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MOSSORÓ (RN), SÁBADO, 10/05/2008 (ATUALIZADO: 01:57hs)
 
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Coração de mãe
O muito dito e ouvido "longe da vista, longe do coração", como todo dito popular, não deixa de ter lá seus foros de verdade, manifestação que é do espírito coletivo. Mas como se diz também, e com igual acerto, que toda regra tem exceção, quero dizer que nem sempre o coração deixa de sentir o que não entra pelos olhos, porque adivinha. Que não deixará de ser uma forma de ver.
Isto, um dia destes topei com uma senhora que conheço de certo tempo, e que aliás não avistava coisa aí de dois anos, e notei-lhe o semblante vincado por um não sei quê que lhe doía no peito, muito dentro. Achei-a mais velha, bem mais velha, considerada da última vez que a vi, até vestida sem o aprumo do costume. E paramos para conversar um pouco, eu tinha pressa.
Isto mesmo; de logo pensei que lhe morrera o marido, pelos sinais de luto, ele também meu velho conhecido, e que ela ainda sofria a experiência da viuvez, somente que não podia atinar se era recente ou já andava em algum tempo, meses, por aí. Claro, nada de perguntas, como convém a um cidadão minimamente educado, mas fiquei a olhar, admirado, como envelhecera ela antes do tempo, quase sem poder dissimular.
Não tardou, e falou-me de um filho que, sem necessidade, disse, se mandara para São Paulo, coisa de seis meses, e até agora, notícia que é bom, nada. Não podia imaginar menos do pior, essas coisas do coração de mãe. Que uma vizinha de sua amizade antiga procurava dar-lhe um certo consolo, quase sempre utilizando, no esforço de vê-la posta em tranqüilidade, o longe da vista, longe do coração. Ora se isto serve de consolo...
Da minha parte, confesso, fiquei sem achar palavras, diria melhor, o jeito de amenizar-lhe o sofrimento, que nada pode apaziguar um coração de mãe em circunstâncias assim. Mas, como é natural, lembro de ter-lhe dito algo de consolador, algo porém sem força de convencimento nenhum, eis que seus olhos sofridos não se exaltaram, num brilho fugaz que fosse. Isto: o coração lhe sentia o que seus olhos não podiam ver. Ou então assim: adivinhava.

Pessoa
Á venda na Independência e na Casa da Revista o livro Momentos de Reflexão de João Pessoa. Trata-se de reflexões entre poéticas e filosóficas do homem diante das adversidades da vida. Leitura construtiva.

Castigo
Governador que não ficar com os candidatos de Lula, em seu estado, as maldições de Brasília sobre ele haverão de desabar. Vejam aí Lula, como se diz, rezando pela cartilha velha e revelha da política menor. Onde a democracia?

Enxofres
O diabo teria de juntar um dia os seus enxofres no mesmo saco sebento e furado.

LINGUAGEM
QUE FAZES ou O QUE FAZES? Quer saber o estudante Afonso Aires Mota, de Natal. Porque seu professor de português inquina de erro a segunda construção. Na verdade, vernaculistas há que não aceitam a segunda construção. Mas também é verdade que tanto a primeira como a segunda têm a chancela do grande mestre Ernesto Carneiro Ribeiro (Tréplica). Sotero dos Reis vê, no caso, subentendida uma oração principal: Não sei o que fazes. Houve transformação de apagamento e de modalidade. Numa palavra: ambas as construções estão corretas.



       




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