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LAGOA DO APODI
Apicultores
e pescadores culpam obras
Cezar
Alves
Da Redação
Apodi - A colônia de pescadores, aqüicultores e afins
(Z-48) e a Cooperativa Potiguar de Desenvolvimento Rural Sustentável
(COPAPI) divulgam manifesto em defesa da Lagoa do Apodi, considerada
de fundamental importância para a economia do município.
O documento foi entregue pelo presidente da Coloniza Z48, Francisco
Mário de Carvalho, e pela ministra do Meio Ambiente, Marina
Silva, em Brasília.
O documento faz um retrospecto dos maiores crimes contra a lagoa.
Relacionam quatro investimentos custeados pelo Governo Federal,
que ao invés de desenvolver a economia do município,
se transformaram em prejuízos para a população,
devido a erros de projeto e execução por parte da
Prefeitura Municipal.
O primeiro é uma passagem molhada, construída pela
Prefeitura para permitir o acesso à localidade Urbano, distante
18 quilômetros da sede do município. Esta obra, por
ter sido mal projetada, todo ano é destruída parcialmente
ou em sua totalidade e o material é todo arrastado pela força
das águas para o interior da lagoa.
O segundo destaque negativo para a Lagoa do Apodi é o desmatamento
no Córrego da Missão, sem nenhuma preocupação
ambiental. Neste caso, o assessor de comunicação da
Coopapi, Antônio Eron da Costa, destaca a falta de critérios
na destruição da mata ciliar, que termina por permitir
o aterramento da lagoa.
O outro investimento trata-se do projeto de irrigação
da Chapada do Apodi, que, apesar dos milhões gastos pelo
Governo Federal, nunca funcionou. Foi a grande contribuição
do governo Geraldo Melo para o aterramento das margens da Lagoa
do Apodi e que mudou para sempre a paisagem do Balneário,
local de encontro das famílias de Apodi nos finais de semana,
principalmente, diz o assessor.
O documento cita o Projeto de Construção de um posto
de gasolina dentro das margens da Lagoa, localizada ao lado da BR-405,
Km 78, na curva do Cuaçu, onde a obra foi embargada, mais
nunca tiraram o material que foi colocado dentro da Lagoa. É
necessário que o Ministério Público Estadual
tome providências no sentido que obrigue os agressores a retirarem
os entulhos de dentro do lago, informa o documento.
Mas, nem um outro crime foi tão cruel e devastador como o
Terminal Turístico (calçadão) patrocinado pelo
Governo Federal e encampado como prioridade pela Prefeitura. O projeto
desta obra não respeitou os limites da lagoa. As construções
físicas ficaram dentro e apesar de todos os recursos terem
sido liberados pelo Governo Federal a obra ainda foi concluída.
Com a cheia deste ano, o que havia de alicerce foi destruído.
Nesta obra, a Colônia Z 48 e a Coopapi, informa que o Governo
Federal liberou duas parcelas, uma de R$ 1,26 milhão no dia
30 de agosto de 2006, e outra de R$ 1,3 milhão no dia 17
de agosto de 2007, sendo que se quer a primeira etapa (calçadão)
foi concluída. Pedimos, pelo menos, que as instituições
do Ministério Público Estadual e Federal vejam nossa
situação, cita o assessor Antônio Eron
da Costa.
Entidades
apontam prejuízos para pescadores, apicultores e artesões
A Coopapi e a Colônia Z48 finalizam o documento entregue a
ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, especificando os prejuízos
dos pescadores, apicultores, produtores de artesanato com palha
de carnaúba, entre outros.
Hoje temos um calçadão enterrando as margens
da lagoa, com certeza algo pior contra os que dependem da lagoa
para sua sobrevivência, alguns setores que precisam da lagoa
para sua existência, diz Francisco Mário de Carvalho.
E prejudicando a lagoa está prejudicando a produção
do artesanato, que depende da palha de carnaúba para fornecer
a matéria-prima para produção de urupemba,
vassoura, bolsa, cestos e chapéus, uma herança dos
nossos antepassados os índios paiacus.
Outro setor prejudicado é a pesca, onde tem uma importância
fundamental para o sustento das famílias dos pescadores e
também na economia local.
E por último o setor da apicultura, que produz mel de abelha
em 4.000 mil colméias nas margens da lagoa. Através
da Coopapi o mel é comercializado com a Conab, que doa as
instituições filantrópicas e escolas em sete
municípios da região Oeste.
