

NO TSE
Henrique
iria testemunhar para Betinho
Julierme Torres
Da Redação
O deputado federal Betinho Rosado vem encontrando dificuldade para
consolidar o projeto de se desligar do partido Democratas, sem receber
a punição por infidelidade partidária. A executiva
nacional da legenda rejeitou o desligamento do parlamentar, que
ontem sofreu uma derrota no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Betinho Rosado requereu a inclusão de testemunhas em seu
favor, para serem ouvidas na Petição 2812/2008, onde
pede a declaração de "justa causa" para
deixar o Democratas, sem correr risco de perder o mandato, como
prevê a resolução do TSE que instituiu a fidelidade
partidária.
Ontem o Diário da Justiça Federal trouxe o despacho
do ministro Marcelo Ribeiro, negando o pedido de Betinho Rosado
para juntar testemunhas. O deputado explicou que ao apresentar a
petição, em março deste ano, não apontou
testemunhas em seu favor. A executiva do Democratas não teve
o mesmo esquecimento. O partido indicou os deputados federais Onyx
Lorenzoni (RS) e José Carlos Aleluia (BA), além do
chefe de gabinete da liderança do DEM na Câmara, Gustavo
Machado Pires, para contestar os argumentos de Betinho.
"Como o Democratas apresentou três testemunhas, eu pedi
a inclusão de duas testemunhas em meu favor", disse
Betinho Rosado, acrescentando que suas testemunhas seriam os deputados
federais Henrique Eduardo Alves (PDMB) e Átila Lira (PSB-PI).
Ao rejeitar a inclusão das testemunhas de Betinho Rosado,
o ministro relator esclareceu que as testemunhas devem ser apontadas
na inicial do processo. Nesse caso, Marcelo Ribeiro decidiu que
apenas as três testemunhas do Democratas seriam ouvidas no
processo. O ministro, inclusive, já fixou o dia 19 de maio,
às 14h30, para os depoimentos.
ARGUMENTOS
Betinho Rosado apresentou três justificativas para embasar
seu pedido de desfiliação. O deputado alega que houve
mudança ideológica no partido, quando da mudança
do antigo PFL para Democratas. Ele afirma ainda que não possui
vínculo formal com o Democratas, uma vez que nunca assinou
ficha de filiação. O terceiro argumento é o
de que vem sendo vítima de isolamento pelos líderes
nacionais.
Todos os argumentos de Betinho foram contestados pelo Democratas.
O partido nega que o deputado não tenha tomado conhecimento
de eventuais mudanças ideológicas e programáticas.
Para comprovar isso, apresentou os documentos "Compromissos
Programáticos", o Novo Estatuto e Plataforma Democrática
de Mudança. Os três estariam assinados por Betinho
Rosado.
Quanto à alegação de isolamento, a executiva
nacional do Democratas afirmou que sempre prestigiou o deputado.
O partido contra-atacou, afirmando que "deu as condições
que o deputado dispunha para sua participação na vida
pública".
Rosado reagiu aos argumentos do Democratas. O deputado disse que
o documento que assinou é datado de 2005, quando houve uma
reunião do antigo PFL. Ele lembrou que o Democratas só
foi criado em fevereiro de 2007, e afirma que não participou
dos encontros que culminaram com a chamada "refundação
do partido".
Ainda de acordo com Betinho Rosado, sua expectativa de êxito
na busca de autorização judicial para deixar o Democratas
aumentou com a ascensão do ministro Carlos Ayres Britto à
presidência do TSE. "O novo presidente declarou que a
mudança ideológica é motivo para deixar o partido",
comemorou o deputado.
Robinson
diz que aliança com Wilma
está mantida; mas admite divergir
Aldemar de Almeida
De Natal
Parceria. Essa é a palavra chave para o posicionamento a
ser tomado pelo grupo liderado pelo presidente da Assembléia
Legislativa, deputado Robinson Faria - PMN, com relação
ao apoio a uma candidatura a prefeito de Natal.
O deputado disse que a conversa que manteve com a governadora Wilma
de Faria (PSB) na quarta-feira à noite não foi conclusiva
para uma tomada de posição.
"Não estamos discutindo questão de indicação
de vice-prefeito. Isso não seduz. Estamos discutindo parceria.
Eu disse para a governadora que o deputado João Maia (PR)
me procurou para fazer uma parceria, para a eleição
deste ano e a de 2010. Então, a nossa decisão vai
ser após uma nova conversa com o deputado João Maia,
que vai conversar antes com a governadora", afirmou.
Ele disse que Wilma de Faria não teve culpa de um acordo
do PSB, PMDB e PT ter sido selado sem um entendimento com o seu
grupo, porque estava fora do País, mas Wilma de Faria o tinha
procurado. Inclusive, no sábado anterior ao anúncio
do acordo ela esteve na casa dele, quando ainda não havia
nada acertado.
Segundo Robinson, a sua aliança com a governadora firmada
na eleição passada está preservada e consolidada,
mas pode divergir sobre esse entendimento para a eleição
de 2008.
