

MORTE
NA ESTAÇÃO
Homicida
se apresenta e alega defesa
Andrey Ricardo
Da Redação
O promotor de vendas Rafael Bezerra Gonçalves, de 24 anos,
morador do bairro Abolição IV (zona oeste) se apresentou
ontem na Primeira Delegacia de Polícia Civil e confessou
a autoria de um dos assassinatos ocorridos dentro da Estação
das Artes Elizeu Ventania na madrugada de domingo (8). O acusado
confessou que matou o motorista Rafael Souza de Oliveira, de 22
anos, alegando legítima defesa. A versão dele será
comparada com as outras peças do inquérito. Depois
do depoimento, ele foi liberado.
Rafael se apresentou ontem à tarde na companhia do seu advogado
Abraão Dutra. Em contato com o DE FATO, ele apresentou uma
nova versão que é bastante diferente do que vinha
sendo levantado até bem pouco tempo atrás. Ele contou
que já tinha alguns problemas com a vítima por causa
de sua atual namorada, que ex-mulher de um amigo do motorista. "Ele
já não gostava de mim", alega o acusado, acrescentando
que, na noite anterior ao crime, ele se encontrou com Rafael perto
de casa - os dois residem no mesmo bairro - e que tiveram uma pequena
discussão. "Mas eu fui embora", acrescenta.
Rafael Gonçalves explicou que ia passando em frente a um
bar, no bairro Abolição IV, que estava transmitindo
o jogo do Flamengo contra o Coritiba quando Rafael Souza tentou
impedi-lo de seguir. "Ele ficou parado na frente da moto, mas
mesmo assim eu passei direto e fui pra casa. De noite, eu fui pra
festa na Estação. Quando cheguei lá, encontrei
ele e uns amigos. Acho que eram uns oito caras, que começaram
a me bater. Eu não tive nem defesa", relembra o acusado,
acrescentando que após a confusão, permaneceu no local
da festa. "Fiquei lá todo sujo depois da surra que eles
me deram", conta Rafael.
Horas depois da festa, ainda de acordo com o acusado, ele se encontrou
novamente com a vítima. Desta vez, conta ele, o motorista
saiu correndo em sua direção. "Ele veio pra cima
de mim e eu saquei a arma. Dei um tiro e ele ainda continuou correndo...
Foi quando peguei e dei mais dois", rememora o acusado, acrescentando
que a arma estava carregada e estava na sua cintura desde a primeira
briga. Ao ser questionado pela reportagem sobre o motivo de não
ter usado-a antes, ele diz que "não tinha como porque
era muita gente em cima de mim". Depois dos tiros, ele diz
que perdeu a arma na fuga.
Diferentemente do que conta o acusado, a versão inicial que
foi repassada pela família da vítima é que
Rafael Gonçalves e seus amigos discutiram com os amigos de
Rafael Souza, que teria entrado na briga apenas para retirar o seu
cunhado, que foi embora após a briga. Ainda segundo a família,
o motorista continuou na festa ao lado da namorada e foi surpreendido
pelas costas pelo assassino, que efetuou três disparos à
queima-roupa. Rafael Souza ainda foi levado para o Hospital Tarcísio
Maia, mas não resistiu e veio a óbito. Meia hora depois,
outra pessoa foi morta na Estação - os dois casos
não têm ligação.
Delegado
diz que versão do acusado não foi convincente
A versão apresentada ontem por Rafael Gonçalves não
foi convincente e na opinião do delegado Antônio Pinto
ainda precisa ser analisada. "Ainda estamos no início
do trabalho, mas o pré-levantamento que nós tínhamos
feito entrou em choque com grande parte do que foi dito por ele",
explica a autoridade policial, que, além dos depoimentos
que serão colhidos junto às testemunhas, vai utilizar
o laudo de exame cadavérico feito pelo Instituto Técnico-científico
de Polícia (ITEP). O laudo pode afirmar, por exemplo, se
os disparos efetuados pelo acusado foram pela frente ou pelas costas.
O delegado destacou que vai intimar algumas pessoas que foram citadas
pelo acusado no seu depoimento. "Ele citou o nome de algumas
pessoas e nós vamos ouvi-las", explica Antônio
Pinto, destacando que pretende comparar as oitivas das testemunhas
com a versão do acusado. "Ele levantou alguns pontos
que ainda precisam ser esclarecidos nas investigações",
destaca Pinto, comentando uma das partes da versão de Rafael.
"Ele diz que apanhou, levou tapas e chutes e que conseguiu
escapar e que encontrou Rafael sozinho. Na hora que ele precisaria
atirar, ele não atirou...", questiona.
