

O
samba do toureiro doido
O site
vermelho fez uma síntese espetacular da cobertura que a imprensa
deu à ida de Dilma Roussef ao Senado anteontem e do fora
que Zé Agripino cometeu com a asnice que pronunciou fazendo-a
de vítima. Vejamos rapidamente alguns lances da matéria
intitulada, "jornalistas dizem que oposição deu
um tiro no pé": O caso mais curioso de desapontamento
foi o de Josias de Souza, colunista da Folha de S.Paulo e blogueiro
do Folha Online. Para ele, não cabe dar os méritos
a Dilma, mas, sim, tacar pedras no pobre diabo Agripino. Ao escrever
sobre a sessão na Comissão do Senado, Josias fez um
rodeio - e revelou tanta irritação - que vale a pena
ser reproduzido em mais trechos: Há touradas e touradas.
Na Espanha, mata-se o touro. Em Portugal, o touro sai da arena vivo.
Cansado. Irritado até. Mas vivo. Dilma Roussef foi à
comissão de Infra-Estrutura do Senado na condição
de touro português. José Agripino Maia (DEM-RN), porém
atravessou o script. O líder do DEM tratou a ministra à
moda espanhola. Fincou-lhe a espada nas costas. Deixou no ar a impressão
de que fez com o touro algo que não se faz nem com um animal.
Agripino içou do baú uma entrevista em que Dilma reconhecera
que havia mentido ao ser torturada por algozes da ditadura. Espetado
nas costas, o touro reagiu: "Eu fui barbaramente torturada,
senador (...)". Ao lembrar que, na década de 70, estava
do lado claro da história, Dilma como que acomodou Agripino
do outro lado. O líder do DEM cometeu um erro estratégico
incompatível com sua experiência parlamentar. Empurrou
o touro para o corner de vítima. E Dilma prevaleceu sobre
a oposição como um touro português.
Vilão do dia
"São 11h30, e a ministra Dilma Roussef está dando
um banho", adiantou a colunista tucana Eliane Cantanhede, da
Folha, que apontou logo o responsável pelo desastre: "É
Agripino". Àquela altura, a grande mídia já
estava fula com o vilão do dia - o senador José Agripino
Maia (DEM)..
Sem delatar
Em recente entrevista na Folha de S.Paulo, Dilma declarou que mentiu
nos porões da ditadura militar (1964-1985) para salvar a
vida de seus companheiros. Tinha apenas 19 anos e estava sob tortura.
Presa em seguida, ainda na mocidade, recusou-se a delatar quem quer
que fosse, pois estava do lado da democracia, combatendo um regime
totalitário e impopular..
Comparando mal
Agripino, um inconfundível filhote desse período ditatorial,
insinuou que não via diferença entre uma sessão
de tortura e um depoimento ao Senado. Insinuou mais: se Dilma havia
mentido diante do regime militar, teria tudo para repetir o gesto
diante dos atuais senadores da República. Um ato falho para
a história..
Conversa afiada
"Dilma arrasa a oposição" foi a chamada
de Paulo Henrique Amorim no site Conversa Afiada. Em sua opinião,
a ministra revidou à altura a provocação de
Agripino. "Roussef atingiu o ponto certo da resposta, com firmeza
e serenidade, e colocou o senador na posição histórica
que ocupam os que acionavam a maquininha do choque elétrico.".
Obrigado, Jajá
"Dilma tem uma dívida impagável com José
Agripino Maia", zombou o principal colunista do Globo On-line,
Ricardo Noblat. "Ela entrou na sala da Comissão como
suspeita de ter encomendado um dossiê sobre despesas sigilosas
do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Saiu como
a heroína que aos 19 anos de idade foi presa e torturada
por agentes da ditadura militar de 1964, e mesmo assim não
dedurou ninguém.".
Constrangimento
O fiasco da oposição constrangeu até os críticos
mais empedernidos do governo Lula, como o blogueiro Reinaldo Azevedo,
porta-voz da revista Veja. Ele alegou que "é preciso
qualificar o que significa 'vencer'", mas foi obrigado a reconhecer
o excepcional desempenho de Dilma. "Não. Não
vou divergir da avaliação de que ela representou com
eficiência o seu papel, mas vou matizar a sua 'vitória'.".
Agripino + Virgílio
Que a matize à vontade! Até Heraldo Pereira, no Jornal
da Globo, disse que "Dilma deu um show". Luís Nassif,
em seu blog, espinafrou tucanos e demos. "Está na hora
de a oposição se dar conta de que Agripino + Virgílio
= tiro no pé", resumiu Nassif.
Temendo um banho
Noblat descreveu o embate com mais detalhes e ênfase: "Dilma
pegou o pião na unha, subiu no palco, ficou com dois metros
de altura e por antecipação engoliu com farofa e tudo
seus eventuais desafetos. A resposta que deu a Agripino foi aplaudida
intensamente por correligionários e adversários. E
baixou o ânimo desses últimos". Conforme o relato
de Noblat, "a partir daquele momento, os senadores de oposição
começaram a se preocupar mais com o Programa de Aceleração
do Crescimento do que com o dossiê. E os que acossaram Dilma
com perguntas sobre o dossiê o fizeram de forma branda e respeitosa
como se temessem levar o banho que Agripino levou".
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