

A
INTEGRAÇÃO PELA LÍNGUA PORTUGUESA
Bruno Peron Loureiro
A língua portuguesa tem passado por transformações
nestas últimas décadas que vão além
do que habitualmente sofrem os idiomas e nos fazem questionar o
lugar que ocupa e o espaço que cederá se o ritmo continuar
assim. Equacionamos que a defesa deste patrimônio cultural
somada ao estímulo à integração nacional
resulta, desde um ponto de vista, na necessidade de preservação
da língua portuguesa. É comum dizer que ela tem mais
exceções do que regras e que ninguém sabe qual
a próxima reforma por que passará, mas porta uma bagagem
cultural imensa.
Herdamos um idioma bonito e rico de Portugal, um país pequeno
da península Ibérica e pertencente à União
Européia, antes esplêndido no período das descobertas
marítimas e hoje deficiente em relação a esta
comunidade, mas ainda debochamos de que tudo que é português
relaciona-se com a burrice através de piadas, em vez de enaltecer
as origens da nossa língua. No entanto, este nosso instrumento
de comunicação difere tanto do português em
gírias e sotaque, que há os que digam que o nosso
idioma é outro, o brasileiro, para fazer uma
contraposição.
Quando nos damos conta das apropriações atuais da
nossa língua, a situação se complica: jovens
que cada vez mais se comunicam com abreviações pela
facilidade do uso na Internet (você se torna vc,
quando se torna qdo), ou palavras estrangeiras
no vocabulário cotidiano (ninguém diz correio
eletrônico em vez de e-mail e são
poucos os que se referem a sublinha _ em vez de underline
_ quando há símbolos no endereço); pior
mesmo é aceitar que cada vez mais lojistas empreguem o termo
30% OFF em seus cartazes no lugar de 30% de desconto.
A fluidez dos bens culturais na globalização traz
um sentimento de liberdade que se concretiza nos usos que se têm
da língua portuguesa, onde cada um se expressa como bem entender
e de acordo com os códigos inteligíveis no país.
Contudo, o que não podemos perder de vista é que a
riqueza do nosso idioma oferece expressões próprias
para termos forasteiros, e, mesmo quando recentes, logo temos nossa
própria palavra acompanhando os novos avanços, ainda
que seja no mutante campo da informática.
Esta sensibilidade nos permite valorizar mais o que é nosso
e integrar melhor um espaço nacional cujas fronteiras se
diluem gradualmente. Não deixemos esfacelar este grande patrimônio
da língua portuguesa, que permite a aproximação
das culturas mais distintas que compõem o Brasil: desde o
maracatu nordestino ao chimarrão gaúcho, e dos afro-descendentes
da costa aos indígenas do interior que se interessam em aprender
o português e integrar-se como membros de uma única
nação.
Bruno
Peron Loureiro
é bacharel em Relações Internacionais pela
UNESP (Universidade Estadual Paulista).
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