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APAGÃO
Oposição
põe a culpa em Dilma
Denise Madueño
Da Agência Estado
Brasília, 11 (AE) - O apagão que atingiu 12 Estados
ontem à noite (10) transformou-se em arma política
e eleitoral para a oposição nesta manhã (11).
O líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), relacionou
o blecaute diretamente à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff,
ex-ministra de Minas e Energia. "Além do prejuízo
ao País, o apagão caracteriza a incompetência
da candidata do governo à Presidência", afirmou
Caiado. "Faltou investimento", continuou o líder
do DEM. "O modelo implantado por Dilma expulsou os investidores
e o governo não investiu, provocando o colapso", disse.
O líder do PPS, Fernando Coruja (SC), classificou o apagão
como "um caso típico de pane gerencial". Ele avaliou
que, pela extensão do blecaute, a chuva não pode ter
sido determinante. "A chuva ajudou, mas o governo colaborou
para aumentar o problema. É preciso investimento e gerenciamento
nesse setor", disse. "E quem garante que não irá
ocorrer outra vez?", questionou Coruja.
O DEM e o PPS já elaboram requerimentos de convocação
do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e de Dilma
para prestarem depoimento nas comissões permanentes da Câmara.
Ainda pela manhã, Caiado protocolou um requerimento de informações
ao ministro Lobão. Na lista de perguntas, Caiado questiona
quantos Estados e municípios foram atingidos, qual o valor
estimado do prejuízo, que medidas efetivas serão adotadas
para minimizar as perdas com o apagão e qual foi o total
de investimentos feitos para diminuir a fragilidade dos sistemas
de geração, transmissão e distribuição
de energia elétrica e para incrementar os sistemas de segurança
das linhas de transmissão no período de janeiro de
2003 até hoje.
Mas o líder do PT, Candido Vaccarezza (SP) rebate as acusações
da oposição. Segundo ele, não houve um apagão,
e sim uma queda de energia que durou menos de três horas.
Ele afirmou que ao contrário do que a oposição
diz, o apagão mostra a capacidade do governo e da ministra
Dilma Rousseff. "Na época deles (governo Fernando Henrique
Cardoso) foi um ano de apagão. No nosso governo, três
horas e sem nenhuma consequência grave para a economia do
Brasil. A economia vai crescer neste trimestre e continuar no ano
que vem. Este é um tema que nos interessa discutir e comparar
o que foi feito no governo deles e no nosso", afirmou Vaccarezza.
Segundo ele, no governo passado foi necessário controlar
o crescimento da economia, por falta de produção de
energia e que hoje o Brasil produz mais do que precisa e investe
mais para acelerar o crescimento econômico.
EMBATE
O embate político que está sendo travado pela oposição
e governo em torno do apagão é um sinal de que o debate
eleitoral que já permeia o cenário sucessório
de 2010 precisa ser mais qualificado. Para o cientista político
Humberto Dantas, é preciso que as discussões deixem
de se pautar apenas em tiroteios, críticas e ataques mútuos
sobre eventos ocorridos. Já para o cientista político
Marco Antônio Carvalho Teixeira, o uso político do
blecaute pela oposição é um sinal de que o
PSDB, principal adversário político do PT, ainda não
encontrou um discurso capaz de polarizar com o governo Lula.
Paraguai
teve apagão duplo
Ariel Palacios
correspondente da AE
BUENOS AIRES, 11 (AE) - O apagão que afetou o Brasil na terça-feira
à noite e na madrugada de hoje também estendeu-se
ao Paraguai, país que recebe da usina de Itaipu quase 85%
de sua energia elétrica. No entanto, o impacto foi significativamente
mais breve do que no território brasileiro, já que
a maior parte do Paraguai ficou entre 15 e 25 minutos em pleno apagão.
A carga total interrompida no território paraguaio foi de
1.401 MW.
Na mesma noite, embora por um breve período, o Paraguai teve
um problema adicional quando dois minutos após a desconexão
com Itaipu, a interconexão do sistema paraguaio com a hidrelétrica
de Yaciretá (binacional Paraguai-Argentina), no sul do país,
também ficou fora de serviço.
Apesar do breve apagão, a população em Assunção
não teve problemas de peso, já que está acostumada
a frequentes mini-apagões, provocados - segundo os especialistas
- por problemas no equipamento antigo do sistema elétrico
do país.
A Administração Nacional de Energia Elétrica
(Ande), a empresa estatal paraguaia de energia, anunciou que o período
fora de funcionamento gerado pelo apagão de Itaipu provocará
uma perda de 5 milhões de guaranis (US$ 704 mil), já
que no lapso de quase 25 minutos não pode cobrar pela energia
costumeiramente consumida dentro do território paraguaio.
A Ande descarta categoricamente que o colapso da terça-feira
teria sido provocado por uma sabotagem do sistema, tal como indicavam
rumores. Segundo os porta-vozes da companhia, "a origem do
colapso elétrico que atingiu ambos países foi gerada
por uma perturbação do sistema elétrico brasileiro".
Para complicar, uma tempestade na região do município
de Ñeembucú, no sudoeste do país, derrubou
nove torres de alta tensão e deixou 30 mil pessoas sem eletricidade.
A tempestade provocou danos ao longo de seis quilômetros de
extensão da linha de transmissão.
Governo
ainda não sabe causas do apagão, diz presidente da
comissão
Gerusa Marques
Da Agência Estado
Brasília, 11 (AE) - O presidente da Comissão de Minas
e Energia da Câmara, deputado Bernardo Ariston (PMDB-RJ),
saiu nesta tarde (11) de um encontro com o ministro de Minas e Energia,
Edison Lobão, e informou à reportagem que o governo
ainda não sabe as causas do apagão que afetou ontem
à noite (10) 18 Estados do País.