Prefeito
diz que Terminal está dentro da legalidade
O prefeito José Pinheiro Bezerra, em contato com o JORNAL
DE FATO, disse que a obra do Terminal Turístico, ao contrário
do que informou o presidente da Colônia Z-48, é um
marco do desenvolvimento da região Oeste e do Pólo
da Costa Branca, que para ser concretizada passou pelo crivo de
todos os órgãos de proteção do meio
ambiente e do Ministério do Turismo, portanto, não
aterra a Lagoa do Apodi.
Explica que inicialmente a Prefeitura teve que refazer o projeto
exatamente para atender as normas do Ministério do Turismo.
Antes dos trabalhos começar em 2006, obteve licenças
ambientais do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais
Renováveis (IBAMA), Instituto de Desenvolvimento Econômico
e Meio Ambiente (IDEMA).
Sobre a liberação de R$ 2,56 milhões e a obra
ainda está nas fundações, o prefeito José
Pinheiro disse que não tem sentido algum essa desconfiança.
Explica que os R$ 2,56 milhões foram liberados pelo Ministério
do Turismo e estão numa conta rendendo juros na Caixa Econômica
Federal e só são pagos a empresa que está executando
a obra, de acordo com o que for sendo feito.
Sobre o fato das fundações estarem inundadas e o calçadão
também, o prefeito disse que o que aconteceu em 2008 foi
um inverno anormal, como já havia acontecido em 1985, causando
grandes prejuízos sociais e econômicos no município.
Lembrou, que, se algum cidadão desejar, pode acompanhar através
do site da Caixa Econômica o andamento da obra e a liberação
de recursos.
Finaliza lembrando que está desenvolvendo uma administração
com seriedade, obedecendo todos os parâmetros legais previstos
na legislação brasileira. Sobre as demais obras privadas
e públicas que estariam prejudicando a Lagoa, conforme o
presidente da Colônia Z-48, o prefeito José Pinheiro
observou que é questão que precisam ser discutidas
com seriedade e não com denúncias infundadas.
Governo
decreta estado de emergência
A governadora Wilma de Faria decretou estado
de emergência no Rio Grande do Norte devido à incidência
de casos de dengue registrados no Estado. Segundo o último
boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde Pública
(SESAP), foram notificados quase 20 mil casos. O decreto será
publicado no Diário Oficial do Estado nesta sexta-feira (9).
O decreto atende a uma recomendação passada na manhã
de ontem pelos procuradores da República e promotores de
Justiça do Rio Grande do Norte. Em entrevista coletiva, o
procurador-geral de Justiça, José Augusto, e a procuradora
da República, Carolina Maciel, disseram que o Estado já
deveria ter tomado essas medidas como forma de se evitar o quadro
que se instalou no Estado.
E a Secretaria de Saúde do Governo do Estado concordou com
a recomendação dos promotores federais e estaduais.
Este decreto vai permitir à Secretaria de Saúde
maior flexibilidade na contratação de serviços
e insumos que sejam necessários ao trabalho dos nossos técnicos
em todos os municípios com alto índice de dengue,
explica o secretário de Saúde, Adelmaro Cavalcanti.
A ação inclui outras medidas tomadas pela governadora
para combater a doença como a mobilização dos
gestores municipais. A contratação de pessoal e mais
equipamentos já está sendo providenciada em caráter
de emergência. A idéia é impedir a proliferação
do mosquito na capital e no interior do Estado. O número
de casos registrados este ano assusta as autoridades do poder público
e também da Justiça.
Wilma de Faria também anunciou ontem a convocação
dos prefeitos dos 167 municípios para uma reunião
na próxima segunda-feira (12), às 15h, no auditório
da Emater, no Centro Administrativo. A idéia é dotar
o Estado de um mecanismo único e eficiente de combate a dengue.
Um trabalho sistemático para que um município não
prejudique o trabalho do outro.
Para tanto, a realidade de cada cidade precisa ficar clara para
o Governo do Estado. A governadora quer conhecer a realidade
de cada município, as dificuldades enfrentadas por aqueles
que já apresentam quadro de epidemia e encontrar soluções
conjuntas para frearmos o crescimento da dengue no nosso Estado,
completa Adelmaro.
