

PEC 333
Câmaras
maiores e com menos dinheiro
Julierme Torres
Da Redação
Heverton Dantas
Tribuna do Norte
Caso o Senado da República confirme a aprovação
da proposta de emenda à Constituição (PEC)
333/2004, que cria 8.043 novas vagas de vereador em todo o Brasil
e reduz os repasses do Executivo, haverá um impacto direto
nos dois maiores municípios do Rio Grande do Norte. O corte
nos orçamentos da Câmara de Mossoró se aproxima
dos 40%. Em Natal, essa queda seria de 60%.
A PEC 333/04 prevê alteração na forma como os
repasses têm de ser feitos. Antes, isso tinha como referência
a quantidade de habitantes dos municípios e variava de 8%
(máximo) a 4,5% (mínimo). Agora, os repasses estão
atrelados à receita (somatórios da receita tributária
e de algumas transferências previstas na Constituição)
e foram reduzidos para a faixa de 4,5% (máximo) e 2% (mínimo).
Tomando por base o Orçamento de 2008, a Prefeitura de Natal
terá uma receita de R$ 570 milhões. Como está
acima dos R$ 200 milhões, pela PEC, o repasse para a Câmara
da capital tem de ser de 2%. Isso equivale a R$ 11.400.080,00 por
ano. Por mês, caso a PEC fosse aplicada à realidade
de hoje, o repasse para o Legislativo natalense ficaria em R$ 950
mil. Hoje, o repasse total previsto para a Câmara - excluídos
os R$ 5.384.000,00 relativos a pagamentos de inativos - é
de R$ 27.906.000,00. Por mês isso equivale a R$ 2.325.500,00.
A redução, com base nessa estimativa, fica praticamente
na casa dos 60% (59,1%). Caso a PEC seja aprovada - o que é
tido como certo -, os números usados para o cálculo
de repasse serão os valores do Orçamento 2009. Mas,
usar os números de 2008 já dá uma mostra do
porquê de em tantos locais do Brasil estar havendo reclamação
com relação às alterações que
já foram aprovadas em segundo turno na Câmara Federal.
Essa redução, entretanto, não afetará
os salários dos vereadores e dos servidores efetivos. E virá
junto com a elevação na quantidade de parlamentares.
Em Mossoró, o quadro é semelhante. O Orçamento
Geral do Município, de 2008, prevê receita de R$ 284
milhões. Como também superou o limite de R$ 200 milhões
por ano, a Câmara de Mossoró vai entrar na mesma faixa
da de Natal. Ou seja, o duodécimo - repasse anual da Prefeitura
- terá que ficar restrito a apenas 2% da arrecadação.
Hoje, o mesmo orçamento da Prefeitura de Mossoró prevê
que o repasse para a Câmara de Vereadores da cidade é
de R$ 9,3 milhões. Por mês, isso significa uma receita
na ordem de R$ 780 mil para o Legislativo municipal. Se o repasse
fosse reduzido para apenas 2%, como prevê a PEC 333, o valor
para manutenção da Câmara cairia para R$ 5,6
milhões. Na prática, uma economia de R$ 3,7 milhões.
A PEC 333 vai impor outra particularidade às Câmaras
de Natal e Mossoró. Ao mesmo tempo em que terão suas
receitas encurtadas, as duas instituições ficarão
maiores. Isso porque haverá incremento de oito vereadores
em cada uma. Mossoró saltaria de 13 para 21. Em Natal, o
plenário, que hoje tem 21 membros, ficará com 29.
Vereadores
têm reações diferentes
A semelhança de queda de receita, associada ao aumento de
oito mandatos de vereador, provocou reações distintas
nas Câmaras de Natal e Mossoró. Na capital, o entendimento
é que será possível fazer acomodações
para não prejudicar o funcionamento do Legislativo. Já,
em Mossoró, houve reações pesadas.
Em Natal, o líder da bancada do PMDB, vereador Renato Dantas,
disse não ter dúvidas que será possível
sobreviver à queda na receita. Ele afirmou que independente
do impacto, o repasse ainda será suficiente, mesmo com mais
vereadores na Casa.
Renato Dantas observou que, de qualquer maneira, como é costume
a arrecadação crescer em média 15% a cada ano,
o repasse deve ficar acima dos R$ 11 milhões da hipótese
feita com base no Orçamento 2008. O outro líder de
bancada, o vereador Salatiel de Souza (PSB), concorda que os cortes
devem se direcionar para os programas que a Câmara realiza,
como telecentros digitais, a escola legislativa Miguel Arraes, a
procuradoria nos bairros, a "Câmara nos bairros"
e ainda o "Programa de regularização fundiária",
que a Casa mantém.
