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MOSSORÓ (RN), DOMINGO, 04/05/2008 (ATUALIZADO: 18:47hs)
 
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Incerteza do mercado exterior
Alciyr Veras

O principal alvo da economia brasileira sempre foi o mercado exterior. No início do período colonial, esse mercado era formado exclusivamente por Portugal. Na segunda metade do Brasil-colônia, e durante a fase do Império, as transações comerciais eram preponderantemente realizadas com a Inglaterra, tendo esta exercido acentuada influência cultural em nosso meio. Quando tem início o regime político republicano no país, o Reino Unido já dava visíveis sinais de enfraquecimento e a hegemonia econômica que mantivera mundialmente começava a ceder lugar aos Estados Unidos.
É verdade que, durante o governo Vargas, o Brasil deixou de depender de um histórico e subserviente modelo- primário-exportador de matérias primas, cujas divisas eram totalmente desperdiçadas com a importação maciça de bens de consumo industrializados. A partir do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek, a economia brasileira entra em fase de emancipação e passa a adquirir um formato de prosperidade, consolidando-se assim o novo modelo de substituição de importações que vinha em curso.
Embora as relações econômicas com os Estados Unidos tenham apresentado relevantes cifras na Balança Comercial, durante as décadas de 20 e de 30 do século passado, foi somente logo após a Segunda Guerra Mundial que o Brasil começou a registrar grandes e crescentes volumes nas exportações e importações com a economia norte-americana.
Como se sabe, a economia é dinâmica na sua essência e cíclica na sua operacionalidade. Hoje, os Estados Unidos vêm enfrentando uma série de percalços que tiveram início com a crise imobiliária interna. Inflação e desemprego também têm tirado o sono dos americanos. O somatório de tudo isso explica por que o dólar vem, irreversivelmente, despencando nas bolsas de valores. Enquanto isso, o euro mantém-se estável e não apresenta sinais de debilidade a curto prazo. Além desses, outros fatores contribuem para a ameaça de recessão na economia americana, como, por exemplo, o fortalecimento institucional da União Européia, a popularização competitiva da produção industrial chinesa, o avanço da indústria automobilística do Japão com montagem de veículos em tempo record, o fanatismo-religioso do “rebelde sem causa” Irã, mas que tem o petróleo de que os Estados Unidos precisam, e os desafios lunáticos da Coréia do Norte que imagina possuir o maior poderio nuclear do Planeta.
Futuristas e estudiosos sobre projeções de longo prazo arriscam um palpite. Eles acham que o bastão do “reinado” da economia mundial vai trocar de mãos, pois seu atual comando parece encontrar-se em irrecuperável trajetória de queda livre. Realmente, os Estados Unidos não conseguem reinventar sua economia. Os recentes programas de incentivos do governo Bush, como a diminuição de impostos e das taxas de juros, não conseguem sensibilizar os investidores, que agora estão de olhos voltados para os mercados da Europa, da Ásia e do Oriente Médio. É bom que o Brasil também volte seus olhos para esses mercados.

Alciyr Veras é economista.



       




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