

CAMPANHA
Vinda
de Lula gera avaliação diferente
Julierme Torres
Da Redação
A confirmação da vinda do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) para participar das campanhas de Natal e Mossoró,
em favor, respectivamente, das candidaturas de Fátima Bezerra
(PT) e Larissa Rosado (PSB), provocou reações diferentes.
O deputado federal Betinho Rosado (DEM) enxerga uma fragilidade
nas duas candidatas. Já o deputado estadual Fernando Mineiro
(PT) fala em fortalecimento.
Betinho Rosado disse que a liderança política do presidente
Lula é inegável. O deputado admitiu que a vinda do
líder petista, que mantém a popularidade pessoal acima
dos 70% (conforme última pesquisa CNI/Ibope), deve agregar
votos para as candidaturas de Larissa Rosado e Fátima Bezerra.
Porém, ele questiona a força das duas para o restante
da campanha.
"Uma candidatura que para começar precisa do esteio
de uma liderança de fora, é porque não tem
força própria. Já começa com dificuldade",
disparou Betinho Rosado, que em Mossoró apóia a candidatura
à reeleição da prefeita Fafá Rosado
(DEM) e em Natal estará no palanque da candidata Micarla
de Souza (PV).
Essa interpretação de Betinho Rosado é contestada
pelo deputado estadual Fernando Mineiro (PT). O parlamentar disse
que a vinda de Lula a Natal e Mossoró mostra o compromisso
do presidente com essas duas candidaturas, e que as candidaturas
de Fátima Bezerra e Larissa Rosado são estratégicas
para o projeto nacional do PT e do presidente.
Mineiro disse estar consciente que a campanha é municipal,
mas acredita que será possível mostrar para a população
de Natal e Mossoró que o presidente Lula enxerga esses dois
municípios como estratégicos para o projeto nacional.
"São duas campanhas que estão articuladas com
o nosso projeto nacional", afirmou o deputado.
De acordo com Mineiro, a estratégia discutida com a executiva
nacional do PT para Natal e Mossoró não passa apenas
pela vinda de Lula. O deputado disse que esse projeto está
sendo formatado, mas a tendência é que os principais
nomes nacionais do PT e do PSB se revezem para participar da campanha
nos dois maiores colégios eleitorais do Rio Grande do Norte.
Entre esses nomes nacionais está o da ministra-chefe da Casa
Civil, Dilma Roussef (PT), que é apontada como potencial
candidata à Presidência da República em 2010,
com o apoio de Lula. A vinda de Dilma Roussef já foi abordada
durante a reunião que a governadora Wilma Maria de Faria
(PSB) teve com o presidente, no Palácio do Planalto, na última
quarta-feira. Também participaram dessa reunião o
senador Garibaldi Filho (PMDB), o deputado federal Henrique Eduardo
Alves (PMDB), o prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PSB) e
as deputadas federais Fátima Bezerra (PT) e Sandra Rosado
(PSB).
AGENDA
A vinda do presidente Lula para participar das campanhas em Natal
e Mossoró será agendada dentro do intervalo de 10
a 20 do mês de agosto. A data foi sugerida pelo presidente,
por coincidir com seu retorno ao Brasil, depois da viagem oficial
que fará à China, para participar da abertura dos
jogos Olímpicos.
Lula
vai encontrar a sua base dividida
Quando chegar a Mossoró, para participar da campanha a prefeito
da deputada estadual Larissa Rosado (PSB), o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) vai encontrar a base de apoio dividida em três
candidaturas. Os partidos que dão sustentação
ao Governo Federal estão presentes também no palanque
da candidata Fafá Rosado (DEM) e Renato Fernandes (PR).
No palanque de Larissa Rosado, o presidente vai encontrar, além
do PSB, o seu PT, que indicou o candidato a vice-prefeito, Tércio
Pereira, o PRB, o PMN e o PP. Lula terá, ainda, que conviver
com os tucanos do PSDB. Já o candidato Renato Fernandes,
é filiado ao PR, que também está no Governo
Federal, e conta com o apoio do PC do B, um aliado histórico
dos petistas.
