..:: JORNAL DE FATO ::.. JORNALISMO DE VERDADE
MOSSORÓ (RN), DOMINGO, 11/05/2008 (ATUALIZADO: 17:37hs)
 
Untitled Document
 




» Crescem mortes por doenças do coração

» Mossoró tem 62 unidades de saúde para 232.196 pessoas
» Galpões abandonados servem a bandidagem
» Ritual preservado por fiéis católicos
» Ocorrências passam de 100 por ano
» Museu tem história de ex-combatentes


SAÚDE
Crescem mortes por doenças do coração
Regy Carte
Da Redação

Doenças do aparelho circulatório, como hipertensão arterial (pressão alta) e distúrbios cardiovasculares (que afetam coração e vasos sangüíneos), são as que mais matam em Mossoró. E o número de óbitos por esse motivo tem crescido nos últimos anos. Passou de 213 em 2006 para 269 em 2007, segundo a Gerência da Saúde da Prefeitura. Aumento de 12%.
Para evitar essas doenças, especialistas recomendam dizer não ao cigarro; controlar regularmente pressão arterial, nível de açúcar e gorduras no sangue; alimentação saudável, com prioridade a legumes, vegetais, fruta e cereais, e praticar exercício físico moderado com regularidade.
O segundo principal motivo de morte em Mossoró são causas externas (agressões, acidentes), que, ao contrário das doenças cardiovasculares, diminuíram nos últimos dois anos: caíram de 180 em 2006 para 171 em 2007 – redução de 9%.
Em terceiro lugar, aparecem tumores e doenças do aparelho respiratório, que aumentaram 11%, de 128 para 146 casos. Em quarto, doenças originadas no período perinatal, que começa em 22 semanas completas (154 dias) de gestação e termina com sete dias completos após o nascimento: 82 casos no ano passado, contra 102 em 2006.
Em quinto, vêm doenças do aparelho respiratório (85 casos em 2007), seguidas por enfermidades do aparelho digestivo (52 registros), doenças infecciosas e parasitárias (46), doenças do sistema nervoso (17) e dos sistemas excretor e reprodutivo (13).

BALANÇO
Os dados foram divulgados pela Gerência Executiva da Saúde em audiência pública na Câmara Municipal, quinta-feira, 8, para prestação de contas do setor. O secretário municipal da Cidadania, Francisco Carlos Carvalho de Melo, a gerente da Saúde, Dorinha Burlamaqui, e técnicos da pasta apresentaram indicadores de serviços e financeiros.
Mostraram ações e recursos aplicados nas áreas prioritárias do Sistema Único de Saúde (SUS) em Mossoró: atenção ao idoso, combate ao câncer de colo de útero e de mama, redução da mortalidade infantil e materna, combate a doenças endêmicas, promoção da saúde, fortalecimento da atenção básica, saúde do trabalhador, atenção a pessoas em situação de risco de violência.

DENGUE
A preocupação com o avanço da dengue dominou boa parte da audiência pública. O secretário Francisco Carlos disse que a situação de Mossoró é preocupante. “O quadro não é de epidemia, mas poderá ser. Estamos trabalhando para isso não acontecer”, disse o titular da Secretaria da Cidadania, a qual está vinculada a Gerência de Saúde.
Na reunião, o coordenador da Vigilância Sanitária em Mossoró, Sodré Rocha, fez balanço de ações de combate à dengue e conclamou união da sociedade no combate aos focos do mosquito transmissor, o Aedes aegypti, principal arma contra a doença.

Mossoró tem 62 unidades de saúde para 232.196 pessoas
Mossoró dispõe de 62 unidades de saúde para 232.196 habitantes, dos quais 48% do sexo masculino e 52%, feminino. Do total, são 43 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), sendo 39 com Programa Saúde da Família (PSF) – 13 UBSs na zona rural e 26 na urbana – e quatro com Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), que contam 439 agentes, dos quais 60 distribuídos na zona rural.
O PSF, que reforça atenção básica à saúde, atende 194.619 habitantes (84,8% do total) e o PACS, que oferece visita de agentes aos domicílios, 34.809 pessoas (15%), o que totaliza 229.428 habitantes (99,8%).

