

MEDO
DA PRISÃO
Comerciante
fecha casa após reportagem
Andrey Ricardo
Da Redação
A proprietária e administradora de uma das casas noturnas
de Mossoró denunciadas pelo DE FATO, em matéria publicada
no domingo passado, resolveu fechar as portas e mandou as garotas
de programa embora. Segundo apurou a reportagem, a decisão
foi tomada após as denúncias veiculadas por este veículo,
revelando uma casa localizada no bairro Aeroporto como um ponto
internacional de tráfico de mulheres. Ontem, o DE FATO flagrou
quatro delas durante o embarque para Fortaleza, no Estado do Ceará.
As quatro mulheres partiram para Fortaleza em um ônibus, às
16h de ontem. De acordo com um taxista da Rodoviária Diran
Ramos do Amaral, oito meninas já haviam embarcado para João
Pessoa, na Paraíba. Elas estão indo embora com
medo da Polícia Federal, diz o motorista, que na segunda-feira
passada levou uma pessoa até a casa. O cliente foi recebido
na porta pela proprietária, que é conhecida como Sineide.
Ela teria dito que não está mais com as garotas, por
medo de ser presa. Ela disse que estava com medo da Federal
dar uma batida lá em Gabriel e passar na casa dela também,
conta.
Ontem, o DE FATO flagrou quatro delas no momento do embarque na
rodoviária. Ao perceberem a aproximação do
carro de reportagem, elas não gostaram. Uma delas estava
falando ao celular e disse a seguinte frase: Sineide, não
se preocupe que a gente está indo, mas volta logo.
Pelo que a reportagem apurou, era a dona da casa noturna falando
ao telefone. A mais exaltada era uma loira, que ameaçou tirar
a roupa ao perceber que estava sendo fotografada. Deixa eu
ficar nua pra você fazer a foto, diz. Na saída
da reportagem, duas entraram na frente do carro e fizeram várias
ameaças.
Ainda ontem, o DE FATO foi à casa onde funcionava o bar e
encontrou todas as portas e janelas da casa fechadas. Um portão
maior, que dá acesso ao bar, também estava trancado.
Segundo uma pessoa que mora perto da casa noturna, ontem o dia foi
movimentado no local. Desde cedo que elas garotas de
programa saem com as malas para viajar, comenta o morador,
que pede para não ser identificado na matéria. Um
caminhão que faz entregas de bebida esteve no local e ficou
surpreso. Hoje era o dia de fazer a entrega, mas não
tinha ninguém lá. Isso nunca tinha acontecido,
diz o vendedor.
A reportagem não conseguiu confirmar se a outra casa, que
pertence a Vandalberto de Araújo Rodrigues, 42 anos, conhecido
como Gabriel, continua funcionando depois das denúncias
publicadas no domingo passado. Segundo o delegado Antônio
Pinto, da Primeira Delegacia de Polícia Civil, onde há
um inquérito contra Gabriel, a investigação
contra ele terá continuidade. Quem estava à
frente era o delegado Milton e agora que passou pra mim. Assim que
receber, vou analisar e fazer as diligências solicitadas pelo
Ministério Público e Judiciário para dar continuidade,
conta.
Inquérito
estacionado na Justiça
O piauiense Vandalberto de Araújo Rodrigues, 42 anos, conhecido
como Gabriel, proprietário e administrador de
uma das casas noturnas desta cidade apontadas pela Polícia
Civil do Ceará como um dos principais pontos da rota de exploração
sexual no Nordeste já vinha sendo investigado pela Polícia
Civil de Mossoró, sob suspeita de estar cometendo pelo menos
quatro crimes: favorecimento à prostituição;
manutenção de uma casa de prostituição;
exploração sexual; e tráfico internacional.
Hoje, o processo encontra-se na 3ª Vara Criminal de Mossoró,
mas deverá ser retomado.
