..:: JORNAL DE FATO ::.. JORNALISMO DE VERDADE
MOSSORÓ (RN), SÁBADO, 10/05/2008 (ATUALIZADO: 01:57hs)
 
Untitled Document




PÁGINA ATUALIZADA AOS DOMINGOS

CARLOS
MANHANELLI

‘Planejamento economiza
30% dos recursos da campanha’

Por: REGY CARTE -
Foto: Divulgação

O cientista político Carlos Manhanelli, tarimbado em campanhas eleitorais nos principais centros do Brasil, na América Latina e na África, discorre nesta entrevista sobre a importância do planejamento e do marketing político para o êxito da corrida pelo voto. Dá importantes dicas para o candidato sair vitorioso no pleito eleitoral de 5 de outubro. Manhanelli é um dos palestrantes do III Seminário de Marketing Político e Eleitoral do Rio Grande do Norte – Votar 2008, que será realizado pela Modus Propaganda e JORNAL DE FATO em 15 e 16 deste mês, no Hotel VillaOeste. O evento reunirá um dos mais renomados especialistas em marketing político, comunicação e legislação eleitoral do país no debate sobre as eleições deste ano, que elegerão prefeitos, vice-prefeitos e vereadores para o quadriênio 2009/2012. O período de inscrição para o seminário está aberto. Custa R$ 150,00 (inteira) e R$ 75,00 (estudante), pagamento em cartão de crédito, dinheiro e cheque, e é feita no 3315-2312. O evento abordará outros temas cruciais da campanha, como pesquisa eleitoral, planejamento de campanha, construção de imagem, casos de campanhas vitoriosas, programa eleitoral.

JORNAL DE FATO – Como o candidato deve se comportar para não cometer abuso de poder político e econômico na campanha eleitoral deste ano?
CARLOS MANHANELLI – A regulamentação das eleições foi publicada em fevereiro de 2008. A maioria dos candidatos acha que nada pode fazer, mas a lei deixou ainda condições de trabalho. Por exemplo: está permitido telemarketing, bonecos com a cara do candidato nas ruas, cartazes nas vias públicas desde que não fixos nem fixados, etc.
 
QUAL a opinião do senhor sobre a legislação eleitoral brasileira?
A ATUAL foi um duro golpe nas candidaturas novas, pois diminuiu os veículos para se levar ao conhecimento da população os novos postulantes a cargos políticos. Só se vota em quem se conhece, então, quem já está no poder será privilegiado e levará vantagem sobre quem quer se iniciar na vida política.
 
EM que a legislação precisa avançar para tornar as eleições no Brasil mais igualitárias entre os candidatos?
É NECESSÁRIO chamar especialistas em comunicação e propaganda para opinar nas formas de divulgação e promoção das campanhas eleitorais, concebendo uma forma de se levar ao conhecimento dos eleitores as candidaturas. Temos candidatos que precisam se comunicar com os eleitores, e eleitores que precisam conhecer candidatos para votar. Uma campanha eleitoral é uma campanha de comunicação, propaganda e marketing. 
 
PESQUISA eleitoral se tornou instrumento de propaganda política? Até que ponto as pesquisas ajudam ou prejudicam candidatos?
A PESQUISA eleitoral é usada como propaganda disfarçada em comunicação, pois defende de como se divulga e se faz a manchete, tem-se a tendência para essa ou aquela candidatura. A divulgação das pesquisas influenciam, sim, as eleições.
 
A LEGISLAÇÃO impôs limitações à propaganda eleitoral. O que o candidato deve fazer para se comunicar bem com o eleitor sem infringir a lei eleitoral?
USAR a criatividade para se destacar em meio a tanta propaganda igual que será colocada.
 
QUAL a importância do planejamento para o êxito da campanha eleitoral?
MUITO importante, não só para o êxito, mas também para a economia da campanha. Planejamento economiza 30% dos recursos de uma campanha eleitoral.
 
O QUE há de novo nas eleições deste ano em relação às anteriores que merece atenção do candidato?
SOMENTE a legislação e os controles financeiros e contábeis.
 
O CANDIDATO pode pensar numa campanha vitoriosa sem boas assessorias de marketing, jurídica e contábil?
PODE pensar, mas será difícil fazer.
 
O SENHOR tem participado de campanhas eleitorais na América Latina. Poderia falar um pouco dessa experiência?
AMÉRICA Latina e África são campos de minha atuação. As experiências são fantásticas e comprovam cada vez mais que o Marketing Eleitoral tem suas técnicas consagradas em todo o mundo democrático, e que se pode usá-las apenas adaptando-se a realidade local, aos usos e costumes de cada país.
 
COM base nessa experiência, as eleições no Brasil deixam a desejar às de outros países em organização, confiabilidade, obediência às leis e outros quesitos?
NÃO deixam nada a desejar. O Brasil está se tornando um país democrático e quem constrói a democracia que quer é o povo e não os políticos.

EM que o Brasil precisa avançar?
NA legislação eleitoral, que deve ser orientada por quem conhece o problema.

O QUE o senhor acha do conceito “ciência eleitoral”, ou seja, o planejamento e condução das campanhas com base em métodos científicos, confirmados e testados?
 COMO respondi acima, o método científico está se apresentando hoje como ferramenta essencial para qualquer candidato que almeje chegar à vitória. As campanhas amadoras não mais existem. 

O JORNAL DE FATO e Modus Publicidade promoverão, dias 15 e 16 deste mês, o III Seminário de Marketing Político e Eleitoral do Rio Grande do Norte. Qual a importância desse tipo de evento para quem disputará eleição este ano?
PODE ser a diferença entre ganhar ou perder a eleição. Muitas informações serão passadas e muitos alertas serão apresentados. É uma oportunidade única de conhecer profissionais com tanta experiência em campanhas eleitorais e que passarão, com certeza, conhecimentos de experiências vividas e acertadas que poderão ajudar todos os que imaginam sair esse ano como candidatos.
 
O SENHOR é a favor da obrigatoriedade do voto no Brasil?
Sou frontalmente contra como Cientista Político, uma de minhas formações, não posso compactuar com o desvirtuamento da democracia, com o viés do voto obrigatório. Voto, na democracia, é um direito e não um dever.
 
Carlos Manhanelli é a favor do terceiro mandato para o Presidente da República?
DEUS me livre. Lutamos há tão pouco tempo  para sair de uma ditadura militar, para cair em outra espécie de ditadura? Não existe razão ou argumento que possa ser usado para isso. Seria um golpe de Estado.



       
 




Todos os direitos reservados à Santos Editora de Jornais Ltda.
É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste site para fins comerciais sem prévia autorização.