

Verdades
e mitos sobre células-tronco (Final)
O fato
de a comissão de Seguridade Social e Família da Câmara
dos Deputados haver rejeitado, por unanimidade, anteontem, o projeto
de lei 1.135/91, que objetiva discriminalizar o abordo provocado
pela própria gestante ou com seu consentimento aumentou consideravelmente
a importância do tratamento que esta coluna vem dando à
questão das células tronco embrionárias, tema
do artigo Os mitos e as verdades sobre as células-tronco,
de autoria do médico Décio Iandoli Júnior.
Concluo hoje a apresentação deste texto, que a limitação
espacial me impediu de mostrar na íntegra numa só
edição da coluna. Ei-la: A pergunta que se faz neste
momento é: por que dividir a atenção e os recursos
entre dois tipos de terapia, ou seja, com CTA e CTE, se apenas o
primeiro tem trazido resultados alentadores, além de não
ferir nenhum preceito ético? A doutora Líliam Piñero
Eça (8), pesquisadora da Unifesp afirma: O futuro da
ciência está nas células-tronco adultas desde
2001, e no estudo dos fatores epigenéticos, pois as células
embrionárias até o momento causam câncer e rejeição
Assistimos recentemente à votação da lei de
biossegurança cercada de uma pressão social
que, na minha opinião, foi criada sinteticamente por uma
exposição assimétrica do tema pela mídia.
Acredito que a opinião pública não foi devidamente
esclarecida quanto a essa questão, pôde-se ver na televisão,
portadores de deficiência física chorando, emocionados,
com a aprovação da lei, o que mostra como eles foram
iludidos, pois possibilidades teóricas foram colocadas como
verdades, alguns pesquisadores chegaram a colocar prazos de dois
a cinco anos para a obtenção de resultados práticos,
sendo que não se sabe nem se esses objetivos poderão
ser alcançados, quanto mais estabelecer um tempo para que
isso ocorra. Na ciência, não há como prever
resultados, pois ela trata, justamente, de explorar o desconhecido,
hipóteses consideradas como verdadeiras por muitos anos,
já se mostraram falsas, assim como, objetivos que pareciam
inatingíveis, foram alcançados. Trabalhar pelo desenvolvimento
da ciência é uma obrigação de todos,
estudar todas as possibilidades de progresso também, mas
não se podem garantir resultados, principalmente quando estas
promessas geram falsas expectativas em pessoas tão sofridas,
manipulando suas esperanças. Criou-se uma ilusão perigosa
a respeito do assunto e, conseqüentemente, uma opinião
equivocada. O argumento de salvar vidas com porções
de células que iriam para o lixo é imoral,
minimizando e coisificando o embrião. O que mais
preocupa, com relação a este tema, é que abrimos
um grave precedente, pois agora o embrião desrespeitado e
desclassificado como ser humano possibilitará tornar lícito
também o aborto, tanto que os grupos pró-aborto tem
intensificado muito suas campanhas iniciando a abordagem pela legalização
do aborto dos anencéfalos. Recentemente, o Ministério
da Saúde divulgou norma facilitando o aborto de vítimas
de estupro, não exigindo qualquer tipo de comprovação
do fato, e tentando eximir o médico de qualquer responsabilidade
legal, abrindo uma brecha para a institucionalização
do aborto generalizado. Já que o embrião congelado
não é vida, por que o embrião no útero
é? A noção da população sobre
o que é um zigoto, um embrião ou um feto é
muito pobre, facilitando a campanha em favor do aborto. Alguns médicos
já defendem a interrupção da gestação
de fetos portadores de qualquer anomalia, inclusive síndrome
de Down. Onde vamos parar? Qual é o limite ético que
se estabelecerá? O que está em questão agora
não é o benefício para a ciência e sim
o benefício para a humanidade, o que pode não significar
a mesma coisa, já que, em termos de ciência, toda e
qualquer possibilidade de estudo ou pesquisa é sempre benéfica,
pois traz conhecimento, mesmo que este conhecimento seja a constatação
de que não é possível atingir as metas inicialmente
traçadas por aquela linha de pesquisa; entretanto, devemos
levar em consideração as questões éticas,
já que os fins não justificam os meios. Deveríamos
estar discutindo a regulamentação da produção
de embriões com fins reprodutivos, e o fato de não
