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MOSSORÓ (RN), DOMINGO, 01/06/2008 (ATUALIZADO: 18:57hs)
 
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» Avenida Rio Branco e seus contrastes

» Moradora diz que praça seria melhor que posto de saúde
» Mossoró em clima de festa junina
» Sindicatos temem extinção do sistema
» Mais de 50% trabalham na informalidade
» Comdica abre inscrições para candidatos ao Conselho Tutelar


DE NORTE A SUL
Avenida Rio Branco e seus contrastes
Edilson Damasceno
Da Redação

Postes de madeira, ruas de barro e poucas casas. Assim era a Avenida Rio Branco na década de 60, quando Dimas Vieira Dantas veio de Caraúbas para fixar moradia por aqui. Chegou aos 24 anos. Testemunhou as transformações da avenida, a movimentação da linha férrea e o vai-e-vem do trem. O tempo passou, e hoje, 64 anos depois, o homem diz que o trecho onde mora, no bairro Belo Horizonte, é tranqüilo. Ao lado, um de seus filhos rebate: "Tranqüilo? Ontem mesmo deram uma surra nele (apontando para um rapaz que estava ouvindo a conversa) e levaram a bicicleta". Dimas ri e diz: "Mas isso está acontecendo em todo canto. Não é somente aqui".
De certo modo, o homem, que hoje tem 68 anos e cuida de uma oficina mecânica, tem razão. A vida na Avenida Rio Branco é pacata, sendo movimentada quando ocorrem esses fatos. Por sinal, fatos não faltam. A começar pela duplicidade de nome do logradouro. É Avenida Rio Branco até certo ponto, no Belo Horizonte (antigo bairro Lagoa do Mato). Depois passa a ser Rua Dom Hélder Câmara. E a divisa é no comércio de Alcimar Fernandes, 49. Além desse detalhe, um outro aspecto chama a atenção: um canteiro divide as duas ruas. "Pois é. Uma rua com dois nomes", diz o comerciante.
Alcimar fala que o principal problema da área é a educação: "O povo é sem educação. A maioria tira o lixo de casa e coloca na frente da dos outros. Isso é falta de educação". Ele mostra sacos de lixos jogados no canteiro e diz que o carro coletor passa constantemente, mas os moradores não têm consciência de que não podem deixá-los na "porta dos outros".
No outro extremo da avenida, na BR-304, sentido de quem vem de Tibau, a urbanização valorizou a área. Aliás, era justamente essa a pretensão da Prefeitura, conforme o gerente executivo da Infra-Estrutura, Yure Tasso Duarte Queiroz Pinto. Ele informa que o investimento na avenida ocorre pela posição geográfica. "É uma avenida que liga a cidade de norte a sul, e vislumbramos um grande eixo importante, dessa avenida ser o cartão de apresentação de Mossoró", diz.
Essa transformação começa no trecho entre a BR-304 e a entrada ao conjunto habitacional Santa Delmira. De lá até a Avenida Delfim Moreira, tudo mudado. Lojas, bares, escolas, pequenos supermercados funcionam. A obra mudou o cenário de uma das áreas mais discriminadas da zona norte: a Estrada da Raiz. Da Delfim Moreira à Prudente de Morais, tudo continua igual. O projeto não chegou ainda.
Yure Tasso explica que a urbanização terá continuidade, e que no trecho que vai do vuco-vuco à Avenida Prudente de Morais está no projeto. Diz que antes será preciso desapropriar duas casas que invadiram a área pública. "Os proprietários sabem que isso implica em pendência jurídica, mas a desapropriação é mais fácil", diz, informando que se o município fosse buscar suporte jurídico, a questão levaria anos para ser resolvida.
Ao longo da Avenida Rio Branco há um estreitamento da via, mas esse detalhe não se configura em problema. Yure informa que tudo já está planejado e que, se for o caso, a Prefeitura fará desapropriação para a continuidade do projeto. O gerente afirma que os investimentos pensados para a avenida visam, além de efetivar o corredor cultural, uma transformação relacionada a projetos imobiliários. "Isso se chama planejamento urbano, de dotar a cidade de oportunidades de comércio, cultura, esporte e lazer. Os resultados já começam a surgir, e o setor imobiliário já pesquisa áreas à construção de condomínios", afirma.

