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MOSSORÓ (RN), QUARTA-FEIRA, 02/07/2008 (ATUALIZADO: 01:27hs)
 
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MEDO DA PRISÃO
Comerciante fecha casa após reportagem
Andrey Ricardo
Da Redação

A proprietária e administradora de uma das casas noturnas de Mossoró denunciadas pelo DE FATO, em matéria publicada no domingo passado, resolveu fechar as portas e mandou as garotas de programa embora. Segundo apurou a reportagem, a decisão foi tomada após as denúncias veiculadas por este veículo, revelando uma casa localizada no bairro Aeroporto como um ponto internacional de tráfico de mulheres. Ontem, o DE FATO flagrou quatro delas durante o embarque para Fortaleza, no Estado do Ceará.
As quatro mulheres partiram para Fortaleza em um ônibus, às 16h de ontem. De acordo com um taxista da Rodoviária Diran Ramos do Amaral, oito meninas já haviam embarcado para João Pessoa, na Paraíba. “Elas estão indo embora com medo da Polícia Federal”, diz o motorista, que na segunda-feira passada levou uma pessoa até a casa. O cliente foi recebido na porta pela proprietária, que é conhecida como “Sineide”. Ela teria dito que não está mais com as garotas, por medo de ser presa. “Ela disse que estava com medo da Federal dar uma batida lá em Gabriel e passar na casa dela também”, conta.
Ontem, o DE FATO flagrou quatro delas no momento do embarque na rodoviária. Ao perceberem a aproximação do carro de reportagem, elas não gostaram. Uma delas estava falando ao celular e disse a seguinte frase: “Sineide, não se preocupe que a gente está indo, mas volta logo”. Pelo que a reportagem apurou, era a dona da casa noturna falando ao telefone. A mais exaltada era uma loira, que ameaçou tirar a roupa ao perceber que estava sendo fotografada. “Deixa eu ficar nua pra você fazer a foto”, diz. Na saída da reportagem, duas entraram na frente do carro e fizeram várias ameaças.
Ainda ontem, o DE FATO foi à casa onde funcionava o bar e encontrou todas as portas e janelas da casa fechadas. Um portão maior, que dá acesso ao bar, também estava trancado. Segundo uma pessoa que mora perto da casa noturna, ontem o dia foi movimentado no local. “Desde cedo que elas – garotas de programa – saem com as malas para viajar”, comenta o morador, que pede para não ser identificado na matéria. Um caminhão que faz entregas de bebida esteve no local e ficou surpreso. “Hoje era o dia de fazer a entrega, mas não tinha ninguém lá. Isso nunca tinha acontecido”, diz o vendedor.
A reportagem não conseguiu confirmar se a outra casa, que pertence a Vandalberto de Araújo Rodrigues, 42 anos, conhecido como “Gabriel”, continua funcionando depois das denúncias publicadas no domingo passado. Segundo o delegado Antônio Pinto, da Primeira Delegacia de Polícia Civil, onde há um inquérito contra Gabriel, a investigação contra ele terá continuidade. “Quem estava à frente era o delegado Milton e agora que passou pra mim. Assim que receber, vou analisar e fazer as diligências solicitadas pelo Ministério Público e Judiciário para dar continuidade”, conta.

Inquérito estacionado na Justiça
O piauiense Vandalberto de Araújo Rodrigues, 42 anos, conhecido como “Gabriel”, proprietário e administrador de uma das casas noturnas desta cidade apontadas pela Polícia Civil do Ceará como um dos principais pontos da rota de exploração sexual no Nordeste já vinha sendo investigado pela Polícia Civil de Mossoró, sob suspeita de estar cometendo pelo menos quatro crimes: favorecimento à prostituição; manutenção de uma casa de prostituição; exploração sexual; e tráfico internacional. Hoje, o processo encontra-se na 3ª Vara Criminal de Mossoró, mas deverá ser retomado.
O inquérito foi instaurado em 2006 e vai retornar à DP pela segunda vez, a pedido da juíza responsável pelo caso, que vai solicitar novas diligências para concluir o caso. A investigação começou a partir do Ministério Público. A Polícia concluiu que não havia indícios suficientes para indiciar o dono da casa, diferentemente de um outro inquérito em andamento na Delegacia de Capturas, que fica em Fortaleza, no Ceará. Para a delegada Cândida Brum, não restam dúvidas que as duas casas de Mossoró são ligadas as redes internacionais que exploram sexualmente as garotas de programa.