REFERÊNCIAS
Mossoró dispõe ainda de 19 unidades de referências, que oferecem atendimento especializado inexistente em unidades comuns e que passaram a oferecer novos serviços devido à inauguração de Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), no conjunto Abolição IV, anteontem, e do Ambulatório Materno-Infantil (AMI), em março, no prédio da antiga Samec, bairro Nova Betânia.
O NASF oferece atividade física/práticas corporais, reabilitação, alimentação, nutrição, saúde mental e assistência farmacêutica. Já o AMI, atenção à mulher; à criança, ao adolescente, posto de coleta para exame de sangue e Raios X.
Mossoró ganhou também este ano serviços grátis em Espirometria (aparelho respiratório), Proctologia (intestino grosso), Nefrologia (sistema urinário), Centro de Testagem Anônima (CTA), saúde do homem e urgência e emergência em odontologia na Unidade de Pronto (UPA) do bairro Alto de São Manoel.

Só metade da verba é federal
Mossoró recebeu R$ 4,8 milhões do Fundo Nacional de Saúde nos primeiros três meses deste ano: R$ 2,1 milhões para serviços de média e alta complexidade ambulatorial e hospitalar; R$ 30 mil para assistência farmacêutica, R$ 20 mil para gestão (alimentação e nutrição); R$ 2,3 milhões para atenção básica e R$ 254 mil para vigilância em saúde.
O Município, entretanto, gastou R$ 5 milhões a mais do que recebeu do Governo Federal. A despesa do primeiro trimestre de 2008 foi de 9,8 milhões, com aquisição de medicamentos, despesa mensal com rede credenciada, investimentos em Unidades Básicas de Saúde (construção e reforma).
Sem falar na despesa com pessoal, com que o Município gastou R$ 7,2 milhões, dos quais 51,2% de recursos próprios 48,8% de verba do Sistema Único de Saúde (SUS).

Galpões abandonados servem a bandidagem
MAGNOS ALVES
Da Redação

Décadas atrás, os imponentes galpões erguidos pela indústria do sal refletiam a riqueza que o produto trazia para Mossoró. Cerca de cinqüenta anos depois, o sal continua como uma das principais frentes da economia local, mas os antigos armazéns, abandonados em sua maioria, deixaram de ser imponentes para se transformar em ponto de encontro para prática de bandidagem. Pior para os moradores do bairro Alto da Conceição, onde estão concentrados os galpões, que convivem com o perigo e o medo.
O comerciante Alex Rocha de Melo relata que o galpão localizado na Rua Joaquim Nabuco com a Rua Haroldo Gurgel serve de ponto para uso de drogas e até para prática de sexo. “Tem gente usando drogas aí (no galpão) toda hora do dia, manhã, tarde e noite”, informou.
Alex contou que na última quarta-feira (07/05) sua irmã vendia espetinhos nas proximidades do galpão quando dois homens saíram armados do local, um tentando atingir o outro com uma faca. “O jeito foi encerrar a venda dos espetinhos e ir se proteger em casa”.
O galpão citado pelo comerciante pertence à empresa Cinsal e encontra-se com sua estrutura quase que completamente destruída. As paredes que estão de pé é que garantem a privacidade da marginalidade que assumiu a propriedade do lugar, dando-se o direito, inclusive, de derrubar muros e vender os portões que antes davam segurança ao local.
De acordo com Alex, nem mesmo a Polícia resolve o problema. “A Polícia sempre passa aqui, dá uma olhada e depois vai embora sem fazer nada”, afirmou.
A concentração de bandidos fez aumentar o número de roubos na redondeza. “Se bobear eles vêm e levam tudo, até roupas”, declarou Alex, acrescentando que a população aguarda uma solução da empresa proprietária do imóvel ou da Prefeitura.
Prefeitura
No que depender das forças da Prefeitura de Mossoró, os moradores do Alto da Conceição continuarão convivendo com o problema. O secretário municipal dos Serviços Urbanos, Trânsito e Transportes Públicos, Alex Moacir de Souza Pinheiro, declarou que a Prefeitura não podia fazer nada, pois o galpão se tratava de bem privado.
Segundo ele, a Prefeitura tentou limpar um dos galpões, mas os servidores que faziam a limpeza foram expulsos do local pelo proprietário do galpão.
Sobre os galpões que foram derrubados na Avenida Rio Branco, Alex Moacir informou que se tratava de área pública e que, por isso, a Prefeitura tinha poder de ação.
O gerente municipal da Infra-Estrutura, Yuri Tarso Duarte Queiroz Pinto, e a secretária municipal da Gestão Territorial e Ambiental, Kátia Maria Cardoso Pinto, não foram localizados para comentar a matéria.

