

O que vi em Areia Branca
Domingo
passado em Areia Branca, horas. Do fim da tarde às primeiras
horas da noite. A festa da candidatura do prefeito Manoel Cunha
Neto, dito Souza, à reeleição, tendo em sua
chapa o médico José Bruno Filho, que, como se sabe,
foi prefeito de lá duas vezes. Grande presença de
povo, em cujo entusiasmo pude sentir o desejo de resposta, nas urnas,
ao grupo político que se pretende com a força capaz
de anular mandatos do povo.
Está visto que me refiro, aqui, ao esbulho do mandato de
prefeito eleito pelo povo, primeiro Bruno, depois Souza, numa ostensiva
afronta menos ao senso de justiça do povo areia-branquense,
que é o meu povo, do que à prevalência do direito
sobre a sordidez das manobras de interesses pessoais contrariados.
Areia Branca quer afirmar o seu espírito democrático.
Ou reafirmar, talvez fosse melhor dizer.
Via-se isso no semblante de cada um, aplaudindo os seus candidatos,
como se quisessem dizer, e era isto mesmo, que Areia Branca não
flexiona a espinha dorsal diante do poder de quem quer transformá-la
em terra de ninguém, e sem a mais mínima reserva de
aparências. Os areia-branquenses herdamos, dos nossos antepassados,
o sentimento da solidariedade. O gesto de altivez.
Nenhuma coisa quer dizer a manifestação popular em
torno das candidaturas de Souza e Bruno senão isso. O sentimento
de solidariedade na revolta contra a injustiça que se praticou
contra Bruno, prefeito, e depois contra o seu sucessor, Souza, cujo
governo segue, positivamente, o risco de governo traçado
por Bruno. Que, não se pode negar, sem trair a consciência,
mudou a fisionomia de Areia Branca.
Pois deixei a cidade com as primeiras luzes da noite, de volta para
Mossoró, com a felicidade íntima de ver o meu povo
amigo ainda fiel às nossas tradições de justiça,
pronto a reparar, pela força democrática do voto,
a grande maldade de um grupo político que se presume "dono
da lei"cometeu contra Bruno e Souza, sem o mais mínimo
escrúpulo - porque eis que os presumidos arrogantes são
de todo destituídos de consciência moral.
Quadrilha
A sociedade não pode aceitar a formação de
quadrilha em casas legislativas, com o fim de saquear o dinheiro
público. Sabem do que estou falando. Porque à vista
de todo o mundo.
Candidata
A prefeita de Mossoró, Fafá Rosado, merecidamente,
é candidata à reeleição. O trabalho
realizado à frente do governo do município a recomenda
perante a opinião pública isenta. Quanto mais não
seja, é uma pessoa sem maldade e daí, política,
trata com a mesma simpatia correligionários e adversários.
Provérbio
Os cães ladram, e a caravana passa. Da sabedoria árabe.
LINGUAGEM
A leitora
do Jornal de Fato Maria das Neves, de Natal, quer saber o que é
oração pronominal relativa, definição
que diz ter encontrado em M. Cavalcante Proença (crítica
literária). Trata-se da oração subordinada
adjetiva que, por vir introduzida por pronome relativo, alguns autores,
com muito acerto, a classificam como oração pronominal
relativa. Não cabe dúvida, dá no mesmo. Mas
também, dúvida nenhuma deve haver, é preferível
a classificação tradicional.
|