

FICHA SUJA
TCE
divulga lista negra dos políticos
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande
do Norte (TRE-RN) conseguiu, ontem, mais combustível para
a proposta de negar o registro de políticos com "ficha
suja". A corte recebeu a lista de políticos que respondem
a processos considerados graves, por causa de irregularidades nas
contas de suas gestões em prefeituras e Câmaras de
vereador de todo o Estado.
A lista foi elaborada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). Ela
reúne 118 nomes de ex-prefeitos e ex-presidentes de câmaras
municipais. No ofício em que encaminhou a relação
de políticos com ficha suja, o presidente do TCE, conselheiro
Paulo Roberto Chaves Alves, disse que todos os apontados na lista
negra do órgão apresentaram irregularidades insanáveis
e que não cabe mais recurso.
"Tiveram suas contas relativas ao exercício de cargos
ou funções públicas rejeitadas por irregularidade
insanável e por decisão irrecorrível desta
Corte de Contas", afirmou o presidente do TCE, através
do ofício número 373/2008, endereçado ao presidente
do TRE-RN, desembargador Cláudio Santos.
A lista negra do TCE foi dividida em dois grupos. No primeiro, ficaram
os ex-prefeitos e ex-presidentes de Câmaras cujos processos
já estão na fase de execução. No segundo,
estão os que são alvo de processo que estão
para executar, mas já tem parecer desfavorável.
Vários políticos da região de Mossoró,
e que pretendem disputar cargos públicos nas eleições
deste ano, aparecem na lista negra do TCE. É o caso do ex-prefeito
Francisco Nilton Pascoal de Figueiredo, da cidade de Pau dos Ferros.
Ele responde ao processo número 12481, do ano de 2003, por
irregularidades nas contas de sua gestão na prefeitura. O
processo está para ser executado e gerou multa de R$ 2.790,00.
Nilton já homologou candidatura a prefeito de Pau dos Ferros.
Ele está matriculado no Partido Progressista (PP), e vai
tentar voltar a administrar a cidade, enfrentando o prefeito Leonardo
Rego (DEM).
Na cidade de Areia Branca, o ex-prefeito José Bruno Filho
responde ao processo 9352, por irregularidades nas contas de sua
gestão na prefeitura, no ano de 1997. O débito a ser
regularizado por Bruno, que este ano pretende ser candidato a vice-prefeito,
na chapa encabeçada pelo prefeito Manoel Cunha Neto (PP),
que tenta a reeleição, é de R$ 189.768,04.
Outro político da região de Mossoró que entrou
na lista negra do TCE foi o ex-prefeito de Tibau, Sidrônio
Freire. Ele pretende voltar a governar o município, se candidatando
pelo PMDB. Sidrônio apareceu por causa do processo 5354, que
apontou irregularidades nas contas de sua gestão no ano de
1998. O débito chega a R$ 18.528,95.
No município de Umarizal, também no Oeste Potiguar,
estão na lista negra do TCE os ex-prefeitos Manoel Paulo
Cavalcante e Maria de Loreto Amorim Lino. Os dois tiveram as contas
rejeitas, por irregularidades apontadas nos processos, respectivamente,
3888, do ano de 2000, e 1170, do ano 1999. Manoel Paulo tem débito
calculado em 1.198,41. Maria de Loreto precisa ressarcir os cofres
públicos em R$ 95.066,44.
De Mossoró apenas um político apareceu na lista negra
do TCE. O ex-vereador Vicente de Souza Rego teve rejeitadas as contas
de sua gestão como presidente da Câmara Municipal,
nos anos de 1999 e 2000. As irregularidades estão apontadas
nos processos 181 e 6569. Vicente Rego foi condenado a pagar duas
multas. A primeira no valor de R$ 32.788,46 e a segunda de R$ 18.275,65.
Justiça vai analisar casos de políticos isoladamente
O político que estiver na lista negra do Tribunal de Contas
do Estado (TCE) não estará, imediatamente, proibido
de disputar um mandato público nas eleições
deste ano. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte
(TRE-RN) vai orientar os juízes eleitorais, que serão
os responsáveis pelo acatamento ou não do registro
das candidaturas, a analisar cada caso isoladamente.
A lista elaborada pelo TCE será encaminhada, já na
próxima semana, para todos os juízes das 69 zonas
eleitorais do Estado. O Ministério Público Eleitoral
(MPE) vai receber o mesmo documento. A Assessoria de Imprensa do
TRE-RN disse que a corte espera uma atuação rígida
dos promotores de Justiça na avaliação do material
enviado pelo TCE, para que seja pedido ou não a anulação
do registro de candidatos com ficha suja.