A debandada
Construídos por volta da década de 60, na época em que a produção de sal ganhou proporção industrial em Mossoró, os galpões que serviam com armazéns de sal perderam espaço nos anos 90. O motivo, segundo o gerente comercial da F. Souto, Antônio Veras, foi o alto custo operacional para trazer o sal até os armazéns. “Dessa forma, as empresas transferiram os armazéns para suas salinas e os galpões ficaram sem serventia”, justificou.

Cinsal vai construir condomínio no local
O point das drogas e do sexo no Alto da Conceição pode estar com os dias contados. De acordo com Ney Pereira Pinto, assessor do diretor-presidente da Cinsal, a empresa pretende construir um condomínio para a classe média baixa no terreno hoje ocupado pelo que restou do antigo galpão.
Ney informou que o projeto do condomínio está sendo idealizado e que as obras devem ser iniciadas em 2009. “Ali (Alto da Conceição) se transformou numa área nobre e precisa ser melhor aproveitada”, ressaltou.
Como ação imediata para o problema, Ney disse que a intenção da Cinsal é derrubar o que restou do galpão. Antônio Veras, gerente comercial da F. Souto, detentora de galpões na Avenida Rio Branco, informou que a empresa mandou demolir tudo que restava dos antigos galpões.
Segundo Antônio Veras, a iniciativa se deu por intervenção da Prefeitura, que cobrou uma ação da empresa.
Ao contrário da Cinsal, a F. Souto pretende vender o terreno onde ficavam os galpões.

Ritual preservado por fiéis católicos
janaína holanda
Da Redação

O mês de maio é cheio de expressividade. Considerado o mês das noivas e das mães, o período também tem um significado muito especial para os católicos, por ser o mês dedicado à Maria.
Em Mossoró, alguns grupos ainda preservam o ritual das novenas nas residências. A cada noite, uma família recebe a imagem da santa e a visita é feita através de uma pequena procissão.
Quem recebe a santa também se prepara. “É uma emoção muito grande. A imagem reaviva a fé da gente. É um momento de devoção, de pedir bênçãos para toda a família”, falou a dona-casa Maria Jandira.
Há pelo menos 10 anos, ela e as vizinhas realizam a novena de maio que percorre as ruas Jerônimo Rosado, Machado de Assis, Almino Afonso e 30 de Setembro no Centro. A área faz parte da Paróquia de Santa Luzia, comandada por Monsenhor Américo Simonetti. Durante a semana, o grupo se reúne às 19h30 e no final de semana às 17h.
Com muita devoção, elas cantam, rezam a ladainha e principalmente o terço em intenção a Nossa Senhora de Fátima. A novena, que já é tradição no bairro, tem até coroação no fim do mês.
“A gente faz o ritual da coroação todos os anos sempre na casa de alguém da comunidade. A gente prepara tudo com muito cuidado e respeito”, falou a educadora Socorro Paiva, 54.
Além de acompanhar a novena, alguns fiéis preservam ainda o hábito de vestir azul e branco durante o mês de maio. Alguns em função de promessas, outras em menção as cores das vestimentas de Nossa Senhora.
“Eu uso azul e branco desde os 23 anos de idade em função de uma promessa que fiz para a saúde de uma sobrinha. Fui atendida, mas resolvi manter o hábito de usar azul e branco no mês de maio porque são as cores de Maria, remete coisa boa, traz paz”, falou a cabeleireira Alzinete Araújo, 56, que hoje organiza o novenário na comunidade, seguindo o costume iniciado pela vizinha Terezinha de Costinha.
Alzinete explica que a prioridade da visita da imagem é para as famílias que tem idosos impossibilitados de acompanhar o terço por motivo de idade avançada ou locomoção.
“Temos o cuidado de priorizar essas famílias e também as que um dia foram seguidoras dessa caminhada e que por algum motivo não tem condições de continuar. Priorizamos também as famílias que estão passando por algum problema para que tenha a oportunidade de ser abençoadas”, complementou.
O grupo também tem a preocupação de levar crianças e jovens a fim de estimulá-los a manter a tradição.