Moradora diz que praça seria melhor que posto de saúde
Na zona sul, no bairro Belo Horizonte, Marluce Morais, 42, observa a estreita avenida. Pouca movimentação de veículos. Na parede de sua casa, a informação de que ali se vende pastel e água mineral. "Vendo de 30 a 40 pastéis por dia", informa a mulher. A qualidade de vida ali, segundo ela, precisa melhorar. "Falta uma pista boa, iluminação, uma praça...", enumera.
Mais na frente, uma área abriga um pequeno circo, e ela aponta e afirma: "dizem que vão fazer um centro de saúde, mas queríamos que fosse uma praça", comenta. Marluce diz que, apesar de morar há 16 anos na mesma casa, não sabe se o bairro é Belo Horizonte ou Lagoa do Mato. Seu vizinho, Reginaldo Avelino Rocha, 56, explica: "A Prefeitura mudou para Belo Horizonte, mas a placa ainda tem Lagoa do Mato".
Todas as casas têm batentes, o que indica que a área fica inundada quando chove. Essa informação foi confirmada por Marluce. "Olhe as minhas pernas como estão arrebentadas. São os batentes", diz. Reginaldo ironiza e comenta que a melhor coisa que se fez foi não ter mudado o nome do bairro nas placas; "Aqui é uma lagoa mesmo".
Ali existem poucas casas que externam riquezas. São construções simples, com poucas exceções. Já próximo ao Centro, passando pelo Alto da Conceição, ainda se vê resquícios do que era antes, dos galpões de sal, cujo produto era levado de trem para outras cidades.
Passando da Rua Santos Dumont, o aspecto já é outro. Um complexo imobiliário foi construído ao lado da Estação das Artes Elizeu ventania, cujos moradores têm visão privilegiada de todos os eventos que são realizados.
Os contrastes econômicos são bem visíveis. Na zona norte, poucos estabelecimentos comerciais, mas há indícios de construções, o que representa a concretização do que foi planejado. Na ala sul, aspectos de periferia, cujo cenário será transformado no futuro. No meio das zonas, a mudança total: Parque da Criança, Praça de Eventos, Estação das Artes, Teatro Municipal, Memorial da Resistência, Praça da Convivência e a Praça dos Esportes.

Casal mora na avenida há 44 anos
Em 1964, Lagoa do Mato era o nome do bairro e com pouco movimento. Desempregado, Dimas Vieira Dantas, então com 24 anos, arranjou trabalho em uma padaria. Saía de casa às 4h da manhã e retornava às 14h. Como existia carência de lazer, criou um espaço de lazer, que durante três anos, fez a alegria da área: o Pastoril, uma mistura de bar com danças folclóricas. "Aqui era calmo e se podia dormir no meio da rua que não acontecia nada", informa.
De 1968 a 1972, o Pastoril era a alternativa de lazer. "Eu colocava as mulheres para dançar pastoril. Era bom demais", comenta, informando que o fechamento ocorreu devido uma exigência do Major Bezerra. "Ele queria que eu fechasse o pastoril às 10 da noite. Ora, para quem ficava aberto até raiar o dia, não tinha como. Resolvi fechar", diz.
A história de Dimas, contudo, não se resume ao Pastoril. Casado com Vandi Praxedes Dantas, 60, ele teve três filhos, dois homens e uma mulher. A filha casou e foi morar no Rio de Janeiro. Lá, seu marido pegou Aids e passou para a esposa. Ele morreu em janeiro de 1996, e ela em outubro do mesmo ano. "O marido dela era garçom e tomava remédios para não dormir, na veia. Um dos colegas dele tinha Aids e usou a seringa e contaminou todo mundo", diz Vandi. Hoje, passados 14 anos, ela diz que não esqueceu da filha, tampouco do neto que nasceu com a doença e que atualmente mora em São Paulo, com os avós paternos. "Ele precisou de tratamento e foi para lá. Hoje ele tem 19 anos, está bem, graças a Deus", comenta.
Em meio às histórias contadas por Dimas e Vandi, a vida continua. E, a exemplo do que pensou quando chegou a Mossoró, 44 anos atrás, o homem espera por dias melhores. "Agora queremos coisas boas aqui", diz o homem.

Mossoró em clima de festa junina
Regy Carte
Da Redação

Há cidades que esperam o ano todo pelo carnaval, quatro dias que mexem com a economia e a atmosfera desses municípios. Mossoró é diferente. Sem tradição carnavalesca, transforma-se em junho, quando o clima de festa junina muda o cotidiano da cidade. O Mossoró Cidade Junina chega a sua 12ª edição em 2008 como um dos maiores eventos do gênero do país.
Trata-se de um mês de festa que faz de Mossoró das cidades mais festivas do Rio Grande do Norte. O evento começou de forma oficial ontem, com o Comboio Junino - desfile de quadrilhas juninas pelas principais ruas e avenidas do centro. A cidade, definitivamente, já está em clima de festa com as ruas decoradas e a Estação das Artes Elizeu Ventania pronta para a farra.
Toda a cidade está ornamentada com motivos juninos. "Mossoró se transforma, de fato, em um grande arraiá junino, festa já consolidada e, sem dúvida, um dos maiores São João do Brasil", diz o presidente da Fundação de Cultura (FMC), Gonzaga Chimbinho.
Os shows começam quinta-feira (programação nesta página) e vão até o dia 28, com as principais bandas de forró do momento. Em palcos secundários, projetos de valorização do forró pé-de-serra e artistas da terra.
Como em anos anteriores, o Cidade Junina terá dois camarotes, arena de quadrilhas juninas, palcos, cidade cenográfica, com bares e lanchonetes, distribuídos ao longo da Avenida Rio Branco, área do corredor cultural da cidade, entre as praças da Criança e de Esportes, inauguradas na última quinta-feira, 29.

