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MOSSORÓ (RN), QUINTA-FEIRA, 12/11/2009 (ATUALIZADO: 00:50hs)
 
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LONGE DO FIM DA HISTÓRIA
JUDITH BRITO

Francis Fukuyama teorizou sobre a democracia liberal como o fim da história - mas em certos casos a história tem muito a avançar, inclusive para voltar aos trilhos, como em certos países da América Latina. É preocupante, por exemplo, a onda autoritária contra a liberdade de imprensa que ganha corpo. Governos com DNA autoritário mostram sua incompatibilidade com a crítica e a livre circulação de informações e opiniões, voltando-se contra jornalistas, jornais e os meios de comunicação em geral, por meio de leis casuísticas, ações e declarações que visam a encurralar a mídia e jogar contra ela a opinião pública.
Superados os anos de chumbo das ditaduras militares latino-americanas, está claro que ainda levará tempo - entre avanços e retrocessos - para se firmarem nesses países os valores democráticos. Democracia não é apenas eleição e consulta popular, mas uma cultura permanente de transparência e de convivência tolerante com a crítica, por mais contundente que seja. E a plena liberdade de expressão, a aceitação de opiniões divergentes, sem nenhum tipo de cerceamento, é um de seus fundamentos essenciais. O que vemos hoje, em países como Venezuela, Equador, Bolívia e Argentina é a negação desses princípios elementares, com os governos usando de retórica populista no seu desprezo pela liberdade e no seu desejo de impor monoliticamente sua visão. A assembleia semestral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), recém encerrada em Buenos Aires, foi mais uma oportunidade para expor o longo rol de exemplos dessa tendência obscurantista e totalitária antiliberdade de imprensa. A própria Argentina, sede do evento, tem sido vítima de uma agressiva campanha governamental contra os meios de comunicação, incluindo a recente aprovação da Lei de Serviços Audiovisuais, com endereço certo, o grupo "Clarín", extremamente crítico em relação à administração Kirchner. Um casuísmo gritante, que levou o grupo de mídia a recorrer ao Poder Judiciário. Não satisfeito, o governo instrumentaliza sindicalistas por ele beneficiados e os estimula a prejudicar os veículos de comunicação que lhe são críticos. Foi esse o objetivo dos piquetes organizados por caminhoneiros argentinos, bloqueando a distribuição dos jornais "Clarín" e "La Nación" e da revista "Notícias". Não podia ser mais emblemática uma ação que visa a impedir fisicamente a circulação de veículos da mídia impressa.
Na Venezuela, de onde Hugo Chávez dá o tom de tudo o que se tem feito de pior contra a liberdade de imprensa na América Latina, em 2007 foi fechada a mais importante e tradicional rede de televisão do país, a RCTV. Agora, o canal de notícias Globovisión é sufocado por meio de processos e multas, enquanto foram fechadas 34 emissoras de rádio e outras 240 estão ameaçadas de fechamento. Ao mesmo tempo, Chávez incentiva a hostilidade contra os que não rezam por sua cartilha. Relatório apresentado na SIP mostra que, apenas de junho para cá, já ocorreram 107 ataques contra jornalistas e veículos de comunicação, incluindo agressões físicas a paus e pedras.

JUDITH BRITO
é presidente da ANJ.



       


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