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SAÚDE
Crescem
mortes por doenças do coração
Regy Carte
Da Redação
Doenças do aparelho circulatório, como hipertensão
arterial (pressão alta) e distúrbios cardiovasculares
(que afetam coração e vasos sangüíneos),
são as que mais matam em Mossoró. E o número
de óbitos por esse motivo tem crescido nos últimos
anos. Passou de 213 em 2006 para 269 em 2007, segundo a Gerência
da Saúde da Prefeitura. Aumento de 12%.
Para evitar essas doenças, especialistas recomendam dizer
não ao cigarro; controlar regularmente pressão arterial,
nível de açúcar e gorduras no sangue; alimentação
saudável, com prioridade a legumes, vegetais, fruta e cereais,
e praticar exercício físico moderado com regularidade.
O segundo principal motivo de morte em Mossoró são
causas externas (agressões, acidentes), que, ao contrário
das doenças cardiovasculares, diminuíram nos últimos
dois anos: caíram de 180 em 2006 para 171 em 2007
redução de 9%.
Em terceiro lugar, aparecem tumores e doenças do aparelho
respiratório, que aumentaram 11%, de 128 para 146 casos.
Em quarto, doenças originadas no período perinatal,
que começa em 22 semanas completas (154 dias) de gestação
e termina com sete dias completos após o nascimento: 82 casos
no ano passado, contra 102 em 2006.
Em quinto, vêm doenças do aparelho respiratório
(85 casos em 2007), seguidas por enfermidades do aparelho digestivo
(52 registros), doenças infecciosas e parasitárias
(46), doenças do sistema nervoso (17) e dos sistemas excretor
e reprodutivo (13).
BALANÇO
Os dados foram divulgados pela Gerência Executiva da Saúde
em audiência pública na Câmara Municipal, quinta-feira,
8, para prestação de contas do setor. O secretário
municipal da Cidadania, Francisco Carlos Carvalho de Melo, a gerente
da Saúde, Dorinha Burlamaqui, e técnicos da pasta
apresentaram indicadores de serviços e financeiros.
Mostraram ações e recursos aplicados nas áreas
prioritárias do Sistema Único de Saúde (SUS)
em Mossoró: atenção ao idoso, combate ao câncer
de colo de útero e de mama, redução da mortalidade
infantil e materna, combate a doenças endêmicas, promoção
da saúde, fortalecimento da atenção básica,
saúde do trabalhador, atenção a pessoas em
situação de risco de violência.
DENGUE
A preocupação com o avanço da dengue dominou
boa parte da audiência pública. O secretário
Francisco Carlos disse que a situação de Mossoró
é preocupante. O quadro não é de epidemia,
mas poderá ser. Estamos trabalhando para isso não
acontecer, disse o titular da Secretaria da Cidadania, a qual
está vinculada a Gerência de Saúde.
Na reunião, o coordenador da Vigilância Sanitária
em Mossoró, Sodré Rocha, fez balanço de ações
de combate à dengue e conclamou união da sociedade
no combate aos focos do mosquito transmissor, o Aedes aegypti, principal
arma contra a doença.
Mossoró
tem 62 unidades de saúde para 232.196 pessoas
Mossoró dispõe de 62 unidades
de saúde para 232.196 habitantes, dos quais 48% do sexo masculino
e 52%, feminino. Do total, são 43 Unidades Básicas
de Saúde (UBSs), sendo 39 com Programa Saúde da Família
(PSF) 13 UBSs na zona rural e 26 na urbana e quatro
com Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS),
que contam 439 agentes, dos quais 60 distribuídos na zona
rural.
O PSF, que reforça atenção básica à
saúde, atende 194.619 habitantes (84,8% do total) e o PACS,
que oferece visita de agentes aos domicílios, 34.809 pessoas
(15%), o que totaliza 229.428 habitantes (99,8%).
REFERÊNCIAS
Mossoró dispõe ainda de 19 unidades de referências,
que oferecem atendimento especializado inexistente em unidades comuns
e que passaram a oferecer novos serviços devido à
inauguração de Núcleo de Apoio à Saúde
da Família (NASF), no conjunto Abolição IV,
anteontem, e do Ambulatório Materno-Infantil (AMI), em março,
no prédio da antiga Samec, bairro Nova Betânia.
O NASF oferece atividade física/práticas corporais,
reabilitação, alimentação, nutrição,
saúde mental e assistência farmacêutica. Já
o AMI, atenção à mulher; à criança,
ao adolescente, posto de coleta para exame de sangue e Raios X.
