da cidade, o presidente comentou: "Quero olhar na cara de vocês e dizer: quando terminar este Festival de Parintins, não terão mais apagão". "Vocês poderão namorar no claro."
Aos poucos, os discursos de Lula sobre o "apagão" começaram a ficar mais duros. O presidente deixou de lado o bom humor e passou a fazer críticas à "falta de investimentos" no setor energético durante o governo tucano. A última vez foi no dia 30 de outubro em um encontro nacional de empresários da construção civil, no Rio de Janeiro.
"O planejamento público na área de infraestrutura estava abandonado em nosso País há mais de 30 anos", disse. "E a economia pagou um preço alto por esse equívoco estratégico, como ficou evidente no apagão de 2000 e 2001."



       
 


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