

INQUÉRITO
PARADO
Dono
de casa noturna já foi investigado
Andrey Ricardo
Da Redação
O piauiense Vandalberto de Araújo Rodrigues, 42 anos, conhecido
como "Gabriel", proprietário e administrador de
uma das casas noturnas desta cidade apontadas pela Polícia
Civil do Ceará como um dos principais pontos da rota de exploração
sexual no Nordeste pode ser condenado a até 26 anos de cadeia
(além da multa). "Gabriel" foi investigado em 2006,
através de um inquérito instaurado sob a orientação
do Ministério Público, mas o caso dele foi paralisado
e encontra-se na 3a Vara Criminal.
Segundo o delegado Milton Rodrigues, que na época era o titular
da 1a Delegacia de Polícia Civil e investigou a casa de Gabriel,
não havia indícios suficientes para provar que ele
favorecia a prostituição. Pelo menos seis garotas
que faziam programas foram ouvidas. Elas negaram que o dono da casa
tivesse participação nos lucros e disseram também
que todos os programas eram realizados fora da casa, diferentemente
do que foi apurado pela Polícia Civil do Ceará, que
investiga a rota do tráfico no Nordeste. As garotas afirmaram
que o local funcionava apenas como um bar, como qualquer outro.
"Realmente eu instaurei um inquérito para apurar se
havia prostituição, mas ninguém nos ajudou
e diante da dificuldade o caso ficou parado", esclarece o delegado
Milton Rodrigues, que enviou o relatório para a Justiça
concluindo que não foi comprovada a suspeita inicial do promotor
Roger de Melo Rodrigues, que na época estava lotado no Ministério
Público de Mossoró e solicitou que o inquérito
fosse aberto para a apuração de quatro artigos do
Código Penal Brasileiro: favorecimento à prostituição;
manutenção de uma casa de prostituição;
exploração sexual; e tráfico internacional.
Apesar de não indiciar o dono da casa noturna, o delegado
reconhece que a maioria das garotas ouvidas na época era
de outros Estados. "Tinha uma do Rio Grande do Sul", disse
a autoridade policial, reforçando a investigação
feita pela Polícia do Ceará, que apontou a casa de
Gabriel e uma outra como os principais pontos do tráfico
de mulheres no Nordeste. "Na verdade, a gente suspeita, mas
eu não achei provas e a grande quantidade de inquéritos
para serem concluídos na Primeira fez a gente parar com essa
investigação", destaca Milton, que repassou o
trabalho para o seu substituto, Antônio Pinto.
Enquanto isso, a casa noturna administrada por Vandalberto continua
funcionando como se nada tivesse acontecido. O DE FATO visitou o
local na noite de sexta-feira passada e pôde confirmar com
um senhor que aparentava ter mais de 60 anos que a casa não
parou, apenas mudou de endereço. Antes, ele utilizava uma
residência situada no bairro Santo Antônio e hoje está
em uma casa luxuosa que fica situada na Rua Duodécimo Rosado,
1085, bairro Nova Betânia. A casa fica entre duas delegacias
de Polícia Civil e a cerca de 50 metros da sede da Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB) deste município.
Casas
em Mossoró: Tráfico internacional
Nas investigações da delegada Cândida Brum,
que é lotada na Delegacia de Capturas e conta com a ajuda
do Escritório de Prevenção e Combate ao Tráfico
de Seres Humanos e Assistência às Vítimas, ambos
em Fortaleza, no Ceará, além de Gabriel, uma mulher
que foi identificada apenas como "Sineide", também
fazia parte da rota internacional na região Nordeste. O relatório
que está sendo feito desde 2005 e será enviado à
Organização das Nações Unidas (ONU)
ainda este ano identificou outras quatro cidades além de
Mossoró: Natal, Juazeiro do Norte (CE), Fortaleza (CE) e
Recife (PE).
A confirmação da ligação das duas casas
de Mossoró com o tráfico internacional foi a partir
do fechamento de várias casas de Fortaleza. Os donos foram
presos e as garotas ajudaram à Polícia, informando
que havia cinco cidades de destaque na Região Nordeste. As
garotas passavam um período em cada uma destas cidades. O
tempo, geralmente é em torno de três ou quatro meses.