O prazo para que os partidos políticos registrem candidaturas,
nos cartórios eleitorais de cada zona, termina hoje. O TRE-RN
vai manter os cartórios funcionando até às
19h, para facilitar o atendimento. Os juízes terão
até o dia 16 de agosto para decidir sobre os pedidos de candidaturas.
Procurador
pede impugnação de candidatos que tem a ficha suja
Fausto Macedo
Agência Estado
São Paulo - "Candidatos que ostentem condenações
criminais, eleitorais ou por improbidade administrativa, já
confirmadas pelos tribunais, são passíveis de impugnação,
ainda que as referidas decisões não tenham transitado
em julgado", destaca texto da Recomendação 01/08
da Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) de São Paulo. A
meta é jogar duro com políticos com antecedentes,
ainda que não tenham sofrido condenação judicial
definitiva. A PRE também estuda divulgar em seu site a ficha
suja dos candidatos.
A Recomendação 01 entrou em vigor na segunda-feira
(30), a menos de uma semana da largada das eleições
municipais, e tem sustentação em três artigos
da Lei Complementar 75/93 (Lei Orgânica do Ministério
Público Federal) e em outros dois artigos do Código
Eleitoral. Foi preparada por Luiz Carlos dos Santos Gonçalves,
procurador da República que assumiu o comando da PRE em maio.
O Ministério Público Eleitoral tem 5 dias, contados
da publicação da lista dos candidatos, para propor
a ação - conforme impõe a Lei 64/90 (Lei das
Inelegibilidades).
Barbosa avalia que a recomendação "defende situação
bastante equilibrada, que naturalmente permite aos candidatos se
defenderem". "Mas há um momento em que a Justiça
Eleitoral tem de ter um mínimo de efetividade", assinala.
"O registro naquelas condições não pode
ser admitido pela Justiça Eleitoral". O procurador anota
que a antiga Lei Complementar nº 5, de 1970, já afastava
do pleito o político contra o qual pesava denúncia.
A ofensiva da PRE se baseia na Lei 9.504/97 (Lei das Eleições),
que traz as exigências para o registro dos candidatos. Entre
elas, se incluem as certidões criminais fornecidas pelos
órgãos de distribuição da Justiça
Eleitoral, Federal e Estadual.
Garibaldi
diz que candidato com ficha suja pode ser inelegível
Apesar de não haver tempo para o Senado
votar, antes das eleições, o substitutivo do senador
Demóstenes Torres (DEM-GO) que torna mais rigorosa a Lei
das Inelegibilidades, o presidente do Senado, Garibaldi Alves, diz
que isso não servirá para tranqüilizar nenhum
candidato "de ficha suja". Em sua opinião, os tribunais
eleitorais e o Tribunal de Contas da União (TCU) estão
agindo para que isso não aconteça.
"Presidente, isso significa que os tribunais vão legislar
em razão da demora do Congresso em votar esse pacote destinado
a moralizar o processo eleitoral?", indagou um jornalista quando
Garibaldi chegou, na manhã desta sexta-feira (4), ao Senado.
"Realmente, vai ser difícil aprovar o substitutivo que
altera a Lei das Inelegibilidades para que ele tenha aplicabilidade
nestas eleições. E aí, é recorrer aos
tribunais. Não que eles estejam legislando. Mas eles baixam
resoluções sobre o assunto. O Tribunal de Contas da
União, por exemplo, está distribuindo uma listagem
de quem teve contas rejeitadas. Essas medidas possibilitam aos tribunais
eleitorais que estes busquem a inelegibilidade de determinados candidatos",
respondeu.
A Comissão de Constituição, Justiça
e Cidadania (CCJ) do Senado examina na terça-feira (8) substitutivo
que aglutina 21 projetos impondo normas mais rigorosas para determinar
a inelegibilidade de candidatos. Na opinião do presidente
do Senado, essas normas já deveriam estar valendo há
muito tempo.
"A nova lei já deveria estar em vigor. O Congresso já
deveria ter possibilitado a regulamentação da lei
que trata da vida pregressa dos candidatos. Como até agora
não se regulamentou, vamos em frente com o que aí
está", disse Garibaldi.
Na mesma entrevista, o presidente do Senado voltou a falar dos esforços
que a Casa deve fazer para votar após o recesso, que vai
de 18 a 31 de julho. Em sua opinião, será possível
organizar um esforço concentrado para a realização
de votações importantes.