A candidata Fafá Rosado, embora matriculada no Democratas
e com o apoio do senador José Agripino Maia, que lidera a
oposição ao Governo Lula no Senado, tem em seu palanque
o PMDB. O senador Garibaldi Filho (PMDB) e o deputado federal Henrique
Alves (PMDB), que são aliados do presidente, estão
apoiando a reeleição da prefeita.
Até mesmo o deputado federal Betinho Rosado, que é
filiado ao DEM, se considera um aliado do presidente Lula. O parlamentar
disse que não vai, junto com Garibaldi e Henrique Alves,
tentar evitar a participação de Lula na campanha de
Mossoró. "Não podemos tentar impedir essa vinda
do presidente", admitiu.
Fafá
oficializa mudanças na equipe e diz que política não
vai afetar ações
A prefeita Fafá Rosado (DEM) confirmou,
ontem, três mudanças no primeiro escalão do
Governo Municipal. Ela exonerou os auxiliares que vão se
integrar à coordenação de sua campanha pela
reeleição, e empossou novos titulares para a chefia
de Gabinete, Secretaria de Serviços Urbanos, Trânsito
e Transportes Públicos, e Gerência do Desenvolvimento
Social.
Na chefia de Gabinete, Fafá Rosado exonerou Gustavo Rosado,
que estava no cargo desde o início do mandato, em 1º
de janeiro de 2005. Ele será substituído pela gerente
de Expediente do Palácio da Resistência, Edna Paiva.
Ela já vinha assumindo o cargo, esporadicamente, nas ausências
de Gustavo.
Gustavo Rosado está deixando a administração
municipal para assumir a coordenação executiva da
campanha de Fafá Rosado. Ele vai liderar o grupo que trabalha
a parte prática da campanha, com a organização
das mobilizações e viabilização da estrutura.
Fátima Moreira vai atuar nesse mesmo grupo. Ela está
deixando a Gerência do Desenvolvimento Social para se dedicar
à equipe de mobilização da campanha da prefeita,
função que também desempenhou na campanha de
Fafá Rosado, em 2004. Será substituída pela
assistente social Fernanda Kalline, que já vinha respondendo
pela Diretoria de Promoção Social da Gerência.
Já o titular da Secretaria de Serviços Urbanos, Alex
Moacir, está deixando o cargo para ser o responsável
pela agenda da candidata Fafá Rosado durante o período
eleitoral. Ele também desempenhou essa função
em 2004. Será substituído pelo engenheiro Ossivaldo
Júnior, que vinha respondendo pela Gerência de Desenvolvimento
Urbanístico.
Ossivaldo Júnior é um nome da cota da ex-deputada
estadual Ruth Ciarlini (DEM), que será a candidata à
vice-prefeita, na chapa de Fafá Rosado. Ele começou
na administração municipal respondendo pela pouco
visível Gerência de Serviços Urbanos. Este ano
foi "promovido" para a Gerência de Desenvolvimento
Urbanístico que, até então, era ocupada pelo
engenheiro Marco Célio Nogueira, cunhado da prefeita.
Para o lugar de Ossivaldo na Gerência de Desenvolvimento Urbanístico,
a prefeita optou por um nome técnico. Ela nomeou o arquiteto
Alexandre Lopes, que já estava na equipe da pasta. Ele vinha
respondendo pelo Setor de Controle Urbanístico.
SOLENIDADE
O ato em que Fafá Rosado formalizou as mudanças no
secretariado foi restrito, aconteceu no Palácio da Resistência,
no final da manhã. A solenidade foi restrita e rápida.
Compareceram, além dos nomes que estavam sendo desligados
e incorporados ao primeiro escalão, apenas a prefeita, o
secretário de Administração e Recursos Humanos,
Manoel Bezerra da Costa, e o assessor de Comunicação
Social, Carlos Scarlack.
No final da solenidade, Fafá Rosado disse que os auxiliares
que estavam deixando a administração tinham contribuído
de forma positiva com a cidade. Para justificar a mudança,
ela afirmou que não iria aceitar que o período eleitoral
tivesse influência nas ações de governo, e cobrou
empenho dos novos auxiliares para evitar quebra no ritmo das ações.