Os donos das casas sempre mudam para não perder a clientela,
que está em busca de "novidades" e é por
isso que há uma rotatividade dentro deste tipo de negócio
e as mais bonitas são levadas para os países europeus.
Mossoró
Cidade Junina foi tranqüilo
O
coronel Canindé de Freitas, responsável pelo policiamento
no interior do Rio Grande do Norte, e o tenente-coronel Elias Cândido,
comandante do Segundo Batalhão de Polícia Militar
(2º BPM) de Mossoró, deram uma entrevista coletiva ontem
e fizeram uma avaliação positiva do Mossoró
Cidade Junina. Neste ano, o número de ocorrências reduziu
quase 50% em comparação com o que foi registrado durante
o ano de 2007, apesar dos cinco homicídios registrados dentro
e nas imediações da Estação das Artes
Elizeu Ventania, onde são realizados os shows durante o tradicional
evento.
"Apesar dos homicídios, o Cidade Junina foi tranqüilo",
ressalta o coronel Freitas. Ele e o comandante da PM local destacaram
que essas mortes não refletiram na falta de segurança,
que vinha sendo questionada por algumas pessoas em Mossoró.
Freitas ressaltou que as mortes já eram previstas, devido
às desavenças entre as vítimas e os acusados
e frisou ainda que a PM fez o seu papel ao prender todos os acusados
(apenas um deles não foi preso, mas se apresentou e está
sendo indiciado). "Eles apenas escolheram a Estação
das Artes para cometerem os seus crimes", esclarece Freitas.
"Todos foram presos e isso mostra que a PM estava atenta e
cumpriu seu papel", ressalta o oficial responsável pelo
policiamento no interior do Rio Grande do Norte. Já Elias
Cândido, acrescentou ainda que as prisões e a redução
no número de ocorrências neste ano é resultado
da presença maior dos policiais durante o evento e também
ao redor da Estação das Artes. "Mesmo com esse
reforço de 100 homens que vieram de Natal e se juntaram aos
150 que já estavam trabalhando, o número de ocorrências
foi menor do que no ano passado", complementa Elias.
Canindé de Freitas lembrou ainda durante a coletiva que o
trabalho da Polícia Militar não se restringe apenas
ao mês de junho, quando são realizadas as festas juninas
e apresentou o balanço de todas as ações feitas
pelo Segundo Batalhão da PM, sediado em Mossoró. Nos
seis primeiros meses do ano, 215 pessoas foram presas. A PM ainda
apreendeu: 81 armas de fogo; 832 pedras de crack (além de
300 gramas); 125 trouxinhas de maconha (além dos tabletes,
cerca de meio quilo); 20 kg de pasta-base de cocaína; 10
carros; 25 motos; e 1 caminhão. "O nosso trabalho continua",
complementa Elias.
Cidade
Junina 2008: 3 mortos e 7 feridos
A edição 2008 do Mossoró Cidade Junina foi
marcada pela morte de três jovens e outras sete pessoas que
saíram feridas. As mortes ocorreram dentro e fora da Estação
das Artes Elizeu Ventania, local onde os shows principais acontecem.
Para a Polícia Militar, os fatos mostram que a Estação
não comporta mais o público que tem atraído
nos últimos anos e isso, ainda segundo os oficiais da PM,
facilita a ocorrência de crimes desta natureza. "A festa
tem crescido nos últimos anos e tornou-se uma das maiores
no Brasil e precisa ser visto com responsabilidade", defende
o coronel Canindé.
Elias e Canindé reconhecem o esforço dos governos
estadual e municipal na tentativa, mas afirma que o evento precisa
ser repensado. "A Estação ficou pequena para
essa festa", diz o coronel Freitas, acrescentando que um levantamento
realizado pelo Corpo de Bombeiros de Mossoró revelou que
o local não comporta mais do que 45 mil pessoas, mas as principais
noites de festas atraem mais de 60 mil pessoas. "Ficava difícil
até dos policiais se movimentar dentro da Estação.
Para sanar o problema, tivemos que usar canhões de luz e
torres para pelo menos poder identificar os infratores", explica
Elias.
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