

Para
quem queria refinaria
de petróleo
Neste
modesto espaço defendi que a chamada "classe política"
do Rio Grande do Norte estava equivocada quando queria disputar
a refinaria de duzentos mil barris de petróleo/dia com Pernambuco.
Indústria que faz produto final fica perto do consumidor
e não necessariamente perto das fontes de matéria-prima.
Especialmente quando as fontes não têm a matéria-prima
necessária. O Rio grande do Norte produz menos de cem mil
barris de petróleo/dia, consome muito menos e queria uma
refinaria de 200 mil barris/dia, disputando com Pernambuco que tem
um grande mercado consumidor num raio de 200Km com Recife e sua
populosa região metropolitana, mas João pessoa e Maceió,
além de ser a terra do presidente da República, já
que insistem nesse argumento nada técnico e é também
o berço de Abreu e Lima, herói venezuelano, ídolo
de Hugo Chávez, cuja petrolífera PDVSA vai entrar
com metade do investimento e quase todo o óleo a ser refinado.
Bradei aqui como quem brada no deserto, contra o coro dos insensatos
e dos bravateiros de plantão. Dizia diariamente que se o
RN queria uma refinaria que começasse a encarar Guamaré
como tal e reivindicasse a sua transformação em refinaria
de gasolina, pois que ali já funcionam plantas industriais
onde são produzidos óleo diesel, querosene de aviação,
gás natural, GLP (gás de cozinha) e biodiesel. Como
pouco conhecedor do assunto defendi que poderíamos facilmente
chegar a 50 mil barris de petróleo/dia. Agora vejo no site
do Governo do Estado que minha tese estava correta e que podemos
ir mais longe. Nada menos que 80 mil barris/dia, o que transforma
o pólo industrial da cidade em uma refinaria e planta a semente
definitiva de um pólo petroquímico de altíssimo
valor. Para nós leigos termos uma idéia mínima
da força dessa refinaria de 80 mil barris, basta entender
que um barril representa 159 litros e que 80 mil deles contém
nada menos que 12 milhões, 720 mil litros diários,
ou seja, 424 carretas-pipa de combustíveis diariamente. É
mais importante do que a Petrobras tinha na Bolívia. O anúncio
lança por terra a discurseira das "compensações".
O RN não precisava de compensações, pois a
presença da Petrobras já por demais positiva para
nosso Estado. Para que "compensações periféricas,
se podíamos ver viabilizada a um custo baixíssimo,
a nossa própria refinaria? Mas uma refinaria do tamanho do
RN, da sua produção petrolífera, das suas reais
potencialidades de produção e consumo. O fato é
que com essa conquista o RN sai da área de exploração
para a área de produção da Petrobras. Isto
para os leigos pode não dizer nada, mas é uma mudança
de grande impacto. Além disso, o RN vai passar a materializar
o seu sonho frustrado por José Serra quando senador, de receber
uma grana grossa de ICMS de petróleo. Queríamos o
ICMS do petróleo bruto e ele não deixou passar no
Senado. Agora teremos o ICMS da gasolina e de tudo o mais que ali
se produz e se poderá vir a produzir.
Estratosféricos
Os juros básicos aumentaram 0,5% na última reunião
na reunião do Comitê de Política Monetária
(COPOM). Foi para 12,25%. Ouvi Joelmir Beting, comentarista econômico
que admiro e respeito. Ele dizia que os juros brasileiros agora
são estratosféricos. É bem verdade que ainda
é o mais alto do mundo. Só acho que para ser sincero,
meu querido Beting deveria lembrar que quando Lula assumiu a taxa
era de 24,%. Exatamente o dobro de hoje. Portanto, se os juros hoje
são estratosféricos, o que dizer do período
tucano. Tudo bem. Mas o que deixa qualquer cidadão sério
indignado é que quem critica o governo Lula pelos juros altos
está a serviço dos tucanos e demos que no governo
deixaram as taxas no dobro de hoje. Na imprensa brasileira, hoje
falta seriedade até mesmo aos mais sérios jornalistas.
Quem quiser sobreviver num órgão da grande imprensa
tem que beijar o cinturão do dono. Que o digam Paulo Henrique
Amorim e Franklin Martins.
Fotolegenda
"Se
eu falar cai a república paulista". Eis a frase lapidar
de Paulinho Pereira, da Força Sindical, deputado federal
acusado de corrupção num esquema que estaria arrancando
dinheiro do BNDES. Ele abriu o jogo na Folha de S.Paulo, acusou
José Serra sem meias palavras, mas guardou as informações
mais pesadas para quando o coisa pesar mais contra ele. Acredito
piamente que tudo vai maneirar daqui para frente. Todos sabem como
Serra age. Que o digam Tasso Jereissati, Paulo Renato, Roseana Sarney,
Ciro Gomes e até mesmo Aluísio Mercadante, vítima
maior de um dossiê "comprado" por petistas e que
nunca apareceu, não consegui derrotar Lula, mas conseguiu
garantir a vitória de Serra contra Mercadante.
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