Paróquias fazem novenas nas igrejas
A Diocese de Mossoró não tem o levantamento de quantos grupos mantêm a tradição das novenas nas residências, mas pela as mobilizações nas paróquias, eles são mínimos. Apesar disso, a Diocese não acredita na extinção da prática pelos fiéis.
“As novenas nas residências são muito comuns no interior, mas nós incentivamos essa prática porque ela envolve a família e isso é muito importante”, falou Pe. Flávio Monte Forte, vigário-geral da Diocese de Mossoró. Segundo ele, mesmo nas paróquias onde acontecem novenas nas igrejas, toda noite há intenções específicas que estimulam a participação das famílias.
A paróquia com maior número de celebrações no mês de maio é a de Nossa Senhora de Fátima no bairro Abolição II (zona norte da cidade), onde a programação prossegue até o dia 24.
Além de maio, as paróquias organizam novenas durante a campanha da fraternidade e no período do Natal.
A dedicação do mês de maio à Maria nada tem ligação direta ao fato de que no período se comemora o Dia das Mães. O que alguns seguimentos da Igreja alegam, é que o mês é dedicado à Maria, porque em 13 de maio de 1917, em Fátima, uma pequena cidade de Portugal, três crianças começaram a ter visões da mãe de Jesus, que a partir daí passou a ser chamada, também, de Nossa Senhora de Fátima. 
Segundo a religião Católica, Maria sempre fora uma boa filha e uma mulher que seguia os preceitos de sua religião, o judaísmo. Quando estava noiva do carpinteiro José, Maria foi escolhida por Deus para conceber seu filho, Jesus Cristo, que viria ao mundo para salvar a humanidade do pecado. De acordo com a Bíblia, Maria ficou grávida por ação do Espírito Santo, antes de se casar, e assim correu o risco de ser apedrejada como era lei naquela época. Além disso, suportou a pobreza, a perseguição a seu filho, e por fim teve de ver Jesus ser condenado e crucificado.

Ocorrências passam de 100 por ano
Izaíra Thalita
Da Redação

As chuvas que caem na região Oeste, bem como em todo o Estado, tem contribuído para a florada da vegetação em áreas rurais e mesmo em terrenos baldios ou desabitados da zona urbana. Esse é o momento propício para a reprodução de muitos insetos, inclusive as abelhas.
Em busca de condições necessárias para a produção das colméias como alimento – as flores e água as abelhas tendem a permanecer em áreas de matas. Mas diante do desmatamento que ocorre em áreas rurais por causa das plantações e para outras finalidades econômicas, as abelhas migram para as cidades e, aqui, promovem desconforto.
As ocorrências por ataques de abelhas têm ocupado muito o Corpo de Bombeiros de Mossoró desde o ano passado. De 2007 para cá foram 160 ocorrências registradas, sendo os meses mais solicitados o de abril de 2007 e agosto do mesmo ano. Por enquanto, até abril, apenas doze ocorrências foram registradas, mas a tendência é que o número aumento com a diminuição das chuvas.
As informações são repassadas pelo subtenente do Corpo de bombeiros em Mossoró, Paulo Fernandes. Ele explica que, na verdade, o ideal é que a cidade tivesse um grupo de pessoas que pudessem capturar as abelhas para aproveitá-las para fins da apicultura. No entanto, como não há, a alternativa é exterminar as abelhas.
“O nosso entender era de que as abelhas fossem capturadas, mas, como não há como se fazer isso, o corpo é acionado e nós temos de fazer o extermínio dos enxames o que é uma pena, um prejuízo em termos ambientais”, ressalta o sub-tenente.
Fernandes explica ainda que as ocorrências surgem de vários pontos da cidade e preocupa mais quando ocorre em residências, escolas e hospitais. No entanto, ele explica que não são todos os casos em que se deve acionar o Corpo de Bombeiros.
“Há os casos em que nós averiguamos bem antes de fazer o extermínio. Em casos de marimbondo, por exemplo, não atuamos, pois estes se instalam por um bom tempo e podem ser previamente espantados. No caso das abelhas comuns, estas sim, chegam rapidamente a um local e surpreendem”, ressalta ele.

Extermínio
O extermínio das abelhas é feito pelos homens do Corpo de Bombeiros com fogo ou com veneno, dependendo do caso. No entanto, o subtenente Fernandes ressalta que ninguém deve fazer isso em casa, ao perceber um enxame delas.
“Não se deve tentar afugentar as abelhas porque elas poderão atacar por se sentir ameaças. O ideal é se afastar do local, retirar as crianças e ligar para os bombeiros no 193”, completa ele. Nestes casos, é preciso uma atenção redobrada com as crianças que costumam tentar afugentar as abelhas jogando pedras ou subindo em árvores frutíferas se constituindo em grandes riscos.

