..:: JORNAL DE FATO ::.. JORNALISMO DE VERDADE
MOSSORÓ (RN), TERÇA-FEIRA, 01/07/2008 (ATUALIZADO: 01:27hs)
 
Untitled Document




» Dono de casa noturna já foi investigado

» ‘Mossoró Cidade Junina foi tranqüilo’


INQUÉRITO PARADO
Dono de casa noturna já foi investigado
Andrey Ricardo
Da Redação

O piauiense Vandalberto de Araújo Rodrigues, 42 anos, conhecido como "Gabriel", proprietário e administrador de uma das casas noturnas desta cidade apontadas pela Polícia Civil do Ceará como um dos principais pontos da rota de exploração sexual no Nordeste pode ser condenado a até 26 anos de cadeia (além da multa). "Gabriel" foi investigado em 2006, através de um inquérito instaurado sob a orientação do Ministério Público, mas o caso dele foi paralisado e encontra-se na 3a Vara Criminal.
Segundo o delegado Milton Rodrigues, que na época era o titular da 1a Delegacia de Polícia Civil e investigou a casa de Gabriel, não havia indícios suficientes para provar que ele favorecia a prostituição. Pelo menos seis garotas que faziam programas foram ouvidas. Elas negaram que o dono da casa tivesse participação nos lucros e disseram também que todos os programas eram realizados fora da casa, diferentemente do que foi apurado pela Polícia Civil do Ceará, que investiga a rota do tráfico no Nordeste. As garotas afirmaram que o local funcionava apenas como um bar, como qualquer outro.
"Realmente eu instaurei um inquérito para apurar se havia prostituição, mas ninguém nos ajudou e diante da dificuldade o caso ficou parado", esclarece o delegado Milton Rodrigues, que enviou o relatório para a Justiça concluindo que não foi comprovada a suspeita inicial do promotor Roger de Melo Rodrigues, que na época estava lotado no Ministério Público de Mossoró e solicitou que o inquérito fosse aberto para a apuração de quatro artigos do Código Penal Brasileiro: favorecimento à prostituição; manutenção de uma casa de prostituição; exploração sexual; e tráfico internacional.
Apesar de não indiciar o dono da casa noturna, o delegado reconhece que a maioria das garotas ouvidas na época era de outros Estados. "Tinha uma do Rio Grande do Sul", disse a autoridade policial, reforçando a investigação feita pela Polícia do Ceará, que apontou a casa de Gabriel e uma outra como os principais pontos do tráfico de mulheres no Nordeste. "Na verdade, a gente suspeita, mas eu não achei provas e a grande quantidade de inquéritos para serem concluídos na Primeira fez a gente parar com essa investigação", destaca Milton, que repassou o trabalho para o seu substituto, Antônio Pinto.
Enquanto isso, a casa noturna administrada por Vandalberto continua funcionando como se nada tivesse acontecido. O DE FATO visitou o local na noite de sexta-feira passada e pôde confirmar com um senhor que aparentava ter mais de 60 anos que a casa não parou, apenas mudou de endereço. Antes, ele utilizava uma residência situada no bairro Santo Antônio e hoje está em uma casa luxuosa que fica situada na Rua Duodécimo Rosado, 1085, bairro Nova Betânia. A casa fica entre duas delegacias de Polícia Civil e a cerca de 50 metros da sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) deste município.

Casas em Mossoró: Tráfico internacional
Nas investigações da delegada Cândida Brum, que é lotada na Delegacia de Capturas e conta com a ajuda do Escritório de Prevenção e Combate ao Tráfico de Seres Humanos e Assistência às Vítimas, ambos em Fortaleza, no Ceará, além de Gabriel, uma mulher que foi identificada apenas como "Sineide", também fazia parte da rota internacional na região Nordeste. O relatório que está sendo feito desde 2005 e será enviado à Organização das Nações Unidas (ONU) ainda este ano identificou outras quatro cidades além de Mossoró: Natal, Juazeiro do Norte (CE), Fortaleza (CE) e Recife (PE).
A confirmação da ligação das duas casas de Mossoró com o tráfico internacional foi a partir do fechamento de várias casas de Fortaleza. Os donos foram presos e as garotas ajudaram à Polícia, informando que havia cinco cidades de destaque na Região Nordeste. As garotas passavam um período em cada uma destas cidades. O tempo, geralmente é em torno de três ou quatro meses. Os donos das casas sempre mudam para não perder a clientela, que está em busca de "novidades" e é por isso que há uma rotatividade dentro deste tipo de negócio e as mais bonitas são levadas para os países europeus.

