

Incerteza
do mercado exterior
Alciyr Veras
O principal alvo da economia brasileira sempre foi o mercado exterior.
No início do período colonial, esse mercado era formado
exclusivamente por Portugal. Na segunda metade do Brasil-colônia,
e durante a fase do Império, as transações
comerciais eram preponderantemente realizadas com a Inglaterra,
tendo esta exercido acentuada influência cultural em nosso
meio. Quando tem início o regime político republicano
no país, o Reino Unido já dava visíveis sinais
de enfraquecimento e a hegemonia econômica que mantivera mundialmente
começava a ceder lugar aos Estados Unidos.
É verdade que, durante o governo Vargas, o Brasil deixou
de depender de um histórico e subserviente modelo- primário-exportador
de matérias primas, cujas divisas eram totalmente desperdiçadas
com a importação maciça de bens de consumo
industrializados. A partir do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek,
a economia brasileira entra em fase de emancipação
e passa a adquirir um formato de prosperidade, consolidando-se assim
o novo modelo de substituição de importações
que vinha em curso.
Embora as relações econômicas com os Estados
Unidos tenham apresentado relevantes cifras na Balança Comercial,
durante as décadas de 20 e de 30 do século passado,
foi somente logo após a Segunda Guerra Mundial que o Brasil
começou a registrar grandes e crescentes volumes nas exportações
e importações com a economia norte-americana.
Como se sabe, a economia é dinâmica na sua essência
e cíclica na sua operacionalidade. Hoje, os Estados Unidos
vêm enfrentando uma série de percalços que tiveram
início com a crise imobiliária interna. Inflação
e desemprego também têm tirado o sono dos americanos.
O somatório de tudo isso explica por que o dólar vem,
irreversivelmente, despencando nas bolsas de valores. Enquanto isso,
o euro mantém-se estável e não apresenta sinais
de debilidade a curto prazo. Além desses, outros fatores
contribuem para a ameaça de recessão na economia americana,
como, por exemplo, o fortalecimento institucional da União
Européia, a popularização competitiva da produção
industrial chinesa, o avanço da indústria automobilística
do Japão com montagem de veículos em tempo record,
o fanatismo-religioso do rebelde sem causa Irã,
mas que tem o petróleo de que os Estados Unidos precisam,
e os desafios lunáticos da Coréia do Norte que imagina
possuir o maior poderio nuclear do Planeta.
Futuristas e estudiosos sobre projeções de longo prazo
arriscam um palpite. Eles acham que o bastão do reinado
da economia mundial vai trocar de mãos, pois seu atual comando
parece encontrar-se em irrecuperável trajetória de
queda livre. Realmente, os Estados Unidos não conseguem reinventar
sua economia. Os recentes programas de incentivos do governo Bush,
como a diminuição de impostos e das taxas de juros,
não conseguem sensibilizar os investidores, que agora estão
de olhos voltados para os mercados da Europa, da Ásia e do
Oriente Médio. É bom que o Brasil também volte
seus olhos para esses mercados.
Alciyr
Veras é economista.
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