

O exemplo da China
Já
disse em outras ocasiões que a popularidade do presidente
Lula se deve (o julgamento, certo ou errado, é meu) à
descrença do povo brasileiro na classe política. A
razão do meu julgamento é porque não se verifica
no país, desde a primeira presidência de Lula, e principalmente
na segunda, nenhum esboço do desenho de um modelo de governo
e de sociedade, leves traços sequer.
Não carece ser versado nessas coisas para perceber, sem o
mais mínimo esforço, o continuísmo que assinala
o governo atual, o que vale dizer o seguimento dos mesmos métodos,ultrapassados
e viciosos, do governo imediatamente anterior. O populismo em lugar
de ações politicamente concretas no manejo do social,
quero dizer, a libertação da miséria pela ocupação,
digna, de braços ociosos.
O tão dito e ouvido a vara de pesca em vez do peixe. O mesmo
que dizer, desenvolvimento social com a preservação
da dignidade humana, do que sirva de exemplo a China, até
há pouco um país em que se morria de fome, acidental
e crônica. Foi investindo forte e racionalmente na agricultura,
ao tempo que nos valores humanos, que a China saiu da extrema pobreza,
velha de milênios.
Está bem de ver que esse salto qualitativo, traçando
nova história, se deve positivamente ao traço de um
novo modelo de governo e de sociedade, que não a medidas
fugitivas, porque sem consistência na vida orgânica
do país. A propósito, vale a pena ler o livro que
a romancista Helena Silveira escreveu sobre sua viagem à
China, em missão cultural. Dá gosto e a um tempo dá
tristeza.
Gosto, porque vemos como um povo conseguiu superar-se, e superar-se
com dignidade. Tristeza, porque, à diferença do governo
chinês, nos dias de hoje, o que se constata, em nosso país,
é um governo que chegou precedido da esperança popular
na criação de um país melhor a utilizar-se
dos mesmos vícios do modelo tradicional, e de que hoje, se
fala, é em soslaio. Mudou o discurso. Ou dizendo melhor,
dança com o povo o rela-buxo. CA
Caso
Essa epidemia (epidemia mesmo) de dengue em todo o país evidencia
o pouco caso que faz o governo das questões sanitárias.
Que não se resolvem, e apenas, com palestras e distribuição
de avulsos de propaganda. De resto, epidemia é coisa de país
atrasado.
Ficro
Hoje 8 é a instalação da FICRO deste ano é
hoje, nos jardins da TV Cabo Mossoró, 20 horas.
Discurso
Se o critério para eleger governante for saber fazer discurso,
ruim para nós, que no Rio Grande do Norte só temos
Geraldo Melo.
LINGUAGEM
ELE FALOU
QUE SABIA DISSO. Leitor do Jornal de Fato quer saber se está
certa essa construção. De acordo com a tradição
gramatical, quem fala, fala DE, ou fala SOBRE, ou fala PARA, ou
fala A. É que o verbo "falar" exige preposição,
salvo quando intransitivo. Assim é que, no período
acima, o verbo "falar" não está corretamente
empregado, porque lhe falta preposição. Corrija-se
para: Ele disse que sabia disso. O verbo "dizer" pelo
verbo "falar". Verdade seja que se encontram, nos modernos
escritores, a construção malsinada, mas não
é para imitar.
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