Presidente
do STF cobra revisão para a lei que protege o sigilo
Fausto Macedo
Agência Estado
São Paulo - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),
ministro Gilmar Mendes, disse ontem (4) que fica "irado, indignado"
com o vazamento de informações protegidas pelo sigilo
e defendeu nova lei do grampo. Ao ser informado de que policiais
federais ficaram irados com as críticas que ele fez, atribuindo-lhes
divulgação de dados confidenciais de investigações,
o ministro declarou: "Lamento muito, mas na verdade todos nós
estamos numa posição de bastante desconforto com essa
situação. Todos nós também ficamos irados
com toda exposição a que estão submetidos homens
públicos a partir de determinadas atitudes que são
imputáveis ao aparelho policial".
As reprovações ao ministro foram feitas por sindicalistas
que dirigem entidades de classe da Polícia Federal e que
representam os efetivos da corporação. O delegado
Amaury Portugal, presidente do Sindicato dos Delegados da Polícia
Federal em São Paulo, em artigo publicado no jornal "O
Estado de S. Paulo", assinalou que "os policiais federais
exigem respeito". Ele acentuou que "o ministro merece
reprimendas".
Em São Paulo, onde se reuniu com os presidentes dos 5 Tribunais
Regionais Federais (TRFs), Mendes não recuou e voltou a apontar
para agentes federais quando condenou a violação do
segredo sobre escutas telefônicas e outros dados pertinentes
a inquéritos. "Quando há vazamento de informação
que realmente coloca pessoas dignas sob os maus olhos da população,
exatamente porque se quer manipular, nós realmente ficamos
indignados, todos nós ficamos indignados".
Ao comentar decisão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
de interpelar o ministro da Justiça, Tarso Genro, segundo
o qual advogados espalham dados sigilosos, o presidente do STF afirmou
que o modelo de interceptação telefônica, "tal
como vem sendo praticado, já vem dando sinais de exaustão".
Ele cobrou responsabilidade e revisão da lei do grampo. "É
preciso que o País discuta isso com alguma seriedade e é
preciso realmente cobrar uma certa responsabilidade na divulgação
desses fatos, obedecer a alguma disciplina. Vivemos situações
extremamente constrangedoras e deletérias para a credibilidade
da própria Justiça".
Geraldo
Alckmin busca voto entre os eleitores de Paulo Maluf em São
Paulo
São Paulo (AE) - Com um discurso afiado
sobre os benefícios que fez quando governador para os taxistas
de todo o Estado, o candidato do PSDB à Prefeitura de São
Paulo, Geraldo Alckmin, foi buscar votos hoje (5) no sindicato da
categoria na capital, um histórico reduto malufista. São
cerca de 30 mil os taxistas na capital.
"Pelo reconhecimento da importância do serviço
que vocês prestam, nós nos empenhamos para tirar o
ICMS na aquisição de carros novos pelos taxistas.
Foi uma das primeiras medidas do meu governo", disse Alckmin
ao iniciar seu pronunciamento para cerca de cem pessoas. Em 2001,
o tucano reduziu de 12% para zero o imposto estadual na renovação
da frota.
Ao exaltar seu feito, Alckmin mirou a adversária do PT, Marta
Suplicy, numa crítica direta ao principal cabo eleitoral
da petista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "E
o que nós vemos na Câmara Federal? O governo federal
criar mais um imposto, a CSS (Contribuição Social
para a Saúde). Agora, só estão esperando passar
as eleições para aprová-lo no Senado",
provocou.
A dois dias do início oficial da campanha eleitoral, o pedido
de voto da categoria para o tucano, embora disfarçado, partiu
do candidato a vice-prefeito de Alckmin, deputado estadual Campos
Machado (PTB), sócio-honorário do sindicato. "Venho
aqui trazer comigo essa figura que merece o nosso respeito",
disse. Depois de muitos elogios ao ex-governador, Campos chamou
os taxistas para a campanha: "Esse exército, a partir
de domingo, vai convocar a família, os vizinhos, os parentes
para essa grande batalha".
No episódio da isenção do ICMS para taxistas,
Alckmin fez questão de destacar seu esforço pessoal
na empreitada. "Liguei para todos os governadores pedindo para
que orientassem seus secretários da Fazenda a não
dificultarem a aprovação da medida no Conselho dos
Secretários da Fazenda". O apoio dos taxistas é
bastante disputado nas eleições municipais. O tucano
rasgou elogios à categoria. "Vocês são
o cartão de visita da cidade".
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