

Aquela noite de carnaval
Toda de
manhã, depois que assino o ponto no trabalho, dou uma voltinha
pelo centro da cidade, minutos, à procura de assunto para
a crônica do dia. Mais na intenção de cruzar-me
com algum conterrâneo dos velhos tempos, que os da minha idade,
ou mais velhos, sempre me avivam lembranças, coisas de que
eu já havia esquecido, pois não sou lá muito
seguro de memória.
E é o que vem a suceder, uma vez ou outra. Nem sempre, porém,
se dá a conversa entre nós, porque o conterrâneo
vem aqui com pressa de ir ao doutor, tratar de algum negócio,
qualquer coisa assim. Mas, mesmo assim, quase sempre há insinuação,
da parte do conterrâneo, de ter alguma coisa a comentar comigo,
tão logo seja dada a oportunidade, quem sabe lá mesmo
em Areia Branca.
Mas hoje não foi tanto assim; um amigo da minha infância
que eu não avistava havia um pedaço de tempo, sentou
comigo numa lanchonete, que escolhemos pela reduzida presença
de fregueses, assim poderíamos conversar mais à vontade.
E foi logo ele me perguntando se eu me lembrava bem dos bailes de
carnaval na Prefeitura, e me trouxe coisas já soterradas
na minha lembrança.
Sim, me lembrava muito bem dos bailes de carnaval da Prefeitura,
lhe disse, mas que de há muito me haviam fugido da memória
aquelas coisas que ele me contava, e era como se ainda estivesse
vendo. Um escândalo, por exemplo, provocado por uma determinada
senhora da sociedade, com ciúme do marido, que supunha de
amores com uma certa senhorita do mesmo ombro social. Foi um pega
dos diabos.
A senhorita, me lembro bem, era muito bonita, estudava fora, uma
verdadeira beldade, que o leitor chamará se quiser, uma fada,
uma deusa, e depois dessa confusão poucas vezes, pouquíssimas,
veio à cidade, dos seus estudos em Natal, envergonhada do
escândalo, talvez. Mas concluindo. O amigo se despediu para
sua consulta médica, e eu voltei para o trabalho a recordar
detalhes do excesso de ciúme, naquela noite de carnaval.
Pesquisas
Candidata à prefeitura de Natal, a deputada Fátima
Bezerra continua caindo nas pesquisas de opinião pública,
à medida que sobe sua adversária, Micarla. Bem pode
ser efeito da sua (dela, Fátima) incoerência política,
que um eleitor mais esclarecido, como se supõe o da Capital,
não pode aceitar.
Pasto
Ano de eleição, pasto farto para boquirrotos e boateiros,
tradicionais e do tempo.
Escaramuça
O povo quer saber no que deu, ou vai dar, a escaramuça contra
a câmara municipal de Mossoró.
LINGUAGEM
Leitor do Jornal
de Fato quer saber qual é feminino de oficial de justiça.
Pode parecer estranho, mas é "oficiala de justiça",
como o feminino de bacharel é bacharela e o de coronel coronela.
Entretanto, os nomes terminados em -NTE podem ser usados como comuns-de-dois:
o/a estudante, o/a comandante. Com igual acerto, flexionam-se tais
substantivos: o comandante, a comandanta, o presidente, a presidenta,
o parente, a parenta. O substantivo "chefe" é sempre
comum-de-dois: o chefe, a chefe. Quer dizer, não sofre flexão
(chefa). Por igual, "hóspede": o hóspede,
a hóspede.
|