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MOSSORÓ (RN), QUINTA-FEIRA, 12/06/2008 (ATUALIZADO: 01:27hs)
 
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MORTE NA ESTAÇÃO
Homicida se apresenta e alega defesa
Andrey Ricardo
Da Redação

O promotor de vendas Rafael Bezerra Gonçalves, de 24 anos, morador do bairro Abolição IV (zona oeste) se apresentou ontem na Primeira Delegacia de Polícia Civil e confessou a autoria de um dos assassinatos ocorridos dentro da Estação das Artes Elizeu Ventania na madrugada de domingo (8). O acusado confessou que matou o motorista Rafael Souza de Oliveira, de 22 anos, alegando legítima defesa. A versão dele será comparada com as outras peças do inquérito. Depois do depoimento, ele foi liberado.
Rafael se apresentou ontem à tarde na companhia do seu advogado Abraão Dutra. Em contato com o DE FATO, ele apresentou uma nova versão que é bastante diferente do que vinha sendo levantado até bem pouco tempo atrás. Ele contou que já tinha alguns problemas com a vítima por causa de sua atual namorada, que ex-mulher de um amigo do motorista. "Ele já não gostava de mim", alega o acusado, acrescentando que, na noite anterior ao crime, ele se encontrou com Rafael perto de casa - os dois residem no mesmo bairro - e que tiveram uma pequena discussão. "Mas eu fui embora", acrescenta.
Rafael Gonçalves explicou que ia passando em frente a um bar, no bairro Abolição IV, que estava transmitindo o jogo do Flamengo contra o Coritiba quando Rafael Souza tentou impedi-lo de seguir. "Ele ficou parado na frente da moto, mas mesmo assim eu passei direto e fui pra casa. De noite, eu fui pra festa na Estação. Quando cheguei lá, encontrei ele e uns amigos. Acho que eram uns oito caras, que começaram a me bater. Eu não tive nem defesa", relembra o acusado, acrescentando que após a confusão, permaneceu no local da festa. "Fiquei lá todo sujo depois da surra que eles me deram", conta Rafael.
Horas depois da festa, ainda de acordo com o acusado, ele se encontrou novamente com a vítima. Desta vez, conta ele, o motorista saiu correndo em sua direção. "Ele veio pra cima de mim e eu saquei a arma. Dei um tiro e ele ainda continuou correndo... Foi quando peguei e dei mais dois", rememora o acusado, acrescentando que a arma estava carregada e estava na sua cintura desde a primeira briga. Ao ser questionado pela reportagem sobre o motivo de não ter usado-a antes, ele diz que "não tinha como porque era muita gente em cima de mim". Depois dos tiros, ele diz que perdeu a arma na fuga.
Diferentemente do que conta o acusado, a versão inicial que foi repassada pela família da vítima é que Rafael Gonçalves e seus amigos discutiram com os amigos de Rafael Souza, que teria entrado na briga apenas para retirar o seu cunhado, que foi embora após a briga. Ainda segundo a família, o motorista continuou na festa ao lado da namorada e foi surpreendido pelas costas pelo assassino, que efetuou três disparos à queima-roupa. Rafael Souza ainda foi levado para o Hospital Tarcísio Maia, mas não resistiu e veio a óbito. Meia hora depois, outra pessoa foi morta na Estação - os dois casos não têm ligação.

Delegado diz que versão do acusado não foi convincente
A versão apresentada ontem por Rafael Gonçalves não foi convincente e na opinião do delegado Antônio Pinto ainda precisa ser analisada. "Ainda estamos no início do trabalho, mas o pré-levantamento que nós tínhamos feito entrou em choque com grande parte do que foi dito por ele", explica a autoridade policial, que, além dos depoimentos que serão colhidos junto às testemunhas, vai utilizar o laudo de exame cadavérico feito pelo Instituto Técnico-científico de Polícia (ITEP). O laudo pode afirmar, por exemplo, se os disparos efetuados pelo acusado foram pela frente ou pelas costas.
O delegado destacou que vai intimar algumas pessoas que foram citadas pelo acusado no seu depoimento. "Ele citou o nome de algumas pessoas e nós vamos ouvi-las", explica Antônio Pinto, destacando que pretende comparar as oitivas das testemunhas com a versão do acusado. "Ele levantou alguns pontos que ainda precisam ser esclarecidos nas investigações", destaca Pinto, comentando uma das partes da versão de Rafael. "Ele diz que apanhou, levou tapas e chutes e que conseguiu escapar e que encontrou Rafael sozinho. Na hora que ele precisaria atirar, ele não atirou...", questiona.

