

Triste
fim de carreira:
José Agripino é hoje a única
unanimidade nacional
Houve
um tempo em que a Igreja Católica era unanimidade no Brasil.
Hoje não é mais. Em um século o protestantismo
e outras crenças ocuparam um espaço superior a 20%
da fé da nossa nação; o futebol, grande esporte
da chamada "pátria de chuteiras" divide atenções
com inúmeros outros esportes, basquete, vôllei, hipismo,
judô, automobilismo, natação e tantos outros,
onde demonstramos que também somos craques e sabemos arrancar
troféus e medalhas; os festejos momescos, mesmo com o Brasil
se chamando "País do Carnaval", não atrai
a maioria dos brasileiros. Recentemente o secretário de Cultura
da Bahia me disse que uma pesquisa constatou que mais de 60% dos
soteropolitanos não participam do carnaval, mesmo sendo o
baiano que faz o maior e mais duradouro carnaval do país.
Chico Buarque era unanimidade entre as mulheres, até que
foi flagrado com uma namorada casada numa praia e muitos preconceitos
se voltaram contra ele; Pelé nunca foi unanimidade; muitos
gostam do atleta, poucos do homem; Ronaldinho, um dos três
rostos mais conhecidos do planeta, maior goleador das copas e melhor
jogador do mundo mais de uma vez, teve recentemente seu cartaz dividido
por três... Lula, tem 70% dos brasileiros que aprovam seu
governo, metade dos brasileiros que o amam e, pelo menos uns 20%
que o odeiam. Exatamente esses 20% onde se enquadram José
Agripino e todos os inimigos do povo, destiladores de ódio
de classe, exercitadores constantes de todo um menu de preconceitos
arraigados na mente nazi-fascista da direita burra deste país,
que recita Abrahan Lincoln contra a esquerda, sem lembrar que ele,
como Lula não tinha diploma universitário e teve origem
operária.
Mas... Enfim. O Brasil não poderia ficar sem uma unanimidade.
E eis que surge José Agripino, cometendo uma das maiores
gafes da história política brasileira; uma intervenção
prototípica daquele naipe de declarações que
todos que escutam reagem em coro afinado: "perdeu uma grande
oportunidade de ficar calado". Nem seus eternos aliados, conseguiram
doirar a pílula, levou pancada do Oiapoque ao Chuí,
do próprio DEM ao PSOL, tal qual Samuel de Beli-Beti, o Judeu
Errante não encontrou abrigo em nenhum consciência,
em nenhum coração brasileiro.
Machista, grosso, arrogante, inconveniente, atirador de culatra,
goleador de calcanhar, debatedor de fancaria, marqueteiro pelo avesso,
nem Duda Mendonça e Nizan Guanais juntos com apoio de Jonh
Carvaille poderiam levantar tanto o astral de uma pré-candidata
como Agripino fez querendo detonar Dilma Roussef.
Agripino vive, com agenda pré-datada, os estertores de um
fim de carreira anunciado com prazo de validade e prazo de validade
até a próxima eleição de senador quando
irá enfrentar Wilma de Faria e Garibaldi Alves em voto casado
deixando-o a chupar o dedo, no isolamento que imbecilmente sonhou
ser capaz de enquadrar o PT e Lula.
O grande Nelson Rodrigues virou unanimidade quando disse que "toda
unanimidade é burra". A atitude de José Agripino
foi tão que fez dele, a única unanimidade nacional.
Ao longo da história
Laerte Braga é jornalista e escreveu um entre os milhares
de artigos sobre a atitude grotesca e burra de José Agripino
contra a ministra Dilma Roussef no Senado. Vejamos o que ele diz:
O senador José Agripino Maia, do DEMocrata do Rio Grande
do Norte, em 1979, em plena ditadura militar, filiou-se ao PDS que
sucedeu a Arena, partidos do regime de terror implantado no país
em 1964.
É claro que ao longo da história do Brasil figuras
como Agripino Maia, que nunca trabalharam na vida, ou fizeram coisa
alguma que não beneficiar-se do poder (os Andradas, por exemplo,
vieram para o país em navio chapa branca junto com a família
real como afirma um amigo que muito prezo), não pode pensar
diferente do que ele pensa.
O olhar do inquisidor
Foi por isso que com aquele olhar cínico, debochado, imperturbável
de todo mau caráter, que fez a pergunta que fez a uma figura
humana notável, a ministra Dilma Roussef.
Dilma, como tantos brasileiros, pegou em armas contra a ditadura.
Como tantos brasileiros passou anos presa quando foi submetida a
torturas violentas e degradantes e se manteve altiva, corajosa,
íntegra e acima de tudo humana.
Maia não sabe nem o que isso quer dizer. Altivez, coragem,
integridade e ser humano. Nunca teve e nunca foi.
Nas escolas
A resposta de Dilma Roussef deveria ser exibida em cada escola do
país, em cada casa, para que cada jovem e cada cidadão
pudesse ter diante de si uma realidade que tentam ocultar a qualquer
preço, pois não querem seres humanos, querem robôs.
E pudessem enxergar e perceber que aqui existem pessoas cuja bravura
e caráter são reais.
Qualquer papel
É claro que a pergunta foi colocada na boca de alguém
que se preste a qualquer papel e Agripino Maia se presta a qualquer
papel. Condição básica para fazer a pergunta
que foi feita à ministra Dilma é a absoluta falta
de caráter e Maia não tem nenhum. É produto
de uma oligarquia, não anda e nem pensa pelas próprias
pernas.
A resposta de Dilma...
É a reafirmação que nem todas as pessoas são
como bolas que se deixam encaçapar em mesas de sinucas, em
nome de um mundo real que não existe. Podem até ser
decentes, mas lhes falta a alma que Dilma Roussef resgatou em sua
resposta.
E mais, Dilma Roussef, independente de Lula, ou o governo, conferiu
dignidade ao ser lutador, ao ser íntegro. Resgatou uma pequena
janela de uma história que precisa ser contada aos brasileiros
para que se possa perceber que tipo de cobra venenosa existe em
cada Augusto Heleno, em cada Agripino Maia, em cada Vale/Aracruz.
Em cada Zé Pastinha, que é apenas conseqüência,
produto desse modelo imoral e amoral. Mas nem por isso deixa de
ser canalha. É só extensão menor.
Ser repulsivo
Se Dilma tivesse dito o que o senador chama de "verdade",
aos "patriotas fardados" que a torturaram, Agripino Maia
teria, ontem, dito que Dilma foi uma delatora. Que entregou companheiros.
Como foi o contrário, Dilma tem a estatura humana e moral
que Agripino não tem, por isso não pode saber o que
foi a luta travada contra a ditadura, fez a pergunta que fez. Era
um deles. Continua a ser.
É a medida de um ser repulsivo. Agripino Maia.
É a dimensão gigantesca de uma pessoa admirável.
Dilma Roussef.
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