Suspeito nega envolvimento com acidente
O restaurador da Fundação José Augusto, Rizomar Pinheiro Costa, 47 anos, apontado por familiares da estudante de direito Camila Dilelis de Lima Marques, 25 anos, como autor do atropelamento que a matou, se apresentou à polícia na tarde de segunda-feira e negou o crime ocorrido na noite de domingo. Ele foi liberado devido à apresentação espontânea, mas o delegado de Cidade Satélite, Natanion de Freitas, garantiu que se testemunhas confirmarem que o funcionário público atropelou a vítima, ele vai pedir a prisão preventiva à Justiça. O suspeito mantinha um relacionamento extraconjugal com a vítima há cerca de 12 anos.
O atropelamento aconteceu às 22 horas de domingo, em Cidade Satélite, na casa da vítima. Segundo a tia da estudante, Vera Lúcia Gomes, a vítima e o acusado passaram domingo na Praia de Jacumã. Ao retornar, o casal discutiu. A versão contada por testemunhas aos familiares da vítima é que Rizomar mandou Camila abrir o portão da garagem e, nesse instante, ele engatou a marcha ré e acelerou o carro passando por cima da jovem. Em seguida, quando a vítima ainda estava embaixo do veículo, um Apolo ano 1990, ele fugiu. A fuga, segundo o tio da vítima, o subtenente da PM Francisco Alcântara, foi presenciada por testemunhas.
Mas o acusado, em depoimento ao delegado Natanion de Freitas, negou a suspeita. Ele disse que ao retornar de Jacumã, deixou o carro na garagem da casa da vítima e, depois, foi para a sua residência, no Planalto, de ônibus. Ele citou ainda que as chaves ficaram com Camila e que o carro estava com a primeira marcha engatada e com um calço no pneu, devido ao declive da garagem. Pela versão, Rizomar sequer estava na casa de Camila no momento do atropelamento.
No depoimento, Rizomar alega que trabalhou normalmente na manhã de segunda-feira na Pinacoteca e que só soube da morte de Camila às 13 horas da segunda-feira, através de um telefonema do sobrinho. As alegações de Rizomar foram prestadas ao delegado na presença do advogado Marcus Alânio, que levou o funcionário público para a apresentação espontânea.
No final do depoimento, o suspeito diz que não foi ao velório da namorada porque foi alertado de que estava sendo apontado como suspeito da morte.
Um investigador acredita que a versão apresentada é pouco consistente. O próprio delegado vê contradições. "A história não é nada convincente. Nós chamamos testemunhas a comparecerem na delegacia, e se alguma delas confirmar a versão dada pela família vou pedir à Justiça a prisão preventiva", adiantou. Para o delegado, até o final desta semana, a polícia terá investigado o suficiente para ter uma posição do caso. "A verdade virá à tona", garantiu.
O avô da estudante de direito, que se formaria no próximo ano, Manoel Gomes, está revoltado. "Ele foi covarde. Um homem de bem não procede dessa maneira. Um crime desse precisa da resposta da Justiça que é a prisão. Porque se ele fez isso com ela pode fazer com outra pessoa", disse. O pai da vítima, José Leonardo, ainda bastante abalado, demonstra indignação. "Eu aconselhava a separação, mas ele não a deixava em paz. Foi uma covardia muito grande", disse. (Fonte: Tribuna do Norte)



       




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