Em Mossoró, o presidente da Casa, vereador Júnior
Escóssia (DEM), garantiu que será possível
manter a Câmara funcionando sem prejuízo. Ele, no entanto,
alertou que será preciso cortar alguns privilégios
dos vereadores, e apontou como medidas iniciais a necessidade de
reduzir a verba de gabinete e diminuir o número de assessores.
Hoje, cada vereador de Mossoró tem sete assessores. Júnior
Escóssia admite que esse número pode ser menor. Ele
informou que até 2004 a Câmara de Mossoró tinha
21 vereadores e cada um podia nomear no máximo três
assessores. O aumento na quantidade de auxiliares ocorreu depois
que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reduziu o número
de vereadores para apenas 13, sem alterar os repasses feitos pela
Prefeitura.
Mas, essa avaliação de Júnior Escóssia
não foi acompanhada por seus colegas. A vereadora Izabel
Montenegro (PMDB) foi enfática ao afirmar que a redução
do repasse vai deixar a Câmara em dificuldade. Ela não
se mostrou nada simpática à idéia de reduzir
a verba de seu gabinete e ter direito a um número menor de
assessores.
"Não sejamos hipócritas. A redução
do salário fragiliza economicamente o vereador e favorece
certos procedimentos de reforço de orçamento, como
ceder a pressões financeiras do Executivo", afirmou
Izabel, que foi elogiada pelos colegas Renato Fernandes (PR) e Osnildo
Morais (PSL).
Lula
defenderá o etanol perante a FAO
Priscilla Mazenotti
Agência Brasil
Roma - No discurso de abertura da Conferência da Organização
das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação
(FAO), em Roma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará
uma defesa do etanol e dos biocombustíveis.
"O presidente vai defender o etanol como uma saída importante
para o mundo do ponto de vista de deter mudanças climáticas,
diminuir o aquecimento global, dar cumprimento às metas do
Protocolo de Quioto. O etanol é um combustível limpo,
que seqüestra carbono no crescimento da cana (de açúcar)
e depois, quando é consumido, não produz CO2",
disse o ministro da Secretaria de Comunicação Social
da Presidência da República, Franklin Martins.
No discurso, Lula vai ainda reiterar a disposição
brasileira de transferir a tecnologia de produção
do etanol para alguns países da América do Sul, da
África e do Caribe.
"Ele (Lula) vai defender isso tudo como uma possibilidade de
geração de renda, de emprego para os países
que possuem terra, sol e água para produzir cana e etanol",
comentou.
A responsabilidade pela alta no preço dos alimentos tem sido
atribuída a dois fatores: o aumento no preço do petróleo
nos últimos anos e os subsídios agrícolas da
Europa e dos Estados Unidos. "O combate ao protecionismo e
à inflação de alimentos advinda do petróleo
são as grandes questões que têm de ser colocadas",
comentou Franklin Martins. Segundo ele, as principais críticas
contra o etanol vêm desses países. "Quem está
contra o etanol? O lobby da indústria do petróleo
e o lobby da indústria viciada em subsídio na Europa
e nos Estados Unidos", afirmou.
Lula chegou hoje a Roma (Itália) para participar da conferência,
que começa na terça-feira, 3, e tem como tema a Segurança
Alimentar, Mudanças Climáticas e Bioenergia. Até
amanhã, 2, ele não tem compromissos oficiais em sua
agenda.

Projeto
proíbe candidatura de
envolvidos com prostituição
Domingos Mourão Neto
Agência Senado
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) apresentou projeto de lei (PLS
209/08) para tornar inelegível o agente público que
responda a processo por envolvimento com prostituição
infantil. A iniciativa tem por objetivo modificar a legislação
eleitoral para excluir das disputas por cargos eletivos aqueles
que, após investigados em inquéritos policiais por
envolvimento com a prostituição de crianças
e adolescentes e denunciados pelo Ministério Público,
estiverem sendo processados por essa prática criminosa.
Ao justificar a proposta, Cristovam Buarque observou que a legislação
eleitoral tem contemplado, até o momento, a exclusão
das disputas eleitorais e a proibição do gozo de direitos
políticos apenas dos condenados por crimes comuns com sentença
condenatória transitada em julgado (quando não cabe
mais recurso da decisão judicial).
Por outro lado, ressaltou, "os direitos da criança e
do adolescente, para serem preservados minimamente, exigem que aqueles
que os exploram sejam efetivamente perseguidos, mediante todos os
recursos legais existentes".
Assim, conforme avalia Cristovam em defesa da proposta, ao mesmo
tempo em que combate a prostituição infantil, a proposição
contribui para sanear os processos eleitorais, além de fortalecer
a iniciativa da polícia judiciária e do Ministério
Público, órgão que encaminha denúncias
aos tribunais.
O projeto aguarda recebimento de emendas na Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania (CCJ).
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