Mossoró ganhou também este ano serviços grátis
em Espirometria (aparelho respiratório), Proctologia (intestino
grosso), Nefrologia (sistema urinário), Centro de Testagem
Anônima (CTA), saúde do homem e urgência e emergência
em odontologia na Unidade de Pronto (UPA) do bairro Alto de São
Manoel.
Só
metade da verba é federal
Mossoró recebeu R$ 4,8 milhões do Fundo Nacional de
Saúde nos primeiros três meses deste ano: R$ 2,1 milhões
para serviços de média e alta complexidade ambulatorial
e hospitalar; R$ 30 mil para assistência farmacêutica,
R$ 20 mil para gestão (alimentação e nutrição);
R$ 2,3 milhões para atenção básica e
R$ 254 mil para vigilância em saúde.
O Município, entretanto, gastou R$ 5 milhões a mais
do que recebeu do Governo Federal. A despesa do primeiro trimestre
de 2008 foi de 9,8 milhões, com aquisição de
medicamentos, despesa mensal com rede credenciada, investimentos
em Unidades Básicas de Saúde (construção
e reforma).
Sem falar na despesa com pessoal, com que o Município gastou
R$ 7,2 milhões, dos quais 51,2% de recursos próprios
48,8% de verba do Sistema Único de Saúde (SUS).
Galpões
abandonados servem a bandidagem
MAGNOS ALVES
Da Redação
Décadas atrás, os imponentes galpões erguidos
pela indústria do sal refletiam a riqueza que o produto trazia
para Mossoró. Cerca de cinqüenta anos depois, o sal
continua como uma das principais frentes da economia local, mas
os antigos armazéns, abandonados em sua maioria, deixaram
de ser imponentes para se transformar em ponto de encontro para
prática de bandidagem. Pior para os moradores do bairro Alto
da Conceição, onde estão concentrados os galpões,
que convivem com o perigo e o medo.
O comerciante Alex Rocha de Melo relata que o galpão localizado
na Rua Joaquim Nabuco com a Rua Haroldo Gurgel serve de ponto para
uso de drogas e até para prática de sexo. Tem
gente usando drogas aí (no galpão) toda hora do dia,
manhã, tarde e noite, informou.
Alex contou que na última quarta-feira (07/05) sua irmã
vendia espetinhos nas proximidades do galpão quando dois
homens saíram armados do local, um tentando atingir o outro
com uma faca. O jeito foi encerrar a venda dos espetinhos
e ir se proteger em casa.
O galpão citado pelo comerciante pertence à empresa
Cinsal e encontra-se com sua estrutura quase que completamente destruída.
As paredes que estão de pé é que garantem a
privacidade da marginalidade que assumiu a propriedade do lugar,
dando-se o direito, inclusive, de derrubar muros e vender os portões
que antes davam segurança ao local.
De acordo com Alex, nem mesmo a Polícia resolve o problema.
A Polícia sempre passa aqui, dá uma olhada e
depois vai embora sem fazer nada, afirmou.
A concentração de bandidos fez aumentar o número
de roubos na redondeza. Se bobear eles vêm e levam tudo,
até roupas, declarou Alex, acrescentando que a população
aguarda uma solução da empresa proprietária
do imóvel ou da Prefeitura.
Prefeitura
No que depender das forças da Prefeitura de Mossoró,
os moradores do Alto da Conceição continuarão
convivendo com o problema. O secretário municipal dos Serviços
Urbanos, Trânsito e Transportes Públicos, Alex Moacir
de Souza Pinheiro, declarou que a Prefeitura não podia fazer
nada, pois o galpão se tratava de bem privado.
Segundo ele, a Prefeitura tentou limpar um dos galpões, mas
os servidores que faziam a limpeza foram expulsos do local pelo
proprietário do galpão.
Sobre os galpões que foram derrubados na Avenida Rio Branco,
Alex Moacir informou que se tratava de área pública
e que, por isso, a Prefeitura tinha poder de ação.
O gerente municipal da Infra-Estrutura, Yuri Tarso Duarte Queiroz
Pinto, e a secretária municipal da Gestão Territorial
e Ambiental, Kátia Maria Cardoso Pinto, não foram
localizados para comentar a matéria.
A debandada
Construídos por volta da década de 60, na época
em que a produção de sal ganhou proporção
industrial em Mossoró, os galpões que serviam com
armazéns de sal perderam espaço nos anos 90. O motivo,
segundo o gerente comercial da F. Souto, Antônio Veras, foi
o alto custo operacional para trazer o sal até os armazéns.
