

Um convite aceito
É
noite ainda molhada da chuva da tarde, inesperada chuva de julho,
quando um conterrâneo recém-chegado à nossa
cidade do Rio de Janeiro, onde mora atualmente, me liga pra me dar
notícias suas. De imediato lhe reconheço a voz, e
o papo durou alguns minutos, com o convite pra não deixar
de ir à festa de agosto, que é a festa em honra de
Nossa Senhora dos Navegantes.
E que é quando se avistam e se juntam, ao redor das mesmas
emoções antigas, os areia-branquenses que, por motivos
os mais diversos, se distanciaram por outras terras, essas conveniências
do destino de cada um. E é como se os tempos de menino e
de rapaz surgissem de novo, menos do chão dos primeiros passos
da existência do que dos recônditos mais fundos do sentimento
telúrico.
Evidentemente que aceitei o convite, também, explicadamente,
porque um bom tempo já faz que não passo a festa de
agosto em Areia Branca, mas, devo dizer, sempre por motivos alheios
à minha vontade. Bom, a bem da verdade também, devo
confessar isso outras vezes pela invencível preguiça
de que não me envergonho. Se vale alguma coisa, sempre presente
em espírito, porém.
Que não dá pra esquecer, mais que quisesse, os agostos
do meu tempo, quando o azul dos ares da minha terra mais se acentuava
num cheiro misterioso de mar reunindo, na cantiga verde das suas
ondas, as saudades chegando de todas as distâncias. E a cidade
como que se mudava em mensagens de ventos altos, se não fosse
antes em rapsódias de um pastor de sereias.
Sim, vou colecionar mais um agosto, segundo espero, e é pena
que não seja um agosto como os antigos, isto é, com
retretas na praça da banda de Artur Paraguai, com o cheiro
doce de alfinim das praias do Ceará, finalmente um agosto
desfigurado pelos novos usos e costumes. Mas, pelo menos a mim,
me bastam os olhos do menino e do rapaz, sob a sombra outonal dos
meus cabelos brancos.
Obrigado
Ao amigo David Leite pela simpática lembrança. É
uma felicidade, David, ter um amigo como você, melhor de sentimentos
grandes entre os melhores da humanidade. De novo, muito obrigado.
Erro
Onde está o erro, ou então demérito, em prefeito
realizar obras conjuntamente com os governos estadual e federal?
Do contrario, é de ver-se aí a diligência administrativa.
Só no bestunto de quem se acostumou a fazer política
à base ampla da intriga, da enganação das massas
populares, enfim, da perseguição, cabe esse tipo de
crítica destrutiva, isto é, prefeito buscar parcerias
nos níveis de governo superiores. O dinheiro vem do povo.
LINGUAGEM
APOSTO DE ORAÇÃO.
O estudante José Dias, de Natal, quer saber o que é
aposto de oração. Se não se refere a um dos
termos da oração. Absolutamente. O aposto de oração
refere-se ao sintagma oracional, a que junta uma explicação.
Exemplo: O governo fechou o hospital, ATITUDE que revoltou a população.
Vê-se claro que o substantivo "atitude" está
aposto à oração como um todo semântico,
e não a um dos seus termos, especificamente. Fico-lhe às
ordens no que estiver a meu alcance.
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