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MOSSORÓ (RN), QUINTA-FEIRA, 12/06/2008 (ATUALIZADO: 01:27hs)
 
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PÁGINA ATUALIZADA AOS DOMINGOS

ROBINSON
FARIA

‘Não fizeram a
leitura da união de
Robinson e João Maia’

Por: JULIERME TORRES - Foto: FRED VERAS

Semana passada, o deputado estadual Robinson Faria (PMN), presidente da Assembléia Legislativa, esteve em Mossoró. Veio participar da Expofruit, mas também teve compromissos políticos. Anunciou seu apoio e, conseqüentemente, do ex-deputado Francisco José à candidatura da deputada estadual Larissa Rosado (PSB) à Prefeitura. O deputado não esconde que essa decisão está ligada com 2010. Ele deixa claro que não poderia apoiar a prefeita Fafá Rosado (DEM), na medida que ela já tem compromisso com a senadora Rosalba Ciarlini (DEM) para o Governo do Estado. Robinson também fala sobre sua parceria com o deputado federal João Maia (PR). Afirma que os dois formam um bloco novo, que terá a maioria dos prefeitos e que vai definir a eleição para o Senado.

JORNAL DE FATO - O PMN ainda não se pronunciou oficialmente sobre seu rumo nas eleições de Mossoró. Afinal de contas, o partido vai ficar com Fafá ou com Larissa?
ROBINSON FARIA - O PMN de Mossoró tomou a decisão política de apoiar a deputada Larissa Rosado. Isso vinha sendo conversado. Ela vinha conversando com a nossa militância, com o deputado Francisco José e o seu filho, o vereador Silveirinha. Houve a identificação. Eu respeitei muito esse sentimento local. Em nenhum momento eu impus. Muito pelo contrário. Eles mesmos evoluíram, e coincidiu com a afinidade, amizade e identificação que eu tenho com a deputada Larissa, que é uma companheira minha na Assembléia Legislativa. Então, o PMN de Mossoró já tem uma posição tomada. Toda a nossa militância vai acompanhar a deputada Larissa Rosado.

LARISSA Rosado já fechou a chapa majoritária dela com o PT. Esse entendimento passou apenas pela chapa proporcional?
PELA proporcional e também pela identificação com a candidata. Eu acho que qualquer coisa fora disso é detalhe. Em nenhum momento buscamos a indicação do vice. Deixamos ela (Larissa) totalmente à vontade para compor com um partido que somasse para sua vitória. O PMN não buscou a indicação do vice. Ao contrário. Deixou a deputada Larissa totalmente à vontade. Eu estive conversando com o deputado Francisco José e o seu filho Silveirinha, e já há uma sintonia entre eles.

ATÉ que ponto a governadora Wilma de Faria participou desse entendimento?
A GOVERNADORA não participou desse entendimento. Foi uma coisa nossa mesmo. Minha, da deputada Larissa e dos amigos aqui de Mossoró.
EM suas entrevistas, o senhor sempre coloca uma palavra quando fala de entendimentos para as eleições deste ano. Essa palavra é reciprocidade. Entende-se que essa reciprocidade seja para 2010. As deputadas Sandra e Larissa Rosado assumiram esse compromisso?
ISSO não foi tratado especificamente. Mas a deputada Larissa, assim como a deputada Sandra, estão muito identificadas com a nossa caminhada. A deputada Larissa está em total sintonia com o projeto do deputado Robinson Faria. Eu não pedi que ela declarasse, nem vou pedir que amanhã ela declare no palanque que eu sou o seu candidato a governador. Até porque ela faz parte de um sistema que tem outros nomes, além do nome do deputado Robinson Faria. Mas política é afinidade, é parceria, é confiança, é amizade e cumplicidade. E isso existe entre mim e as deputadas Larissa e Sandra Rosado.

CREMOS que seja a primeira vez que o senhor fala tão abertamente que busca ser candidato a governador?
EU SOU muito sincero, e acho que o povo está cansado de ouvir os políticos esconderem os seus sentimentos, tergiversarem e até terem um pouco de hipocrisia. Isso está ficando cansativo para a população. Todo mundo sabe que o grupo do deputado Robinson, os deputados que me acompanham, que inclusive ultrapassam, transcendem os partidos que eu faço parte. Você mesmo viu, domingo passado, o deputado José Dias, que é líder do PMDB, dizer na entrevista ao jornal O Poti, que o candidato dele a governador é Robinson Faria. Eu tenho recebido manifestação de políticos de diversos partidos. PMDB, PSB, Democratas. Sem falar dos partidos que já são ligados diretamente a mim, quase que diariamente. Isso motiva a pessoa. Eu não estou pedindo para ninguém me lançar governador. Isso está acontecendo naturalmente. Com isso, não quero dizer que eu sou um candidato forte não. Está muito cedo para saber quem será o candidato forte a governador. Dois anos e meio antes, é muito subjetivo você falar que Robinson ou qualquer outro nome seja um candidato forte a governador. Agora, política se constrói. E isso é uma construção. Eu acho que essa construção está acontecendo para o nosso nome de forma espontânea. Eu não estou premeditando. Mas está acontecendo. A imprensa é testemunha disso. A classe política é testemunha disso. Então, é lógico que eu não vou esconder que se eu chegar a me viabilizar, como o candidato que vai agregar mais e que tenha também o sentimento popular, porque sem isso também não pode. Não adianta eu ser o candidato da governadora, Carlos Eduardo vir a me apoiar, ter vários partidos e vários deputados, se não tiver o sentimento de aprovação do meu nome. Eu serei o primeiro a não aceitar. Mas, até agora, eu tenho ido para cidades onde nunca fui votado para deputado estadual e tenho encontrado palavras de incentivo.

