

O
instrumento da ZPE
Antoir Mendes Santos
O Seminário sobre Infra-estrutura realizado nas dependências
da Federação das Indústrias do RN - Fiern abriu
a perspectiva do debate sobre a necessidade de investimentos e a
realização de diversos projetos em áreas cruciais
para o Estado, dentre os quais destaca-se a implantação
da Zona de Processamento de Exportação - ZPE, prevista
para ser instalada em torno do futuro aeroporto de São Gonçalo.
No momento em que se discutia a importância de uma ZPE para
a economia do RN, oBrasil finalmente dá um passo importante,
no sentido da criação de um instrumento que poderá
impulsionar o desenvolvimento de determinadas regiões, sobretudo,
daquelas que não conseguem competir com outras mais estruturadas,
na atração de investimentos.
Trata-se da aprovação pelo Senado Federal do Projeto
de Lei de Conversão 15/2008, que dispõe da criação
de regras para as ZPEs que há muito vinha sendo discutidas
no Congresso Nacional. A ZPE representa a possibilidade de aproveitamento
de vantagens comparativas, tais comologística de transporte,
proximidade de mercados, mão-de-obra etc, vantagens essas
que associadas a eliminação de impostos, na importação
ou aquisição de bens e serviços no mercado
interno e na exportação de produtos para o mercado
externo, poderão atrair empresas para produzirem para o mercado
exportador. É facultado a essas empresas vender 20% de sua
produção para o mercado interno, desde que não
prejudiquem a produção de outras indústrias
e arquem com os impostos que incidem sobre quem produz.
Na visão do relator dessa matéria no Senado, o país
chega com 20 anos de atraso na aprovação desse projeto,
haja vista que ele não colide com as chamadas Zonas de Livre
Comércio e nem tampouco com a Zona Franca de Manaus, até
porque os incentivos de ambas são dirigidos para quem produz
para o mercado doméstico. Integrante do Bric, expressão
cunhada para representar o bloco do Brasil, Rússia, Índia
e China, o gigante país oriental já dispõe
de 163 ZPEs, responsáveis por 2/3 de suas exportações,
enquanto que os EUA contam com outras 184.
No Brasil, os números são bem mais modestos: temos
17 ZPEs criadas, porém nenhuma em funcionamento. Dessas,
04 já estão com suas infra-estruturas construídas
a espera de receber o alfandegamento pela Receita Federal, a saber:
Araguaina(TO), Imbituba(SC), Rio Grande(RS) e Teófilo Otoni(MG).
No RN, a instalação e o sucesso da ZPE pretendida
pelo Estado estão na razão direta da construção
do aeroporto de cargas e de passageiros de São G. Amarante,
que poderá dar suporte ao escoamento de mercadorias a serem
produzidas.
Ao que se percebe, a julgar pelos depoimentos dos representantes
da classe política local, é grande a expectativa pela
aprovação desse instrumento de desenvolvimento que
vem sendo utilizado em todo o mundo. Todavia, não poderemos
ficar só no otimismo: é preciso correr atrás,
e pressionar politicamente o Governo Federal, diriam os mais cautelosos.
Ou seja, é fazer como nossos vizinhos cearenses que articulam,
pressionam e já contam com a certeza da implantação
de sua ZPE no porto de Pecém que, segundo eles, é
a primeira da lista para ser aprovada ( o porto já está
pronto e funcionando, enquanto o nosso aeroporto ainda está
no começo edepende da liberação dos recursos
do famoso Programa de Aceleração do Crescimento -
PAC). Para os cearenses que não se conformam com o sucesso
de Suape, este será o grande diferencial entre o porto de
Pecém e o de Pernambuco (essa ciumeira ainda vai longe !
).
Se não bastasse a certeza de sua ZPE, o governo Cid Gomes
ainda comemora a destinação da última refinaria
da Petrobrás para o Ceará, que pode ser entendido
como prêmio para a tenacidade do cearense. A Petrobrás
fala em estudos técnicos (que nunca beneficiam o RN), enquanto
outros dizem o contrário. Nesta altura do campeonato, há
que se perguntar: terá sido mais um caso de estudo político
ou decisão técnica?
Antoir
Mendes Santos
É Economista.
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