Dessa forma, as empresas transferiram os armazéns para
suas salinas e os galpões ficaram sem serventia, justificou.
Cinsal
vai construir condomínio no local
O point das drogas e do sexo no Alto da Conceição
pode estar com os dias contados. De acordo com Ney Pereira Pinto,
assessor do diretor-presidente da Cinsal, a empresa pretende construir
um condomínio para a classe média baixa no terreno
hoje ocupado pelo que restou do antigo galpão.
Ney informou que o projeto do condomínio está sendo
idealizado e que as obras devem ser iniciadas em 2009. Ali
(Alto da Conceição) se transformou numa área
nobre e precisa ser melhor aproveitada, ressaltou.
Como ação imediata para o problema, Ney disse que
a intenção da Cinsal é derrubar o que restou
do galpão. Antônio Veras, gerente comercial da F. Souto,
detentora de galpões na Avenida Rio Branco, informou que
a empresa mandou demolir tudo que restava dos antigos galpões.
Segundo Antônio Veras, a iniciativa se deu por intervenção
da Prefeitura, que cobrou uma ação da empresa.
Ao contrário da Cinsal, a F. Souto pretende vender o terreno
onde ficavam os galpões.
Ritual
preservado por fiéis católicos
janaína holanda
Da Redação
O mês de maio é cheio de expressividade. Considerado
o mês das noivas e das mães, o período também
tem um significado muito especial para os católicos, por
ser o mês dedicado à Maria.
Em Mossoró, alguns grupos ainda preservam o ritual das novenas
nas residências. A cada noite, uma família recebe a
imagem da santa e a visita é feita através de uma
pequena procissão.
Quem recebe a santa também se prepara. É uma
emoção muito grande. A imagem reaviva a fé
da gente. É um momento de devoção, de pedir
bênçãos para toda a família, falou
a dona-casa Maria Jandira.
Há pelo menos 10 anos, ela e as vizinhas realizam a novena
de maio que percorre as ruas Jerônimo Rosado, Machado de Assis,
Almino Afonso e 30 de Setembro no Centro. A área faz parte
da Paróquia de Santa Luzia, comandada por Monsenhor Américo
Simonetti. Durante a semana, o grupo se reúne às 19h30
e no final de semana às 17h.
Com muita devoção, elas cantam, rezam a ladainha e
principalmente o terço em intenção a Nossa
Senhora de Fátima. A novena, que já é tradição
no bairro, tem até coroação no fim do mês.
A gente faz o ritual da coroação todos os anos
sempre na casa de alguém da comunidade. A gente prepara tudo
com muito cuidado e respeito, falou a educadora Socorro Paiva,
54.
Além de acompanhar a novena, alguns fiéis preservam
ainda o hábito de vestir azul e branco durante o mês
de maio. Alguns em função de promessas, outras em
menção as cores das vestimentas de Nossa Senhora.
Eu uso azul e branco desde os 23 anos de idade em função
de uma promessa que fiz para a saúde de uma sobrinha. Fui
atendida, mas resolvi manter o hábito de usar azul e branco
no mês de maio porque são as cores de Maria, remete
coisa boa, traz paz, falou a cabeleireira Alzinete Araújo,
56, que hoje organiza o novenário na comunidade, seguindo
o costume iniciado pela vizinha Terezinha de Costinha.
Alzinete explica que a prioridade da visita da imagem é para
as famílias que tem idosos impossibilitados de acompanhar
o terço por motivo de idade avançada ou locomoção.
Temos o cuidado de priorizar essas famílias e também
as que um dia foram seguidoras dessa caminhada e que por algum motivo
não tem condições de continuar. Priorizamos
também as famílias que estão passando por algum
problema para que tenha a oportunidade de ser abençoadas,
complementou.
O grupo também tem a preocupação de levar crianças
e jovens a fim de estimulá-los a manter a tradição.
Paróquias
fazem novenas nas igrejas
A Diocese de Mossoró não tem o levantamento de quantos
grupos mantêm a tradição das novenas nas residências,
mas pela as mobilizações nas paróquias, eles
são mínimos. Apesar disso, a Diocese não acredita
na extinção da prática pelos fiéis.
As novenas nas residências são muito comuns no
interior, mas nós incentivamos essa prática porque
ela envolve a família e isso é muito importante,
falou Pe. Flávio Monte Forte, vigário-geral da Diocese
de Mossoró. Segundo ele, mesmo nas paróquias onde
acontecem novenas nas igrejas, toda noite há intenções
específicas que estimulam a participação das
famílias.