Lula
promete sancionar lei do piso salarial dos professores até
dia 16
Elina Rodrigues
Pozzebom
Agência Senado
Os presidentes do Senado Federal, Garibaldi Alves Filho, e da Câmara
dos Deputados, Arlindo Chinaglia, acompanhados de deputados, senadores
e representantes de entidades ligadas à educação,
entregaram nesta quinta-feira (3) ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, no Palácio do Planalto, o substitutivo da
Câmara ao projeto de lei (PLS 59/04) que institui o piso salarial
nacional para os professores da educação básica.
A matéria, que fixa o piso salarial nacional em R$ 950, foi
aprovada no Senado na noite de quarta-feira.
O presidente deve sancionar o projeto entre os dias 15 e 16, antes
do recesso parlamentar, quando retornar da viagem ao Japão,
onde participará de reunião do G8+5 para discutir
as mudanças climáticas e os problemas econômicos
mundiais.
O autor do projeto, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), comemorou:
"O piso nacional amarrou a categoria, o professor não
é mais municipal ou estadual, embora 950 reais não
seja um salário suficiente", disse o senador.
Indagada sobre a possibilidade de os governadores alegarem não
ter recursos para elevar os salários dos professores, a líder
do bloco de apoio ao governo, Ideli Salvatti (PT-SC), que organizou
o encontro, lembrou que o projeto foi negociado por muito tempo
na Câmara dos Deputados por representantes da categoria, do
ministério da Educação e do governo. "Aqui,
nós apenas consagramos o que já tinha sido acertado.
Além disso, na proposta, estão previstos recursos
do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da
Educação Básica e de Valorização
dos Profissionais da Educação) para este fim. É
preciso comprovar que não há recursos por meio das
finanças do Estado, não pode ser só na conversa",
disse a senadora.
O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores
em Educação (CNTE), Roberto Leão, afirmou que
o novo piso salarial é um marco para a valorização
do magistério do país.
"Esse piso vai fazer com que o salário de 60% dos professores
brasileiros suba rapidamente. Pelo menos um milhão e duzentos
mil professores sentirão logo o impacto", revelou.
Participaram da solenidade no Palácio do Planalto os senadores
Valdir Raupp (PMDB-RO), Inácio Arruda (PCdoB-CE), Augusto
Botelho (PT-RR) e José Nery (PSOL-PA), além do ministro
da Educação, Fernando Haddad, e vários deputados.
Ex-sócio
da VarigLog diz que Lula e Dilma Roussef não se envolveram
Brasília (AE) - O empresário
Marco Antônio Audi disse ontem (3) no Senado que esteve com
a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, no primeiro semestre de
2006, e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em dezembro
daquele ano, no Palácio do Planalto, na condição
então de sócio da VarigLog, um grupo que despontava
como potencial comprador da Varig. As reuniões foram agendadas
pelo advogado Roberto Teixeira, amigo e compadre de Lula.
Apesar de ter admitido que nas duas ocasiões foi recebido
na condição de candidato a adquirir a Varig, Marco
Antônio Audi poupou tanto o presidente Lula quanto a ministra
Dilma Rousseff de qualquer acusação de interferência
nas negociações para a compra e a venda da empresa.
"Eles nunca se envolveram. Claro que tinham uma preocupação
com as implicações sociais da quebra da Varig. Mas
só isso", disse Audi.
Segundo o empresário, o encontro com Dilma Rousseff durou
cerca de 10 minutos. "A ministra disse que torcia para que
os negócios da Varig corressem na normalidade e a empresa
não falisse", disse Audi. Da reunião com Lula
participaram Teixeira e a ministra da Casa Civil. "O Roberto
Teixeira dizia: 'Faz um favor. Venha a Brasília que vou apresentá-lo
ao presidente. É importante'".
Audi disse que contratou Roberto Teixeira pelo conhecimento que
o advogado havia acumulado durante o processo de quebra da Transbrasil.
Quando informou que contratou Teixeira sem saber que ele era compadre
e amigo do presidente Lula, os senadores deram uma gargalhada. "Quer
dizer que o senhor não sabia quem ele era?", perguntou
Álvaro Dias (PSDB-PR). Ele reafirmou que não. E disse
que, somente três dias depois de ter acertado com Teixeira
é que, numa conversa com um amigo, foi informado dessa condição.
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