Ariston disse que ele próprio estranha o fato de não
haver até agora uma explicação oficial para
o ocorrido, mas prefere acreditar que tenha havido um problema técnico.
O parlamentar relatou que o ministro lhe contou que ficou até
de madrugada trabalhando no monitoramento do sistema de energia
elétrica do País e que, assim que foi constatado que
o sistema estava "íntegro", as transmissões
foram religadas.
Ariston contou que pediu ao ministro que autorizasse deputados da
Comissão de Minas e Energia a participarem da reunião
do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE),
marcada para as 17 horas de hoje, mas Lobão respondeu que
não será possível, por se trata de "assunto
de segurança nacional". Ariston disse que Lobão
se comprometeu a falar com os deputados depois da reunião.
O deputado disse que não é possível comparar
o blecaute de ontem à noite com o apagão registrado
na época do racionamento de energia, em 2001, quando a forte
estiagem causou escassez de água nos reservatórios
das usinas hidrelétricas. Hoje, observou Ariston, os reservatórios
estão em condições normais. Ele disse acreditar
que a causa do blecaute não seja, também, falta de
investimentos no sistema de transmissão.
RIO
O Rio não registrou nenhuma ocorrência grave durante
o blecaute ocorrido anteontem à noite (10). "O retorno
da PM (Polícia Militar) e da Polícia Civil é
que não tivemos nada mais sério em função
da ausência de luz.
Imprensa
internacional noticia
São Paulo, 11 (AE) - Diversas agências de notícias
e jornais pelo mundo colocaram entre suas principais manchetes a
informação sobre o blecaute no Brasil, que deixou
pelo menos 12 Estados, o Distrito Federal e o Paraguai sem energia
elétrica ontem à noite, depois de a queda de uma linha
que transmite energia da Hidrelétrica de Itaipu ter tirado
do sistema elétrico todos os 14 mil megawatts gerados pela
usina.
Enquanto muitos brasileiros ainda se questionavam sobre a amplitude
do apagão, às 22h52 (de Brasília) de ontem,
cerca de 35 minutos depois do início, a agência France-Presse
(AFP) divulgava uma manchete, citando testemunhas, de que as principais
cidades do país estavam sem energia elétrica.
Menos de uma hora depois da manchete, a agência informava
que os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, outros Estados
no Sudeste, algumas regiões do Estado de Goiás e o
Distrito Federal estavam no escuro.
O Wall Street Journal ainda mantinha a chamada para o artigo na
página principal do site nesta manhã.
Reportagens no WSJ, CNN, Dow Jones, Reuters, Bloomberg e France-Presse
destacaram que o transporte foi prejudicado no Brasil, com interrupção
nos metrôs do Rio de Janeiro e de São Paulo. Alguns
artigos também destacavam que o Rio colocou mais policiais
nas ruas para manter a calma na cidade.
Presidente
Lula admite que
perdeu o sono com apagão no país
Leonencio Nossa
e Tânia Monteiro
Da Agência Estado
Brasília, 11 (AE) - Em entrevista ontem no Itamaraty, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva tratou como um "incidente"
o blecaute ocorrido na noite de anteontem. Ele, porém, confidenciou
que o problema acabou com sua noite de sono. Contou que passou a
madrugada em conversas por telefone com técnicos e ministros
para saber detalhes da queda das linhas de transmissão de
energia. Na mesma entrevista, Lula disse e repetiu que o problema
era técnico e não um problema de falta de energia
como ocorreu no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Lula,
que recebia o presidente de Israel, Shimon Peres, não escondeu
um certo abatimento.
Anteontem, numa solenidade do PAC da Habitação, no
mesmo prédio do Itamaraty, Lula esbanjava bom humor e descontração,
chegando a brincar com a plateia formada por prefeitos e governadores.
Hoje, ele chegou a fazer um apelo para que a imprensa não
criasse "teses" e desse a informação "correta"
sobre o que gerou o blecaute. Desde 2003, Lula cita o período
de racionamento de energia da Era FHC, chamado de "apagão",
para atacar os tucanos. No poder, Lula fez 55 discursos para comentar
o "apagão" no governo anterior, sendo seis apenas
neste ano. Durante a disputa pela reeleição, em 2006,
ele bateu seu próprio recorde de discursos sobre o tema.
Naquele ano, ele citou a palavra "apagão" em 15
discursos. O primeiro discurso de Lula sobre o "apagão"
ocorreu em junho de 2003, numa visita a Parintins, cidade da beira
do Solimões, no Amazonas. Depois de receber um abaixo assinado
de moradores pedindo luz elétrica em uma parte da cidade,
o presidente comentou: "Quero olhar na cara de vocês
e dizer: quando terminar este Festival de Parintins, não
terão mais apagão". "Vocês poderão
namorar no claro."
Aos poucos, os discursos de Lula sobre o "apagão"
começaram a ficar mais duros. O presidente deixou de lado
o bom humor e passou a fazer críticas à "falta
de investimentos" no setor energético durante o governo
tucano. A última vez foi no dia 30 de outubro em um encontro
nacional de empresários da construção civil,
no Rio de Janeiro.
"O planejamento público na área de infraestrutura
estava abandonado em nosso País há mais de 30 anos",
disse. "E a economia pagou um preço alto por esse equívoco
estratégico, como ficou evidente no apagão de 2000
e 2001."
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