A paróquia com maior número de celebrações
no mês de maio é a de Nossa Senhora de Fátima
no bairro Abolição II (zona norte da cidade), onde
a programação prossegue até o dia 24.
Além de maio, as paróquias organizam novenas durante
a campanha da fraternidade e no período do Natal.
A dedicação do mês de maio à Maria nada
tem ligação direta ao fato de que no período
se comemora o Dia das Mães. O que alguns seguimentos da Igreja
alegam, é que o mês é dedicado à Maria,
porque em 13 de maio de 1917, em Fátima, uma pequena cidade
de Portugal, três crianças começaram a ter visões
da mãe de Jesus, que a partir daí passou a ser chamada,
também, de Nossa Senhora de Fátima.
Segundo a religião Católica, Maria sempre fora uma
boa filha e uma mulher que seguia os preceitos de sua religião,
o judaísmo. Quando estava noiva do carpinteiro José,
Maria foi escolhida por Deus para conceber seu filho, Jesus Cristo,
que viria ao mundo para salvar a humanidade do pecado. De acordo
com a Bíblia, Maria ficou grávida por ação
do Espírito Santo, antes de se casar, e assim correu o risco
de ser apedrejada como era lei naquela época. Além
disso, suportou a pobreza, a perseguição a seu filho,
e por fim teve de ver Jesus ser condenado e crucificado.
Ocorrências
passam de 100 por ano
Izaíra Thalita
Da Redação
As chuvas que caem na região Oeste, bem como em todo o Estado,
tem contribuído para a florada da vegetação
em áreas rurais e mesmo em terrenos baldios ou desabitados
da zona urbana. Esse é o momento propício para a reprodução
de muitos insetos, inclusive as abelhas.
Em busca de condições necessárias para a produção
das colméias como alimento as flores e água
as abelhas tendem a permanecer em áreas de matas. Mas diante
do desmatamento que ocorre em áreas rurais por causa das
plantações e para outras finalidades econômicas,
as abelhas migram para as cidades e, aqui, promovem desconforto.
As ocorrências por ataques de abelhas têm ocupado muito
o Corpo de Bombeiros de Mossoró desde o ano passado. De 2007
para cá foram 160 ocorrências registradas, sendo os
meses mais solicitados o de abril de 2007 e agosto do mesmo ano.
Por enquanto, até abril, apenas doze ocorrências foram
registradas, mas a tendência é que o número
aumento com a diminuição das chuvas.
As informações são repassadas pelo subtenente
do Corpo de bombeiros em Mossoró, Paulo Fernandes. Ele explica
que, na verdade, o ideal é que a cidade tivesse um grupo
de pessoas que pudessem capturar as abelhas para aproveitá-las
para fins da apicultura. No entanto, como não há,
a alternativa é exterminar as abelhas.
O nosso entender era de que as abelhas fossem capturadas,
mas, como não há como se fazer isso, o corpo é
acionado e nós temos de fazer o extermínio dos enxames
o que é uma pena, um prejuízo em termos ambientais,
ressalta o sub-tenente.
Fernandes explica ainda que as ocorrências surgem de vários
pontos da cidade e preocupa mais quando ocorre em residências,
escolas e hospitais. No entanto, ele explica que não são
todos os casos em que se deve acionar o Corpo de Bombeiros.
Há os casos em que nós averiguamos bem antes
de fazer o extermínio. Em casos de marimbondo, por exemplo,
não atuamos, pois estes se instalam por um bom tempo e podem
ser previamente espantados. No caso das abelhas comuns, estas sim,
chegam rapidamente a um local e surpreendem, ressalta ele.
Extermínio
O extermínio das abelhas é feito pelos homens do Corpo
de Bombeiros com fogo ou com veneno, dependendo do caso. No entanto,
o subtenente Fernandes ressalta que ninguém deve fazer isso
em casa, ao perceber um enxame delas.
Não se deve tentar afugentar as abelhas porque elas
poderão atacar por se sentir ameaças. O ideal é
se afastar do local, retirar as crianças e ligar para os
bombeiros no 193, completa ele. Nestes casos, é preciso
uma atenção redobrada com as crianças que costumam
tentar afugentar as abelhas jogando pedras ou subindo em árvores
frutíferas se constituindo em grandes riscos.
