

Verdades
e mitos sobre células tronco
Transcrevo
hoje um texto que pode ajudar muita gente a entender melhor a questão
das células tronco e sua relação com a legalização
do aborto. Trata-se de artigo em que o médico Décio
Iandoli Júnior expõe lado a lado as visões
que a ciência e da espiritualidade conseguem ter sobre a questão.
Como se trata de texto longo, veicularei neste domingo sua primeira
parte, e o restante dividirei em pelo menos três capítulos,
sem que estes ocupem todo o espaço da coluna de terça-feira
em diante. Eis a primeira parte de Os mitos e as verdades
sobre as células tronco: A questão 353 do Livro
dos Espíritos trata do seguinte: - A união do espírito
e do corpo não estando completa e definitivamente consumada
senão depois do nascimento, pode considerar-se o feto como
tendo alma? R - O espírito que o deve animar existe de alguma
forma, fora dele. Ele não tem, propriamente falando, uma
alma, pois a encarnação está somente em vias
de se operar; mas está ligado à alma que o deve possuir.
André Luiz nos conta, pela orientação de Alexandre
em "Missionários da Luz", que a encarnação
só se completa por volta dos sete anos de idade, porém,
ela se inicia na concepção, ou seja, no momento da
fecundação do ovócito materno pelo espermatozóide
paterno; a partir daí, inicia-se o "continuum"
(1), com a construção do corpo físico pelo
perispírito, ou como colocou o dr. Hernani Guimarães
Andrade, pelo Modelo Organizador Biológico (MOB). Sendo assim,
não poderíamos ter outra atitude a não ser
a de respeitar o indivíduo como ser encarnado desde a fecundação
e geração da célula original (o zigoto), evitando
interpretações outras que poderiam abrir questão
quanto ao momento em que temos ou não temos um ser encarnado,
e que tem levado muitos companheiros de doutrina a discutir, equivocadamente,
os direitos do embrião. Sabemos ainda, pela própria
descrição da reencarnação de Segismundo,
feita no mesmo livro (Missionários da luz) psicografado por
nosso querido Chico Xavier, que a ligação fluídica,
entre a mãe e o reencarnante, se dá antes mesmo da
fecundação, e que o processo de ligação
ao zigoto completa este processo de instalação da
interface físico-etérica, dando início à
reencarnação. Se unirmos, em laboratório um
ovócito e um espermatozóide, pelas técnicas
já disponíveis, conseguiremos o desenvolvimento de
um embrião, mas não teremos a certeza de que este
é viável ou não até o momento de seu
implante no útero. Acreditamos que tal dificuldade se dê,
entre outros motivos, pela ausência de um espírito
reencarnante ligado a estes embriões, com conseqüente
ausência de um MOB, o que inviabiliza a diferenciação
celular e a organização espacial do novo corpo em
desenvolvimento, interrompendo o projeto biológico. A "maquinaria"
celular, o alto grau de fluido vital das células embrionárias
e o automatismo celular conseqüente a estes dois primeiros
fatores podem garantir o desenvolvimento inicial deste embrião,
antes que se torne necessário o início da diferenciação
celular, mesmo na ausência de um espírito reencarnante.