Policiamento
será reforçado a partir de hoje
Depois que duas pessoas foram mortas e outras quatro saíram
feridas no primeiro fim de semana do Mossoró Cidade Junina,
o evento contará com um reforço de 100 policiais militares
nas principais noites de festa. Os soldados-alunos da Academia da
PM de Natal vêm para a cidade na quinta-feira e voltam no
domingo. O reforço chegou na hora em que o sistema de segurança
estava sendo alvo de duras críticas e foi colocado em questão
por alguns segmentos, como, por exemplo, os barraqueiros que procuraram
o comando local da PM para pedir segurança dentro e fora
da Estação.
Segundo o coronel Freitas, comandante do policiamento no interior
do Rio Grande do Norte, os 250 policiais que vão trabalhar
diariamente durante o Mossoró Cidade Junina são suficientes
para dar segurança ao público do evento. "É
mais do que suficiente para suprir a demanda de Mossoró.
Os PMs serão distribuídos em patrulha e nas torres
dentro da festa", explica o oficial, ressaltando ainda que
neste número não está incluso o Policiamento
Estadual de Trânsito (PELTRAN). "O trânsito vai
continuar como antes porque estava funcionando bem", diz o
oficial da Polícia Militar.
Com a chegada do reforço, o esquema de policiamento que foi
adotado no último final de semana será modificado.
De acordo com o comandante da PM em Mossoró, o tenente-coronel
Elias Cândido, haverá mais rigor na fiscalização.
Ele explica que os policiais irão intensificar as abordagens.
"A partir de agora, o policiamento será diferente",
ressalta Elias, acrescentando que as torres de vigilância
serão reforçadas. "A Prefeitura (local) também
vai ajudar para dar segurança ao público do evento",
ressalta, destacando que as mortes do domingo foram fatos isolados
e que eram inevitáveis.
Morre
empresário baleado em assalto
O empresário e funcionário da
Caixa Econômica Federal de Mossoró, Francisco Gilvan
Sobrinho, o Gilvan da Caixa, que tinha 51 anos e morava
na Rua Venceslau da Paixão, 335, Nova Betânia, morreu
às 21h ontem no Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM).
Ele foi baleado durante uma tentativa de assalto ocorrida por volta
das 16h daquele mesmo dia e não resistiu aos ferimentos.
Os bandidos, dois, atiraram nele e fugiram levando um malote de
dinheiro informações extra-oficiais levam a
crer que eram R$ 100 mil. A Polícia investiga o caso, mas
a identidade dos bandidos é desconhecida.
O delegado Luís Fernando de Eliezer Pinto, da Delegacia Especializada
em Furtos e Roubos (DEFUR) da cidade, afirmou ontem à tarde
que ainda não tem praticamente nenhuma pista sobre a dupla
que assaltou e matou Gilvan. A autoridade policial destacou que
a investigação ainda está na fase inicial e
que por isso as informações sobre o caso são
escassas. A gente começou agora e não tem muita
coisa sobre esse crime, disse, em entrevista ao DE FATO. Os
bandidos estavam em uma motocicleta de cor vermelha e usavam capacetes,
o que pode dificultar o reconhecimento.
Segundo informações colhidas pelo DE FATO, os bandidos
seguiram a vítima e fizeram a abordagem em frente a agência
central da Caixa Econômica, que fica na Avenida Coronel Gurgel,
Centro. Um deles se aproximou e chamou a vítima pelo nome.
Gilvan estava perto do carro e ao perceber que se tratava de um
assalto, reagiu na tentativa de impedir a dupla de levar seu dinheiro.
O bandido, armado com um revólver de calibre 32, atirou duas
vezes e atingiu a vítima na barriga. Ele ainda foi socorrido,
mas não resistiu e morreu. Os bandidos fugiram na moto e
até ontem ainda não foram identificados.
A morte do empresário, que foi velado ontem na Igreja Nossa
Senhora do Perpétuo Socorro, causou uma grande comoção
na cidade. Durante o seu enterro, amigos e parentes se queixaram
da forma como ele foi assassinado. Ontem pela manhã, a casa
lotérica Sorteca, que pertencia à vítima e
fica situada perto do Colégio das Irmãs, fechou as
portas e, em uma forma de protesto, um pano preto escondia a fachada.
O protesto dos funcionários da empresa aguçou a curiosidade
de algumas pessoas do local, que paravam para ver. Poucos meses
atrás, os funcionários da Sorteca haviam sido assaltados.
|