Museu
tem história de ex-combatentes
Edilson Damasceno
Da Redação
Itália, 1943. Aos 21 anos, atendendo convocação
do Exército Brasileiro, João Medeiros Marujo vai à
Europa. É guerra. A segunda mundial. Ele segue junto com
mais 189 potiguares. Chegando lá, a rotina era totalmente
diferente do que estava acostumado. Não havia, por exemplo,
como tomar banho todos os dias. Enlatados eram servidos diariamente.
Para não haver desperdício de tempo e de água,
os soldados tomavam injeção para evitar doenças
e ficavam até seis meses sem banho. Na linha de fogo em Collequio,
Monte Castelo e Montese, na Itália, João abastecia
os canhões em uma trincheira com mais três homens.
Eles eram responsáveis pela reposição das armas.
O zunido de balas se manteve intenso. Ele nada sofreu. Em 8 de maio
de 1945, a Alemanha de Hittler retrocedeu. Era o momento de voltar
para casa.
Retornando a Mossoró, João Medeiros não cansou
de repetir as proezas dos praças brasileiros na II Guerra
Mundial. Dizia que 228 mossoroenses participaram da guerra contra
a Alemanha, dos quais oito lutaram no campo de batalha na Itália.
41 anos depois da experiência, aos 65 anos, o já ex-combatente
não resistiu às complicações de um infarto
e morreu. Deixou quatro filhos, dos quais um, José Maria
de Medeiros, 55, conta a história do pai, sendo o presidente
da sede dos ex-combatentes de Mossoró.
A sede funciona no bairro Ilha de Santa Luzia, fundada em 1978 pelo
ex-combatente Aldenor Evangelista Nogueira, que morreu em 2003.
Até esse ano, era uma associação. Na quinta-feira
passada, José Maria de Medeiros reuniu os 85 ex-combatentes
vivos em um almoço para comemorar os 63 anos da vitória
de 1945.
O local onde funciona a sede dos ex-combatentes de Mossoró
é pequeno. Nas paredes, de uma pequena sala, fotos de militares
que foram à guerra, mapa onde eles lutaram, duas granadas,
armas, capacetes e uma miniatura de um canhão, além
de duas balas originais. Essa miniatura eu trouxe do Rio de
Janeiro, informa José Maria. É nesse espaço,
na rua Expedicionário João Medeiros Marujo que funciona,
também, o museu dos ex-combatentes.
José Maria, após a morte do pai, deixou o emprego
no Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS) para ser pensionista.
Ele e uma irmã passaram a se dedicar a organização
da sede dos ex-combatentes e a serviços burocráticos
no Tiro de Guerra. A entidade, apesar de ser presidida por José,
é responsabilidade do chefe de Pastas dos Ex-combatentes,
capitão Feitosa, da 4ª Delegacia Militar (alistamento
militar) de Mossoró.
Voltando à história, 25.334 homens brasileiros foram
enviados à Itália pela Força Expedicionária
Brasileira (FEB). Do RN foram 190.220 mossoroenses ingressaram na
luta, dos quais oito também seguiram à Europa. O restante
ficou no litoral potiguar, protegendo as fronteiras contra prováveis
ataques.
Ex-combatente
ficou no RN para proteger litoral de inimigos
Os ex-combatentes que serviram no litoral também são
reconhecidos pela FEB, e passados 63 anos daquele tempo, poucos
estão aqui para contar a história. Um dos remanescentes
é Hermenegildo Joaquim de Santana, 87. Ele foi voluntário
e se apresentou ao Exército aos 21 anos.
Passei quatro anos, um mês e um dia servindo ao Exército,
afirma Santana. Ele informa que, depois de se alistar como voluntário,
passou três meses para receber a farda. Me apresentei
e fiz todos os testes, diz.
Ele não foi à guerra. Atuou no litoral do Rio Grande
do Norte em quatro locais diferentes: Pium (localidade rural praiana
de Parnamirim, próxima à Barreira do Inferno), nas
praias de Pirangi e Ponta Negra e em Capim Macio. Já perto
da guerra chegar ao fim, Santana comenta que foi enviado para ser
praça em uma quinta praia: Areia Branca, onde passou um ano.
A atuação dos combatentes de litoral era clara: defender
o Brasil de ataques inimigos. O Rio Grande do Norte estava no alvo.
Passados 63 anos, Santana conta a história para filhos, netos
e bisnetos. Os fatos que marcaram aquele tempo são difíceis
de esquecer. Hoje ele é aposentado do Exército e de
um emprego de estivas, em Areia Branca, onde ficou por 22 anos.
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