os utilizar, ou de que eles serão descartados de qualquer
maneira, não pode ser justificativa para a utilização
dos mesmos com fins científicos. O que deve ficar bem claro
é que um embrião é considerado, pela própria
ciência materialista, como um ser humano vivo, devendo portanto
ser respeitado como tal. O mundo vai evoluir sempre, pois é
esse nosso destino inexorável; vamos conquistar tecnologias
cada vez mais importantes, entretanto devemos escolher qual preço
estamos dispostos a pagar por isso, quais os caminhos que devemos
seguir. O uso de CTE humanas não é necessário
para o avanço da ciência neste momento. Acredito que,
pelos trabalhos já desenvolvidos com as CTA, chegaremos a
grandes conquistas, e o estudo dos fatores epigenéticos acabará
por nos conduzir ao conceito de Modelo Organizador Biológico,
ou perispírito, o que nos trará a possibilidade de,
por exemplo, construir órgãos em laboratório
a partir de células-tronco do próprio paciente para
um autotransplante, fundando a engenharia de órgãos
e tecidos. A despeito de nosso otimismo e entusiasmo, não
percamos a serenidade, nem dispensemos a segurança no avanço
da ciência, pois não temos como fazer juízo
ético daquilo que não conhecemos completamente. Sigamos
confiantes e dedicados nos estudos e no desenvolvimento das CTA,
dominando cada vez mais e melhor suas possibilidades, e enquanto
isso, muita prudência e responsabilidade. Veja o que nos trouxe
Emmanuel, pelas mãos de Francisco Cândido Xavier, muito
antes de surgirem as possibilidades que atualmente discutimos: O
homem desejou recursos para mais facilmente abrir estradas e a divina
providência lhe suscitou a idéia de reunir areia e
nitroglicerina, em cuja conjugação despontou a dinamite.
A comunidade beneficiou-se da descoberta, no entanto certa facção
organizou com ela a bomba destruidora de existências humanas.
O homem pediu veículos que lhe fizessem vencer o espaço,
ganhando tempo, e o amparo divino ofereceu-lhe os pensamentos necessários
à construção das modernas máquinas de
condução e transporte. Essas bênçãos
carrearam progresso e renovação para todos os setores
das aquisições planetárias, entretanto, apareceram
aqueles que desrespeitaram as leis do transito, criando processos
dolorosos de sofrimento e agravando débitos e resgates nos
princípios de causa e efeito. O homem solicitou o apoio contra
a solidão psicológica e a Eterna Bondade, através
da ciência, lhe concedeu o telégrafo, o rádio,
o televisor, aproximando as coletividades e integrando no mesmo
clima de aperfeiçoamento e cultura. Apesar disso, junto desses
nobres empreendimentos, surgiram aqueles que se valem de tão
altos instrumentos de comunicação e solidariedade
para a disseminação da discórdia e da guerra.
O homem rogou medidas contra a dor e a Compaixão Divina lhe
enviou os anestésicos, favorecendo-lhe o tratamento e o reequilíbrio
no campo orgânico. Ao lado dessas concessões, porém,
não faltam aqueles que transformam os medicamentos da paz
e da misericórdia em tóxicos de deserção
e delinqüência. O homem pediu a desintegração
atômica, no intuito de assenhorear mais força, a fim
de comandar o progresso, e a desintegração atômica
está no mundo, ignorando-se que preço pagará
o Orbe Terrestre, até que essa conquista seja respeitada
fora de qualquer apelo à destruição. Como é
fácil observar, Deus concede sempre ao homem as possibilidades
e vantagens que a inteligência humana resolve requisitar à
Sabedoria Divina. Por isso mesmo, as calamidades que surjam nos
caminhos da evolução no mundo, não ocorrem
obviamente, sob a responsabilidade de Deus. Em tempo! Para os embriologistas
Moore e Persaud, na página 2 do livro Embriologia Humana:
O desenvolvimento humano é um processo contínuo
que começa quando um oovócito de uma mulher é
fertilizado por um espermatozóide de um homem.
Cala boca
Segundo aliados do deputado estadual Robinson Faria, presidente
da Assembléia Legislativa, o que ele não aceitou receber
anteontem da governadora Wilma de Faria, a indicação
do candidato a vice-prefeito na chapa a ser encabeçada pela
deputada federal Fátima Bezerra (PT), tem o nome de cala
boca.
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