O inquérito foi instaurado em 2006 e vai retornar à
DP pela segunda vez, a pedido da juíza responsável
pelo caso, que vai solicitar novas diligências para concluir
o caso. A investigação começou a partir do
Ministério Público. A Polícia concluiu que
não havia indícios suficientes para indiciar o dono
da casa, diferentemente de um outro inquérito em andamento
na Delegacia de Capturas, que fica em Fortaleza, no Ceará.
Para a delegada Cândida Brum, não restam dúvidas
que as duas casas de Mossoró são ligadas as redes
internacionais que exploram sexualmente as garotas de programa.
Suspeito
nega envolvimento com acidente
O
restaurador da Fundação José Augusto, Rizomar
Pinheiro Costa, 47 anos, apontado por familiares da estudante de
direito Camila Dilelis de Lima Marques, 25 anos, como autor do atropelamento
que a matou, se apresentou à polícia na tarde de segunda-feira
e negou o crime ocorrido na noite de domingo. Ele foi liberado devido
à apresentação espontânea, mas o delegado
de Cidade Satélite, Natanion de Freitas, garantiu que se
testemunhas confirmarem que o funcionário público
atropelou a vítima, ele vai pedir a prisão preventiva
à Justiça. O suspeito mantinha um relacionamento extraconjugal
com a vítima há cerca de 12 anos.
O atropelamento aconteceu às 22 horas de domingo, em Cidade
Satélite, na casa da vítima. Segundo a tia da estudante,
Vera Lúcia Gomes, a vítima e o acusado passaram domingo
na Praia de Jacumã. Ao retornar, o casal discutiu. A versão
contada por testemunhas aos familiares da vítima é
que Rizomar mandou Camila abrir o portão da garagem e, nesse
instante, ele engatou a marcha ré e acelerou o carro passando
por cima da jovem. Em seguida, quando a vítima ainda estava
embaixo do veículo, um Apolo ano 1990, ele fugiu. A fuga,
segundo o tio da vítima, o subtenente da PM Francisco Alcântara,
foi presenciada por testemunhas.
Mas o acusado, em depoimento ao delegado Natanion de Freitas, negou
a suspeita. Ele disse que ao retornar de Jacumã, deixou o
carro na garagem da casa da vítima e, depois, foi para a
sua residência, no Planalto, de ônibus. Ele citou ainda
que as chaves ficaram com Camila e que o carro estava com a primeira
marcha engatada e com um calço no pneu, devido ao declive
da garagem. Pela versão, Rizomar sequer estava na casa de
Camila no momento do atropelamento.
No depoimento, Rizomar alega que trabalhou normalmente na manhã
de segunda-feira na Pinacoteca e que só soube da morte de
Camila às 13 horas da segunda-feira, através de um
telefonema do sobrinho. As alegações de Rizomar foram
prestadas ao delegado na presença do advogado Marcus Alânio,
que levou o funcionário público para a apresentação
espontânea.
No final do depoimento, o suspeito diz que não foi ao velório
da namorada porque foi alertado de que estava sendo apontado como
suspeito da morte.
Um investigador acredita que a versão apresentada é
pouco consistente. O próprio delegado vê contradições.
"A história não é nada convincente. Nós
chamamos testemunhas a comparecerem na delegacia, e se alguma delas
confirmar a versão dada pela família vou pedir à
Justiça a prisão preventiva", adiantou. Para
o delegado, até o final desta semana, a polícia terá
investigado o suficiente para ter uma posição do caso.
"A verdade virá à tona", garantiu.
O avô da estudante de direito, que se formaria no próximo
ano, Manoel Gomes, está revoltado. "Ele foi covarde.
Um homem de bem não procede dessa maneira. Um crime desse
precisa da resposta da Justiça que é a prisão.
Porque se ele fez isso com ela pode fazer com outra pessoa",
disse. O pai da vítima, José Leonardo, ainda bastante
abalado, demonstra indignação. "Eu aconselhava
a separação, mas ele não a deixava em paz.
Foi uma covardia muito grande", disse. (Fonte: Tribuna do Norte)
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