Museu tem história de ex-combatentes
Edilson Damasceno
Da Redação

Itália, 1943. Aos 21 anos, atendendo convocação do Exército Brasileiro, João Medeiros Marujo vai à Europa. É guerra. A segunda mundial. Ele segue junto com mais 189 potiguares. Chegando lá, a rotina era totalmente diferente do que estava acostumado. Não havia, por exemplo, como tomar banho todos os dias. Enlatados eram servidos diariamente. Para não haver desperdício de tempo e de água, os soldados tomavam injeção para evitar doenças e ficavam até seis meses sem banho. Na linha de fogo em Collequio, Monte Castelo e Montese, na Itália, João abastecia os canhões em uma trincheira com mais três homens. Eles eram responsáveis pela reposição das armas. O zunido de balas se manteve intenso. Ele nada sofreu. Em 8 de maio de 1945, a Alemanha de Hittler retrocedeu. Era o momento de voltar para casa.
Retornando a Mossoró, João Medeiros não cansou de repetir as proezas dos praças brasileiros na II Guerra Mundial. Dizia que 228 mossoroenses participaram da guerra contra a Alemanha, dos quais oito lutaram no campo de batalha na Itália. 41 anos depois da experiência, aos 65 anos, o já ex-combatente não resistiu às complicações de um infarto e morreu. Deixou quatro filhos, dos quais um, José Maria de Medeiros, 55, conta a história do pai, sendo o presidente da sede dos ex-combatentes de Mossoró.
A sede funciona no bairro Ilha de Santa Luzia, fundada em 1978 pelo ex-combatente Aldenor Evangelista Nogueira, que morreu em 2003. Até esse ano, era uma associação. Na quinta-feira passada, José Maria de Medeiros reuniu os 85 ex-combatentes vivos em um almoço para comemorar os 63 anos da vitória de 1945.
O local onde funciona a sede dos ex-combatentes de Mossoró é pequeno. Nas paredes, de uma pequena sala, fotos de militares que foram à guerra, mapa onde eles lutaram, duas granadas, armas, capacetes e uma miniatura de um canhão, além de duas balas originais. “Essa miniatura eu trouxe do Rio de Janeiro”, informa José Maria. É nesse espaço, na rua Expedicionário João Medeiros Marujo que funciona, também, o museu dos ex-combatentes.
José Maria, após a morte do pai, deixou o emprego no Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS) para ser pensionista. Ele e uma irmã passaram a se dedicar a organização da sede dos ex-combatentes e a serviços burocráticos no Tiro de Guerra. A entidade, apesar de ser presidida por José, é responsabilidade do chefe de Pastas dos Ex-combatentes, capitão Feitosa, da 4ª Delegacia Militar (alistamento militar) de Mossoró.
Voltando à história, 25.334 homens brasileiros foram enviados à Itália pela Força Expedicionária Brasileira (FEB). Do RN foram 190.220 mossoroenses ingressaram na luta, dos quais oito também seguiram à Europa. O restante ficou no litoral potiguar, protegendo as fronteiras contra prováveis ataques.

Ex-combatente ficou no RN para proteger litoral de inimigos
Os ex-combatentes que serviram no litoral também são reconhecidos pela FEB, e passados 63 anos daquele tempo, poucos estão aqui para contar a história. Um dos remanescentes é Hermenegildo Joaquim de Santana, 87. Ele foi voluntário e se apresentou ao Exército aos 21 anos.
“Passei quatro anos, um mês e um dia servindo ao Exército”, afirma Santana. Ele informa que, depois de se alistar como voluntário, passou três meses para receber a farda. “Me apresentei e fiz todos os testes”, diz.
Ele não foi à guerra. Atuou no litoral do Rio Grande do Norte em quatro locais diferentes: Pium (localidade rural praiana de Parnamirim, próxima à Barreira do Inferno), nas praias de Pirangi e Ponta Negra e em Capim Macio. Já perto da guerra chegar ao fim, Santana comenta que foi enviado para ser praça em uma quinta praia: Areia Branca, onde passou um ano.
A atuação dos combatentes de litoral era clara: defender o Brasil de ataques inimigos. O Rio Grande do Norte estava no alvo.
Passados 63 anos, Santana conta a história para filhos, netos e bisnetos. Os fatos que marcaram aquele tempo são difíceis de esquecer. Hoje ele é aposentado do Exército e de um emprego de estivas, em Areia Branca, onde ficou por 22 anos.



       
 




Todos os direitos reservados à Santos Editora de Jornais Ltda.
É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste site para fins comerciais sem prévia autorização.