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MOSSORÓ (RN), TERÇA-FEIRA, 01/07/2008 (ATUALIZADO: 01:27hs)
 
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ANTIPATIA LÉXICA
De ordinário, quem se dá ao ofício de escrever sente antipatia por determinadas palavras, do mesmo modo que se tem antipatia por determinadas pessoas, sem que nos tenham feito estas nenhum mal, em tempo algum. Algumas vezes, num primeiro momento, até. Neste último caso, a explicação que se possa dar deve de ser a mesma para o caso das palavras que nos são antipáticas.
Quem sabe coisa parecida ou mesmo igual. Aí, não sei. De resto, a criatura humana desde o começo a esta parte tem sido, por falar assim, um território delimitado por simpatias e seu contrário. Não sei se digo bem, mas nem os santos terão escapado à regra que parece ser a mesma para cada pessoa e para cada personalidade, segundo as complicadas estruturas da psicologia humana.
Então o ofício de escrever, como se dá também nos atos de fala, sempre se acompanha de repugnância por determinadas palavras. Para dar um exemplo, o grande escritor de A Casa do Meu Avô, Carlos Lacerda, não tolerava o vocábulo "aliás", e não me lembro de já tê-lo encontrado em seus escritos. Não me vem à lembrança, agora, o escritor que abominava a locução "de modo que."
Simples escrevinhador de jornal, mantenho prevenida distância do adjetivo "lindo", mas, no meu insignificante caso, posso explicar por quê. Ainda rapazinho, me lembro bem, li isto, que certos adjetivos são próprios do jeito feminino de escrever, entre estes o tal. E ficou-me entranhada a lição, e de tal maneira, que não me consigo vencer, falando ou escrevendo.
Bobagem de certos teóricos do estilo, ontem e ainda hoje. As palavras foram feitas para dizer, e não será pela antipatia que uma ou outra possa suscitar em certo escritor, grande que seja, que se devam mandar para o inferno da pobreza de estilo. Como é o caso de não irmos com uma determinada pessoa. Quantas vezes, meus Deus, mais tarde nos sevem, oportunamente. Mas o fato é, pelo que me toca, não tenho jeito de meter LINDO no meu vocabulário. Sem machista, porém.

ÉTICA
A pediatra da UPA do Santo Antônio, no fim do plantão da noite de quinta-feira, 26, na manhã seguinte, sexta-feira, 27, diagnosticou infecção urinária numa criança de dois anos, mas se recusou a prescrever o medicamento, sob a alegação de que a mãe da criança não podia comprar. Atitude de todo contrária à ética profissional, portanto passível de representação do Ministério Público. Cabe à Secretaria Municipal de Saúde chamar à fala essa pediatra, depois de verificar-lhe o nome na escala do plantão.

LINGUAGEM
•Leitor do Jornal de Fato quer saber se o certo é "adéqua" (acento tônico no "e") ou "adeqúa" (acento tônico no "u"). Nem uma coisa nem a outra. Ora, o verbo "adequar" é defectivo (só possui as formas arrizotônicas, quer dizer, acento tônico fora da raiz), razão por que não apresenta as três pessoas do singular e a terceira do plural do presente do indicativo e, em conseqüência, não possui o presente do subjuntivo. Em vez, portanto, de "isto não se adéqua à regra", use "isto não fica adequado à regra."



       




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