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MOSSORÓ (RN), DOMINGO, 11/05/2008 (ATUALIZADO: 17:37hs)
 
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O MODERNO ME
PREGA SUA PEÇA
O fato é que não vi mais ali para as bandas da chamada praça dos hospitais, aquele casarão velho parecido com o da minha avó do lado paterno, em Areia Branca, e é pena. E só agora é que me dou conta que, ao sentir-lhe a ausência na emoção dos meus olhos, não se me deu reparar em que ele foi transformado pela fúria do moderno, ou se cedeu lugar a um simples terreno despovoado.
Foi nas duas ou três últimas vezes que por ali passei que dei pela falta dele, o casarão, na mais ou menos longa fila de casas naquela rua, que direi sem nome, porque é muito de mim não guardar na memória nome de rua. Tudo o que posso dizer, se querem saber, é que ela, a dita, fica ali no lado da frente da Casa de Saúde Dix-sept Roado, e o casarão objeto destas linhas bem mais para baixo.
Pois bem. O que mais me lembrava, naquele casarão, o da minha avó, eram as três janelas romanticamente altas, deixando ver o longo da cumeeira de carnaúba, a calçada alta, de pedra bruta, principalmente. Assim é que nunca lhe passei de frente, nas minhas andanças à-toa mas dedicadas à queima de calorias, sem que a imaginação, tocada de saudades e lembranças, não me fizesse a festa dos olhos.
Sim, parava-lhe de frente, algumas vezes, a olhar para dentro, mas sem descuidar-me dos recursos da dissimulação, que não é mesmo de bom proceder essa história de ficar-se a vasculhar com olhos curiosos o lá dentro da morada alheia. A ampla sala da frente, o correr dos quartos ao comprido de um corredor meio inclinado, tudo, tudo era a casa da minha avó, até a pintura das paredes.
Ainda tenho, nos meus guardados relaxados, uma fotografia da casa da minha avó, ao lado de uma fotografia de conjunto num velho e tocante, para mim, claro, álbum de família. Lá estou eu, menino pequeno, no meio, nos braços do meu pai. É o que me resta como lembrança da casa da minha avó, que ela, a casa, não existe mais. Era-lhe reprodução física aquele casarão, que a modernidade expulsou daquela rua, para tristeza dos meus olhos.

É CEDO, FICA
As pálpebras da carne se fechavam / Ao céu, côncavo manto de pelica... / Eu lhe disse: “Até logo”, e ela sorrindo, / Dirigindo-se à porta: “É cedo, fica!”

Duas horas depois, ao vir da lua, / De aromas cheia, de langores rica, / Eu lhe disse: “Até logo”, e ela tristonha, / Olhando o plenilúnio: “É cedo, fica!”

Já muito tarde, quando a madrugada / Desabrochava a flor, que purifica, / Eu lhe disse: “Até logo”, ela, de longe, / Chorando no batente: “É cedo, fica!”

Oh, bendito esse amor que vela estrelas, / Amor que nos alenta e mortifica! / Paixão que se despede entre soluços, / Entre beijos dizendo: “É cedo, fica!”

LINGUAGEM
VAZOU INFORMAÇÕES. Leitor do Jornal de Fato ouviu isto, da ministra Dilma, na televisão e que saber se a concordância está correta, pois lhe feriu as orelhas. Absolutamente não. Que foi que vazou? Informações. A clássica pergunta para se saber o sujeito da oração. A resposta, no caso, “informações”, é sem dúvida nenhuma o sujeito da frase em questão. Estando o sujeito no plural, vai o verbo para o plural. Todo bom aluno do curso fundamental sabe disso. Então, a frase fica correta assim: Vazaram informações. E ainda dizem que Lula é analfabeto.



       




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