Sendo assim, é teoricamente viável aceitar que, muitos
dos embriões concebidos " in vitro " não
estão dotados de espíritos reencarnantes, entretanto,
este raciocínio não da nenhuma margem para acreditarmos
que, neste tipo de fertilização, nunca haverá
ligação com espíritos, o que só ocorreria
no momento do implante no útero, coisa que nem sabemos se
é possível ou não. Classificar todos os embriões
concebidos "in vitro" como sendo montículos de
células desprovidas de espírito não é
apenas uma suposição, mas é também,
na minha opinião, bastante improvável. Como vimos,
ainda não temos como saber ou afirmar, se determinado embrião
tem ou não um espírito reencarnante, contudo, acredito
que não estão muito longe os recursos para fazê-lo;
seja através da verificação da reprogramação
epigênica, que foi relatada no trabalho do dr. Kevin Eggan
(2) e que pode significar a instalação de um novo
espírito (3), ou seja pela identificação de
campos biomagnéticos utilizando-se um Tensionador Espacial
Magnético (TEM) como o que foi idealizado pelo dr. Hernani
Guimarães Andrade (4) . Até lá, não
havendo como provar se há ou não um reencarnante ligado
àquele embrião, devemos tratá-los todos da
mesma forma, ou seja, o benefício da dúvida deve estar,
sempre, em favor da vida. Diante desta constatação,
ou seja, da impossibilidade de afirmarmos, utilizando-se dos conhecimentos
doutrinários, se há ou não um espírito
em determinado embrião, e por não ser este, via de
regra, o parâmetro utilizado pela sociedade para tomar suas
resoluções éticas, creio que nos resta consultar
a ciência e os seus conceitos clássicos para o caso
em questão. Devemos buscar na embriologia a resposta à
nossa pergunta: O embrião é um ser vivo? Antes de
continuarmos esta argumentação, deve ficar claro que:
pela visão da biologia e pela visão legal, até
o presente momento, não há, nenhuma diferenciação
entre o embrião " in vivo " e " in vitro ",
sendo assim, o que considerarmos para um, devemos considerar para
o outro. Buscando nos livros de embriologia encontramos no primeiro
capítulo do "Embriologia Clínica" de Keith
L. Moore , a definição de Zigoto como "uma célula
resultante da fertilização de um ovócito por
um espermatozóide, e é o início de um ser humano
". Diante desta afirmação, compartilhada pela
grande maioria dos embriologistas, à partir da fecundação,
já temos um ser humano vivo que, conseqüentemente, deve
ser respeitado e preservado como tal, não cabendo nenhuma
"flexibilização" deste conceito, como se
tem feito por ai, em prol de interesses outros que não o
da ética e da dignidade humana. Posto isso, colocamos na
mesa de discussões um argumento poderoso trazido à
tona pelos utilitaristas e materialistas, defendendo o sacrifício
dos embriões em nome das vidas que serão resgatadas
com o avanço da promissora terapêutica com células
tronco. Um primeiro ponto deve ser considerado antes de adrentarmos
aos fatos relacionados com as atuais pesquisas neste campo, ponto
este que nos remete a outra questão ética: Existe
uma classificação de vidas, ou seja, existem vidas
que valem mais que outras por qualquer motivo? É lícito
eliminar uma vida para salvar ou ajudar outras tantas? Os utilitaristas
podem achar que sim, ou seja, um embrião que nem se parece
com um ser humano, assemelhando-se a uma ameba ou coisa que o valha,
poderia ser destruído sem problemas, para que pudéssemos
ver paraplégicos andando, vítimas de acidentes cardiovasculares
reabilitados, doentes saindo das filas de transplantes, num grande
e poderoso apelo que comove e convence, pois "somente os religiosos
radicais poderiam ser contra o avanço da ciência que
trará tantos benefícios para a humanidade, simplesmente
por imporem seus dogmas irracionais". Será que a questão
se resume a isso? Convido-os a ver a questão por um outro
ângulo, pois se há uma classificação
para as vidas, se determinada pessoa vale mais que outra, então
seria lícito sacrificar os detentos e assassinos para que
doassem seus órgãos, beneficiando cerca de cerca de
6 pessoas cada um, além de diminuir os gastos do estado com
o sistema penitenciário. O argumento utilitarista justifica,
também, os avanços realizados na neurologia pelo dr.
Mengele, que se utilizava de pessoas que iriam "morrer de qualquer
maneira", para fazer seus experimentos em seres humanos, sem
nos esquecermos que os nazistas acreditavam que os judeus tinham
menos valor que os arianos. É possível que o leitor
ache minhas colocações muito dramáticas, mas
é extremamente importante, em favor da coerência e
da verdade, que nós possamos estabelecer conceitos básicos
sobre o que é vida, sobre sua valorização,
e a partir de então sermos sempre coerentes com estes conceitos,
inflexíveis quanto às bases que eles geram, evitando
argumentações oportunistas que superficializam a questão
para gerar a permissividade que muitos procuram. Como diz o Professor
Alberto Oliva (5): "A crescente transformação
do conhecimento científico aponta para o risco de as biotecnologias
virem a tratar o homem não como um fim em si mesmo, mas como
meio" . O utilitarismo traz de volta o mote romano: "
A tua morte é minha vida ".
(Continua na próxima terça-feira, 6).
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