Policiamento será reforçado a partir de hoje
Depois que duas pessoas foram mortas e outras quatro saíram feridas no primeiro fim de semana do Mossoró Cidade Junina, o evento contará com um reforço de 100 policiais militares nas principais noites de festa. Os soldados-alunos da Academia da PM de Natal vêm para a cidade na quinta-feira e voltam no domingo. O reforço chegou na hora em que o sistema de segurança estava sendo alvo de duras críticas e foi colocado em questão por alguns segmentos, como, por exemplo, os barraqueiros que procuraram o comando local da PM para pedir segurança dentro e fora da Estação.
Segundo o coronel Freitas, comandante do policiamento no interior do Rio Grande do Norte, os 250 policiais que vão trabalhar diariamente durante o Mossoró Cidade Junina são suficientes para dar segurança ao público do evento. "É mais do que suficiente para suprir a demanda de Mossoró. Os PMs serão distribuídos em patrulha e nas torres dentro da festa", explica o oficial, ressaltando ainda que neste número não está incluso o Policiamento Estadual de Trânsito (PELTRAN). "O trânsito vai continuar como antes porque estava funcionando bem", diz o oficial da Polícia Militar.
Com a chegada do reforço, o esquema de policiamento que foi adotado no último final de semana será modificado. De acordo com o comandante da PM em Mossoró, o tenente-coronel Elias Cândido, haverá mais rigor na fiscalização. Ele explica que os policiais irão intensificar as abordagens. "A partir de agora, o policiamento será diferente", ressalta Elias, acrescentando que as torres de vigilância serão reforçadas. "A Prefeitura (local) também vai ajudar para dar segurança ao público do evento", ressalta, destacando que as mortes do domingo foram fatos isolados e que eram inevitáveis.

Morre empresário baleado em assalto
O empresário e funcionário da Caixa Econômica Federal de Mossoró, Francisco Gilvan Sobrinho, o “Gilvan da Caixa”, que tinha 51 anos e morava na Rua Venceslau da Paixão, 335, Nova Betânia, morreu às 21h ontem no Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM). Ele foi baleado durante uma tentativa de assalto ocorrida por volta das 16h daquele mesmo dia e não resistiu aos ferimentos. Os bandidos, dois, atiraram nele e fugiram levando um malote de dinheiro – informações extra-oficiais levam a crer que eram R$ 100 mil. A Polícia investiga o caso, mas a identidade dos bandidos é desconhecida.
O delegado Luís Fernando de Eliezer Pinto, da Delegacia Especializada em Furtos e Roubos (DEFUR) da cidade, afirmou ontem à tarde que ainda não tem praticamente nenhuma pista sobre a dupla que assaltou e matou Gilvan. A autoridade policial destacou que a investigação ainda está na fase inicial e que por isso as informações sobre o caso são escassas. “A gente começou agora e não tem muita coisa sobre esse crime”, disse, em entrevista ao DE FATO. Os bandidos estavam em uma motocicleta de cor vermelha e usavam capacetes, o que pode dificultar o reconhecimento.
Segundo informações colhidas pelo DE FATO, os bandidos seguiram a vítima e fizeram a abordagem em frente a agência central da Caixa Econômica, que fica na Avenida Coronel Gurgel, Centro. Um deles se aproximou e chamou a vítima pelo nome. Gilvan estava perto do carro e ao perceber que se tratava de um assalto, reagiu na tentativa de impedir a dupla de levar seu dinheiro. O bandido, armado com um revólver de calibre 32, atirou duas vezes e atingiu a vítima na barriga. Ele ainda foi socorrido, mas não resistiu e morreu. Os bandidos fugiram na moto e até ontem ainda não foram identificados.
A morte do empresário, que foi velado ontem na Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, causou uma grande comoção na cidade. Durante o seu enterro, amigos e parentes se queixaram da forma como ele foi assassinado. Ontem pela manhã, a casa lotérica Sorteca, que pertencia à vítima e fica situada perto do Colégio das Irmãs, fechou as portas e, em uma forma de protesto, um pano preto escondia a fachada. O protesto dos funcionários da empresa aguçou a curiosidade de algumas pessoas do local, que paravam para ver. Poucos meses atrás, os funcionários da Sorteca haviam sido assaltados.



       




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