Robinson descartou um possível apoio ao deputado federal
Rogério Marinho (PSB). "Isso em nenhum momento foi cogitado.
Já a simpatia por Micarla nunca escondi."
PMDB
No plenário, antes da entrevista de Robinson, a vez foi de
o deputado José Dias, líder do PMDB, criticar o acordo
feito para a disputa da Prefeitura de Natal. Ele disse que não
era uma ovelha desgarrada, como chegaram a falar, mas uma "ovelha
que faz parte do rebanho daqueles que não querem mandar em
ninguém, mas também não querem canga de ninguém.
Somos de um grupo que quer a democracia. Não há máquina
nenhuma, azeitada de qualquer natureza que mude a vontade do povo.
Espero que isso aconteça neste ano de 2008. Respeitamos o
acordo do senador Garibaldi Filho lá em cima e vamos fazer
o nosso aqui em baixo, elegendo aquele ou aquela que é melhor
para Natal."

Mossoró
deve contabilizar 154 mil eleitores para 2008
Mossoró deve ter cerca de 154 mil eleitores
aptos a votar no pleito deste ano. A informação foi
passada ontem, pelo chefe do cartório da 34ª Zona Eleitoral,
Luís Sérgio. Ele disse que esse número vai
ficar dentro da estimativa que havia sido traçada pelo Tribunal
Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN).
A estimativa do TRE-RN era que Mossoró tivesse cerca de 156
mil eleitores neste ano. O Tribunal informou que somente na última
quarta-feira, quando terminou o prazo para o alistamento eleitoral,
mais de 1.500 novos eleitores se cadastraram nas duas zonas da cidade.
Durante entrevista ao programa Cenário Político, transmitido
ao meio-dia na TV Cabo Mossoró (TCM), Luis Sérgio
disse que a Justiça Eleitoral montou uma estratégia
para identificar os casos de transferência indevida de título
de eleitor. Ele explicou que esse tipo de crime ocorre principalmente
com eleitores que migram para cidades pequenas.
Luis Sérgio explicou que os cartórios eleitorais estão
separando os cadastros que podem ser considerados suspeitos. Os
oficiais de Justiça vão visitar esses domicílios,
para comprovar se o eleitor realmente mora no endereço apontado.
Caso ele não seja localizado, o título deve ser cancelado.
De acordo com Luís Sérgio, os eleitores que não
se cadastraram nem regularizaram pendências eleitorais até
a última quarta-feira estarão impedidos de votar no
dia 5 de outubro. Ele explicou que até o fim do pleito eleitoral
a Justiça fará apenas a emissão de segunda
via de título de eleitor. O cadastro de novos eleitores será
liberado apenas a partir de novembro.
NO ESTADO
Segundo a Assessoria de Imprensa do TRE-RN, a Justiça Eleitoral
cadastrou 190.824 novos eleitores em todo o Rio Grande do Norte,
neste ano. No último dia do prazo, foram atendidos 23.059
eleitores em todo o Estado. O alistamento eleitoral é obrigatório
para quem tem de 18 a 69 anos. O voto é opcional para eleitores
com idade entre 16 e 17 anos e mais de 70 anos de idade.
JA
diz que foi mal-interpretado
durante depoimento da ministra
Raissa Abreu
Agência Senado
O senador José Agripino (DEM-RN) afirmou em Plenário,
ontem, ter sido mal-interpretado pela imprensa ao mencionar, durante
a exposição da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff,
em audiência pública na Comissão de Serviços
de Infra-Estrutura (CI) anteontem, 7, declaração em
que ela afirma ter mentido sob tortura durante a ditadura militar.
"Deixei clara a minha solidariedade por ela ter sido presa
e torturada durante o regime que eu combati. Num momento importante
de minha vida pública, fui o primeiro governador do Nordeste
a declarar que não votaria no candidato do meu partido porque
ele não tinha compromisso com as eleições diretas.
Rasguei as minhas carnes em nome do interesse do Brasil. Com o meu
gesto, garantiu-se a vitória de Tancredo. Depois de mim,
vieram todos os outros", ressaltou Agripino.
O senador se referiu ao seu rompimento com o PDS durante a transição
para o regime democrático, no início da década
de oitenta. Na época, Agripino era governador do Rio Grande
do Norte.
A menção à declaração dada por
Dilma ao jornal Folha de S.Paulo foi feita quando o senador questionava
a ministra sobre as denúncias de elaboração
de um suposto dossiê sobre gastos sigilosos com cartões
corporativos do governo Fernando Henrique Cardoso. O governo alega
que não existe dossiê, mas, sim, um banco de dados
sobre gastos com suprimento de fundos da gestão anterior,
cujas informações vazaram para a imprensa.
Ao responder à intervenção de Agripino, a ministra
disse que mentir sob tortura não era fácil e que o
fizera para salvar a vida de companheiros. Também frisou
que se orgulhava de seu passado.
"Ela pegou o gancho. Mas eu disse o que disse com a autoridade
de quem se move contra o regime de exceção. Paguei
um preço alto por me posicionar, mas abri perspectivas para
que a democracia brasileira ao longo dos anos se consolidasse",
sustentou.
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