‘Mossoró Cidade Junina foi tranqüilo’
O coronel Canindé de Freitas, responsável pelo policiamento no interior do Rio Grande do Norte, e o tenente-coronel Elias Cândido, comandante do Segundo Batalhão de Polícia Militar (2º BPM) de Mossoró, deram uma entrevista coletiva ontem e fizeram uma avaliação positiva do Mossoró Cidade Junina. Neste ano, o número de ocorrências reduziu quase 50% em comparação com o que foi registrado durante o ano de 2007, apesar dos cinco homicídios registrados dentro e nas imediações da Estação das Artes Elizeu Ventania, onde são realizados os shows durante o tradicional evento.
"Apesar dos homicídios, o Cidade Junina foi tranqüilo", ressalta o coronel Freitas. Ele e o comandante da PM local destacaram que essas mortes não refletiram na falta de segurança, que vinha sendo questionada por algumas pessoas em Mossoró. Freitas ressaltou que as mortes já eram previstas, devido às desavenças entre as vítimas e os acusados e frisou ainda que a PM fez o seu papel ao prender todos os acusados (apenas um deles não foi preso, mas se apresentou e está sendo indiciado). "Eles apenas escolheram a Estação das Artes para cometerem os seus crimes", esclarece Freitas.
"Todos foram presos e isso mostra que a PM estava atenta e cumpriu seu papel", ressalta o oficial responsável pelo policiamento no interior do Rio Grande do Norte. Já Elias Cândido, acrescentou ainda que as prisões e a redução no número de ocorrências neste ano é resultado da presença maior dos policiais durante o evento e também ao redor da Estação das Artes. "Mesmo com esse reforço de 100 homens que vieram de Natal e se juntaram aos 150 que já estavam trabalhando, o número de ocorrências foi menor do que no ano passado", complementa Elias.
Canindé de Freitas lembrou ainda durante a coletiva que o trabalho da Polícia Militar não se restringe apenas ao mês de junho, quando são realizadas as festas juninas e apresentou o balanço de todas as ações feitas pelo Segundo Batalhão da PM, sediado em Mossoró. Nos seis primeiros meses do ano, 215 pessoas foram presas. A PM ainda apreendeu: 81 armas de fogo; 832 pedras de crack (além de 300 gramas); 125 trouxinhas de maconha (além dos tabletes, cerca de meio quilo); 20 kg de pasta-base de cocaína; 10 carros; 25 motos; e 1 caminhão. "O nosso trabalho continua", complementa Elias.

Cidade Junina 2008: 3 mortos e 7 feridos
A edição 2008 do Mossoró Cidade Junina foi marcada pela morte de três jovens e outras sete pessoas que saíram feridas. As mortes ocorreram dentro e fora da Estação das Artes Elizeu Ventania, local onde os shows principais acontecem. Para a Polícia Militar, os fatos mostram que a Estação não comporta mais o público que tem atraído nos últimos anos e isso, ainda segundo os oficiais da PM, facilita a ocorrência de crimes desta natureza. "A festa tem crescido nos últimos anos e tornou-se uma das maiores no Brasil e precisa ser visto com responsabilidade", defende o coronel Canindé.
Elias e Canindé reconhecem o esforço dos governos estadual e municipal na tentativa, mas afirma que o evento precisa ser repensado. "A Estação ficou pequena para essa festa", diz o coronel Freitas, acrescentando que um levantamento realizado pelo Corpo de Bombeiros de Mossoró revelou que o local não comporta mais do que 45 mil pessoas, mas as principais noites de festas atraem mais de 60 mil pessoas. "Ficava difícil até dos policiais se movimentar dentro da Estação. Para sanar o problema, tivemos que usar canhões de luz e torres para pelo menos poder identificar os infratores", explica Elias.



       




Todos os direitos reservados à Santos Editora de Jornais Ltda.
É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste site para fins comerciais sem prévia autorização.