

O
que fazer depois da graduação?
Armando Terribili Filho
Todos sabem da importância em obter um diploma de curso superior,
pois, além de representar um reconhecimento social, é
condição mínima para a inserção
e competição no mercado de trabalho primário.
Se nos anos 60 o sonho da família brasileira era a conquista
da casa própria e do automóvel, nos 70 a conquista
do diploma em nível superior virou o alvo de milhões
de jovens brasileiros. A partir desse período, como o Estado
não conseguia oferecer vagas em universidades públicas
para acompanhar a demanda existente, houve uma verdadeira explosão
dos cursos nas instituições particulares, sobretudo
no período noturno.
A expansão quantitativa das faculdades e dos cursos noturnos
não foi acompanhada da qualidade necessária. Essa
situação permeou boa parte das instituições
de ensino do País e teve seu reflexo na formação
dos nossos estudantes, nos aspectos profissional, social, cultural
e ético. É importante destacar todas essas dimensões,
uma vez que a grande maioria dos estudantes busca no curso superior
exclusivamente a formação profissional: desenvolver
habilidades, conhecer técnicas e ferramentas para o exercício
de sua profissão. Visão míope, porque o papel
do curso superior é desenvolver o ser pensante, crítico,
reflexivo e transformador da sociedade em que vive.
Quando o jovem termina o curso de graduação, surge
a dúvida: e agora, o que fazer? É importante uma pós-graduação,
um MBA (Master Business Administration)? Ou seria mais adequado
um mestrado? Seria oportuno esperar alguns anos para "amadurecer"
antes de fazer uma especialização? Infelizmente, as
faculdades pouco orientam acerca dos possíveis caminhos a
seguir. A propósito, poucos estudantes dos últimos
anos de graduação sabem distinguir um curso de extensão
de um curso de pós-graduação. Evidentemente,
que o caminho a ser trilhado pelo jovem depende do seu plano de
carreira; entretanto, alguns conceitos são importantes para
a realização de uma análise e a tomada de decisão
quanto à escolha do caminho certo.
Um curso de extensão é destinado a graduados e não-graduados,
por isso não é considerado pós-graduação.
Esse tipo de curso pode ter qualquer duração (em número
de horas) e, ao final, o aluno recebe um certificado de conclusão.
Já a pós-graduação é dividida
em "lato sensu" e "stricto sensu" e constituída
por um ciclo de atividades regulares que visam aprofundar os conhecimentos
adquiridos pelos estudantes na graduação. Os cursos
"lato sensu" são regulados pelo MEC (Ministério
da Educação) e têm no mínimo 360 horas
de duração, enquadrando-se nesta modalidade os cursos
de especialização e aperfeiçoamento e os MBAs.
Ao término do curso, o aluno recebe um certificado de conclusão
depois da apresentação de uma monografia. Os processos
seletivos para os cursos "lato sensu" são, em geral,
efetuados por meio de análise curricular e entrevistas.
Os cursos de pós-graduação "stricto sensu",
denominados mestrados e doutorados, são avaliados pela Coordenação
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Tais cursos objetivam a competência científica, contribuindo
para a formação de docentes e pesquisadores. Há
também o mestrado profissionalizante que objetiva a formação
de profissionais para o mercado de trabalho, articulando atividades
de ensino com aplicações de pesquisas de forma diferenciada.
A duração máxima destes cursos varia de programa
para programa, porém um curso de mestrado tem atualmente
duração média de dois anos - o de doutorado,
de quatro anos. A pós-graduação "stricto
sensu" forma mestres e doutores, que recebem diploma com a
referida titulação acadêmica, após a
defesa de dissertação (para o mestrado) ou de tese
(para o doutorado) diante de bancas examinadoras formadas por membros
(de três a sete) com titulação mínima
de doutor.
Os processos seletivos para os cursos de mestrados e doutorados
são rigorosos e a relação candidato/vaga é
muito superior à mesma relação encontrada nos
cursos de graduação, havendo exigências quanto
à apresentação prévia de projetos de
pesquisa, fluência em línguas estrangeiras, realização
de provas específicas, avaliação de currículo
pessoal, entrevistas, e disponibilização mínima
de tempo para a realização de estudos e pesquisas.
Embora algumas instituições permitam que um estudante
se candidate a um curso de doutorado mesmo sem ter o título
de mestre, isso não é comum, já que o nível
de exigência para esta situação é comumente
muito elevado.
Para sua tomada de decisão, o jovem deve descobrir se quer
ter uma especialização em seu segmento de atuação
ou buscar conhecimento complementar à sua área. Cabem
algumas recomendações: (1) esqueça que para
fazer um curso depois da graduação você deve
esperar para ganhar experiência profissional - isso é
um paradigma que precisa ser mudado. Você vai estudar a vida
toda, buscando complementação de conhecimento, atualizações
e "networking". Quanto antes começar, melhor preparado
estará; (2) não há limite de idade para se
reencontrar com os livros - esqueça o termo "reciclagem"
e pense em "atualização ou educação
continuada"; (3) o curso escolhido deve estar alinhado com
seus objetivos, interesses e plano de carreira; (4) antes de se
inscrever em um processo seletivo, busque opiniões de pessoas
que fizeram o curso, pesquise o conteúdo programático
e faça uma entrevista com o coordenador do curso para entender
a proposta pedagógica; (5) verifique se o curso é
totalmente presencial ou se há uma porção na
modalidade "a distância"; (6) não se esqueça
da importância da língua inglesa - que em muitas profissões
é pré-requisito para seu crescimento e desenvolvimento;
(7) em algumas áreas, como Tecnologia da Informação,
as certificações são distintivos altamente
valorizados e reconhecidos no mercado.
Qualquer que seja o curso escolhido, lembre-se de que seu sucesso
depende de você. Da sua determinação e capacidade
de realizar pesquisas, relacionar-se com os outros, e efetuar entregas
no prazo e com alto padrão de qualidade. Estude sempre e
invista em você e no seu crescimento pessoal e profissional.
Armando
Terribili Filho
é diretor de projetos da Unisys Brasil.
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