A DEPUTADA Larissa vai enfrentar uma prefeita que é candidata à reeleição, e que tem o apoio da senadora Rosalba, que é inquestionavelmente a maior eleitora de Mossoró. O senhor realmente vê viabilidade nesse projeto?
EU vejo a deputada Larissa como uma candidata que não é de brincadeira não. É uma candidata com chance real de vitória. Eu digo isso até sem querer ser um conhecedor da política de Mossoró. Mas eu tenho visto pesquisas em que já há uma posição de equilíbrio. Eu fico até muito à vontade para dizer isso porque estou baseado nas informações que eu tenho recebido. Eu não estou todo dia em Mossoró. Mas, o fato é que ela (Larissa) está muito motivada. Eu tenho conversado também com a governadora Wilma de Faria, e ela está apostando numa vitória de Larissa. Não estou aqui subestimando. Até porque do outro lado tem uma candidata que eu tenho muito respeito. Tenho hoje uma amizade particular muito forte com o deputado Leonardo Nogueira, mas em política a gente tem que ter um lado. Ninguém pode ter dois lados. Não pode torcer pelo ABC e pelo América ao mesmo tempo.

E PELO Potiguar e Baraúnas, pode?
NEM pelo Potiguar e pelo Baraúnas ao mesmo tempo. Política é assim. Amizades nós temos e queremos preservar. Mas o grupo do deputado Leonardo Nogueira tem uma pré-candidata ao Governo do Estado. Eu respeito, mas ele também respeita a minha posição. Um respeita a posição do outro.

O SENHOR fez um acordo com o deputado federal João Maia para as eleições deste ano, e que pode avançar para 2010. Isso vai se manter firme?
FIRME. E esse é o fato mais novo na política do Rio Grande do Norte. Até dias atrás, ninguém imaginava a união do deputado Robinson com o deputado João Maia. João Maia também é um pré-candidato falado, com muita legitimidade, ao Governo do Estado. Ele também não esconde. É como eu. Não esconde essa pretensão. Está lutando por isso. Conversa com prefeitos nesse sentido. Faz alianças nesse sentido. Ele tem buscado. É um direito legítimo, pela votação que teve para deputado federal em 2006. Foi o segundo mais votado. Construiu um grande partido, que é o PR. É um nome que tem total legitimidade para falar em um projeto majoritário. O interessante é que ainda não foi feita a leitura real do que significa essa parceria do deputado Robinson com o deputado João Maia. Se você analisar hoje a militância dos partidos que seguem a liderança de Robinson e João Maia, talvez seja o maior partido do Rio Grande do Norte, somados. Vamos aguardar a abertura das urnas. Mas quando for somado, agora em 2008, a quantidade de partidos eleitos no PTB, PP, PMN e PR, talvez seja quase a metade, ou mais da metade dos prefeitos eleitos em 2008. Isso demonstra um fato novo. É um grupo novo que surgiu no Estado. Esse grupo do deputado Robinson, em parceria com o deputado João Maia.

MAS essa parceria sobrevive nos municípios? Por exemplo, aqui em Mossoró o PR de João Maia tem deixado claro que tem dificuldades para apoiar a deputada Larissa.
NÃO é obrigado, agora em 2008, estarmos juntos em todos os palanques não. O que existe é um desejo do deputado João Maia e do deputado Robinson Faria de estarmos juntos agora e em 2010. Em Natal, por exemplo, vamos tomar uma decisão juntos. Seja qual for a decisão, estaremos juntos.

ENTÃO, essa decisão conjunta de Natal não tem reflexo em Mossoró?
PODEREMOS discutir. Ainda não há nada definido, mas poderá acontecer essa união também em Mossoró. Onde puder vamos tentar convergir. Mas é lógico que em algumas cidades não será possível. Em Ceará-Mirim, por exemplo, eu tenho uma relação de amizade com o senador Geraldo Melo, que tem dito que tem uma simpatia com o meu projeto para 2010. A sua esposa (Edinólia Melo), que é prefeita, votou no meu filho Fábio Faria para deputado federal. Agora eu vou retribuir. O deputado João Maia teve o apoio do candidato Peixoto, que será candidato novamente. Ele respeita minha posição e eu respeito a dele. Onde puder haver convergência, vamos convergir. Agora, o que importa é que na política do Rio Grande do Norte temos um fato novo, que é essa parceria.

