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MOSSORÓ (RN), QUINTA-FEIRA, 12/06/2008 (ATUALIZADO: 01:27hs)
 
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A propósito de braços dados
O amigo me perguntou: "Você notou que as moças de hoje não andam mais de braço dado?" Seus trinta e pouco, não deve ele ter alcançado o tempo em que as moças, principalmente nas tardes e noites de domingo, rodeavam a praça principal de sua cidade, o braço dado uma à outra, no ritual do flerte. A rapaziada, pose de artista de cinema, ficava às margens das faces da praça.
Sim, foi logo do que lembrei à pergunta do amigo, até direi com uma ponta de saudade daqueles tempos, se bem que não fosse eu, complexado como era (e ainda sou), um rapaz namorador. Mas sempre me veio, como se eu passasse de leve pelo sono de uma estrela, um pouco de saudade, outro pouco de uma ternura azul. Com a imagem da minha praça antiga a se recompor na memória dos meus olhos.
E como agosto de leve se anuncia na rolança dos dias, com suas cores e ventos de fim das águas, dei-me de recordar a festa de Nossa Senhora dos Navegantes, lá na minha terra, as noites de novena, o incenso dos turíbulos despejando-se portas afora da igreja sobre a praça, e era como se fosse um convite às alturas do sublime. No coreto ao cento da praça, a evocação sentimental das retretas.
Nos olhos verdes das praieiras do Ceará, alvas de um alvura diáfana, o luar de agosto como que era a transfiguração de lendas antigas, e o vento do mar, docemente ameigado, dir-se-ia ir tecendo no ar iluminado de lua, rendas de labirinto com o perfume que se lhes soltava da carnação entre branco e rosa. Eram como rosas de um canteiro azul de estrelas sonâmbulas.
De ar ingênuo, num riso romântico, o braço dado uma à outra, elas as praieiras do Ceará (Mutamba, Cajuais, Icapuí, Melancias) faziam-me pensar num colar de nuvens acesas estendidos sobre o chão da praça, a minha praça de benjamins e bancos de madeira, o coreto a pompear-lhe ao centro. E muitos daqueles braços quantas vezes, meu Deus, levaram prisioneiro meu coração de rapaz tímido e esquivo...

Prioridades
É geralmente sabido que educação e saúde são as prioridades de um governo digno do nome. No Brasil, tais serviços vivem das sobras orçamentárias. O importante, devem pensar assim nossos homens de governo, é ostentar um parlamento que se apresente como o mais caro do mundo. E o pior é que a sociedade aceita isto, se fosse a coisa mais natural do mundo.

Qualidade
Enquanto isso, os serviços de educação e saúde são de qualidade incompatível com a fortuna pública proveniente da receita do país. Se assim é, para que servem nossos legisladores?

LINGUAGEM
• NENHUM. NEM UM. O estudante João Batista quer saber como se devem empregar essas formas. Vamos ver. A primeira se opõe a ALGUM: Nenhum homem é perfeito. Algum homem é perfeito (sentido oposto). A segunda, que é uma negativa enfática, se opõe a MUITOS, e equivale a NEM SEQUER UM: Ela não disse nem uma palavra (nem sequer uma palavra). O termo "um" é numeral, que se opõe a "muitos". Na forma "nenhum", não há numeral. É só aplicar a inteligência.



       




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