Prefeito
é condenado por propaganda antecipada
O
Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE/RN) manteve
na sessão da última quinta-feira (8), decisão
do juízo da 8ª Zona Eleitoral de São Paulo do
Potengi, que condenou o prefeito de Riachuelo, Paulo Bernardo de
Andrade Júnior (PSB), pela prática de propaganda eleitoral
antecipada.
Adesivos com a foto do prefeito foram distribuídos pela cidade,
antes do prazo permitido pela lei eleitoral. Não pode haver
propaganda eleitoral antes de 6 de julho. O entendimento unânime
da corte eleitoral também ocorreu no sentido de manter o
pagamento de uma multa no valor de 20 mil Ufirs, com base no artigo
36, Parágrafo 3º da Lei das Eleições (9.504/97).
Entendo que esta decisão é extremamente
importante porque demonstra o rigor do Tribunal Regional Eleitoral
do Rio Grande do Norte em coibir a propaganda antecipada, bem como
o abuso de poder econômico, observa o relator do Recurso
7767/2007, juiz Fábio Hollanda.
O recurso interposto pelo prefeito, conhecido como Júnior
Bernardo, visava reformar a decisão da Zona Eleitoral
e tinha como recorrido o diretório municipal do PMDB de Riachuelo.
Fábio Hollanda entende que o julgamento desta quinta sinaliza
a postura da Justiça Eleitoral no Estado, como esta deverá
se portar nas questões referentes à propaganda irregular,
que desvirtua a disputa, desequilibrando a disputa do voto. Esperamos
coibir as práticas vedadas pela legislação
e garantir a lisura do pleito, para que este transcorra da forma
mais democrática possível, reiterou o juiz da
corte.
Júnior Bernardo alegou em sua defesa que os adesivos com
fotos suas, para serem coladas em veículos, representam tão
somente promoção pessoal, já que deles não
constava nenhuma referência ao pleito do corrente ano. Mas
as provas analisadas pelo TRE/RN demonstraram que os adesivos fazem
clara menção as eleições de 2008.
Para o relator e demais juízes do TRE/RN, que mantiveram
a decisão de primeira instância contrária ao
prefeito, os adesivos visam a promoção do futuro candidato
buscando, desde já, influir na vontade do eleitorado.
Multiplicando o último fator válido para a Ufir, que
era de 1,0631 por 20 mil, a multa aplicada deve ficar no valor de
R$ 21.262,00.

Servidores
da Delmont que não foram demitidos vão receber só
a metade
Ontem,
depois de várias reuniões entre Ministério
do Trabalho, Federação dos Trabalhadores na Agricultura
do Rio Grande do Norte (FETARN), sindicatos rurais e a diretoria
da Delmont Fresh, ficou decidido como serão pagos o período
em que a empresa parou as atividades devido a cheia no Piranhas/Açu
aos mais de 2 mil servidores da empresa que ainda não foram
demitidos.
Já os mais de mil que foram demitidos nas últimas
semanas, a Delmont Fresh informa que todos já foram indenizados,
apesar dos prejuízos causados em quase que 100% das fazendas.
As áreas mais atingidas estão localizadas entre os
municípios de Assu e Carnaubais e são exatamente nestes
municípios que aconteceram o maior número de demissões.
Esta informação é da presidente do Sindicato
dos Trabalhadores Rurais de Carnaubais, Elizabete Silva. A sindicalista
participou ontem das negociações em Natal para os
servidores que não foram demitidos. Ao final dos debates,
segundo Elizabete, chegou ao consenso de que a empresa deveria pagar
R$ 50% do valor do salário aos servidores que vão
continuar trabalhando na empresa, porém, que neste mês
de abril não trabalharam devido à cheia no rio Piranahs/Açu.
Elizabete Silva se mostrou mais preocupada com os pequenos proprietários
de terras que cultivam na região da várzea. Alguns
perderam tudo, até os animais e não tem como recomeçar
a não ser com ajuda governamental. Outra preocupação
é com os pequenos e médios produtores que haviam contraído
empréstimos junto ao Bando do Nordeste para produzir na região.
Como perderam tudo, não terão como pagar.
E o Banco do Nordeste já avisou que não exista perdão
de dívida. O banco já informou que os trabalhadores
terão que pagar nem que sejam em 100 anos. Segundo
Elizabete, o que o Banco do Nordeste está propondo é
que os trabalhadores rurais renegociem os débitos para que
o banco disponibilize outros recursos para os pequenos produtores
retomar a produção.
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