JÁ que o senhor garante que será uma decisão conjunta em Natal, seria possível antecipar para o leitor qual será essa decisão?
INFELIZMENTE, não vou ter como lhe dar esse furo porque eu não tenho uma decisão tomada. Natal, hoje, é um quadro de muita complexidade. E tem uma coisa muito importante para mim, que é essa aliança de muito respeito, lealdade e gratidão que eu tenho com a governadora Wilma de Faria. Eu discordei da forma como foi feito, apressado, esse acordo de Natal. Eu não participei, João Maia também não participou desse palanque que foi formado em Natal. Mas, isso não vai desmerecer a confiança que eu tenho na governadora. Nós temos uma aliança estadual e que vem dando certo. E ela (Wilma) sabe que o grupo do deputado Robinson, juntamente com João Maia, as lideranças jovens que ela apostou, foi que garantiram a sua vitória. Isso não vai se arranhar por conta de uma atitude isolada na eleição de Natal. Eu estou tentando entender qual foi o motivo que levou ela (Wilma) a tomar essa decisão. Por outro lado, a deputada Micarla também tem uma amizade pessoal comigo. É minha colega na Assembléia, é uma liderança jovem e uma pessoa que tenho maior carinho. Vamos ver a melhor forma de harmonizar esse grupo. Hoje, o PP em Natal tem mais de 40 candidatos a vereador. Esse grupo todo aposta em meu projeto em 2010 e confia na minha decisão em Natal. Eu não posso errar na decisão de Natal. Não posso pensar só em mim. Tenho que pensar neles, que estão com a eleição em jogo.

ESSE grupo que segue sua liderança em Natal tem preferência por Micarla? Existe isso?
EXISTE. Existe. Não digo a maioria, mas uma parte boa tem preferência pela deputada Micarla. Nada pessoal contra a candidata Fátima. Mas discordaram da forma como foi feito o acordo. Agora, todo esse grupo sabe da minha amizade e confiança na palavra da governadora Wilma de Faria. Que não merece questionamento. Ela tem sido correta conosco. É uma pessoa que incentiva meu nome na política. Não quer dizer que ela já tenha escolhido meu nome como candidato a governador. Mas tem me incentivado para que eu vá adiante. Ela tem apostado no meu projeto. Ela não disse de forma categórica que eu sou o candidato dela a governador, mas tem me incentivado para que eu busque isso.

NUMA entrevista que fizemos com o deputado João Maia, ele disse que da forma como aconteceu o acordo de Natal, ficou parecendo que existem duas bases do governo. Uma tipo "A" e outra tipo "B". O senhor concorda?
REALMENTE houve um erro. Esse erro é normal. Aqui e acolá, a política leva as pessoas a tomar decisões apressadas. Isso pode acontecer com qualquer um. Mas, numa parceria não se pode querer que tudo seja 100% de acerto. O líder ou o liderado pode cometer um erro de estratégia. Mas, não podemos condenar por uma decisão apressada. A governadora achou que era bom para o Estado, porque iria unir a base de Lula. Ela tem suas razões. Podemos até não concordar com elas, mas ela tem suas razões que considera legítimas. Ela acha que foi um apelo de Lula, a união da base de Lula em Brasília. Tudo isso ela levou em consideração. É um sentimento dela, que não é obrigado a ser nosso. Mas nem vai diminuir o nosso respeito à liderança da governadora Wilma de Faria.

HOJE, a deputada Micarla de Souza conta apenas com o apoio do senador José Agripino. Caso o senhor e o deputado João Maia optem pelo apoio a Micarla, estaria se configurando para 2010 o bloco com Robinson, João e Agripino?
NINGUÉM trabalhou nesse sentido. Estamos cuidando de Natal, como o caso de Natal. Agora, o que estamos vislumbrando como bloco novo para 2010 é esse entre João Maia com o deputado Robinson Faria. Essa é uma conversa nossa aberta. Porque Zé Agripino conversa comigo, mas tem uma conversa também com o senador Garibaldi Filho (PMDB). Ele tem conversa com vários grupos. A minha posição é mais clara. Eu tenho hoje um compromisso primeiro, que antecede a todos, com a governadora Wilma de Faria. Esse é inquestionável. O segundo aspecto é essa aliança com o deputado João Maia. Eu sei do projeto dele, ele sabe do meu, e queremos construir juntos essa caminhada. Os demais atores serão aqueles que estiverem conosco com reciprocidade. Será que João Maia e Robinson só servem para ser eleitor, e não servem para ser votados? Nós só servimos para votar neles? Por que eles não podem votar em nós? Eu acho que esse grupo do deputado Robinson com João Maia pode definir a eleição do Senado. Os dois senadores. Isso vai ser provado matematicamente. Nós estaremos no palanque daqueles que tiverem compromisso conosco.



       
 




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