AQUECIMENTO
O carnaval não consegue, mas o Cidade Junina aquece a economia de Mossoró, em especial setores de serviços, como hoteleiro, de bares e restaurantes. Taxistas, segurança de veículos, ambulantes, mototaxistas também faturam. Os donos das barracas dentro da Estação das Artes não só recuperam o investimento, como saem no lucro.
A cultura também é aquecida. O ponto alto é o espetáculo Chuva de Bala do País de Mossoró, que este ano tem nova roupagem. As novidades começam pelo formato, com mistura de cinema e de teatro. O novo formato do palco possui três telões, para projeção de imagens intercaladas com encenação em palco e seis momentos da tentativa da invasão de Mossoró pelo bando de Lampião contados pelas telas de cinema.

Diversidade: opções para todos os gostos
O Mossoró Cidade Junina vai além da Estação das Artes Elizeu Ventania e não se resume a shows de forró e apresentação de quadrilhas estilizadas. Engloba eventos paralelos, nem todos de cunho junino. É o caso do Seminário de Cultura Popular, de segunda-feira, 2, a quarta-feira, 4, na Biblioteca Municipal Ney Pontes Duarte, com tema "Raízes de Nossa Terra".
A inauguração do Memorial da Resistência, construído vizinho ao Fórum Desembargador Silveira Martins em homenagem ao confronto de mossoroenses com o bando de Lampião em 1927, e a abertura da Feira Internacional da Fruticultura Irrigada (EXPOFRUIT), quarta-feira, também fazem parte da programação.
O Mossoró Cidade Junina também oferecerá Feira de Artesanato e Comidas Típicas, na Praça de Eventos, vizinho à Estação das Artes, o Forró do Bode, às sextas-feiras, no Centro de Comercialização de Animais Armando Buá, "Mercado do Bode", e o Forró Beira Rio, no Clube Carcará, às sextas-feiras e sábado.
Também o Forró Arte da Terra, na praça de mesmo nome próximo às pontes do rio Mossoró, exposição fotográfica "Um Recorte do São João de Mossoró", no primeiro andar da Estação das Artes, apresentações teatrais. É o caso da peça "A Palestra do Amor no Coração de Severino de Mossoró", dia 12, no Teatro Municipal Dix-huit Rosado, e o espetáculo Chuva de Bala no País de Mossoró, dramatização da invasão de lampião à cidade, no adro da capela São Vicente, entre os dias 12 e 28.
Também haverá oficina de música, com aulas temáticas e confecção de instrumentos musicais, projeto junino Burro-táxi, que percorrerá ruas da cidade, o VIII Festival de Repentistas do Nordeste, entre os dias 19 e 21, na Praça de Eventos, oficina de mamulengos, e o X Concurso de Sanfoneiros de Mossoró, dia 27, também na Praça de Eventos. Mais informações da programação em www.prefeiturademossoro.com.br.

Cinema de qualidade em três sessões diárias
O cinema mantém espaço no Mossoró Cidade Junina. O projeto Cinema da Roça exibe clássicos nacionais e mundiais da sétima arte no auditório Dorian Jorge Freire, na Estação das Artes, com três filmes por dia. Começa quinta-feira, 5, às 9h, com o filme O Mágico de Oz; às 18h, Guerra de Canudos e, às 20h, Patton, Herói ou Rebelde?.
Sexta-feira, 6, às 9h, Mary Poppins; às 18h, Magnum 44, e, às 20h, O Velho e o Mar. Sábado, 7, às 9h, O Meu Pé de Laranja Lima; às 18h, Da Terra Nascem os Homens e, às 20h, Vidas Secas.
Domingo, 8, às 9h, Brasil de Todas as Cores; às 18h, O Vampiro e, às 20h, O Óleo de Lorenzo. O Cinema da Roça retorna dia 10 (terça-feira), às 9h, com o Príncipe do Egito; às 18h, Stalingrado, A Batalha Final e, às 20h, Um Olhar na Escuridão.
Dia 11 (quarta-feira), às 9h, Nosso Amiguinho; às 18h, A Noviça Rebelde e, às 20h, O Bebê de Rosemary. Dia 12 (quinta-feira), às 9h, O Jeca Tatu; às 18h, Os Brutos Também Amam e, às 20h, Fogo do Céu.
Dia 13 (sexta-feira), às 9h, Nosso Amiguinho; às 18h, Cazuza - o Tempo Não Pára e, às 20h, A Balada de Narayama. Dia 14 (sábado), às 9h, O Menino e a Porteira; às 18h, Impacto Fulminante e, às 20h, Farrapo Humano.
Dia 15 (domingo), às 9h, Tristeza do Jeca; às 18h, Eles Não usam Blacktie e, às 20h, Um Convidado bem Trapalhão. Dia 17 (terça-feira), às 9h, O Menino Maluquinho; às 18h, Agnes de Deus e, às 10h, Os Profissionais.
Dia 18 (quarta-feira), às 9h, Dom Samadello (musical); às 18h, Sem novidades no Front e, às 20h, O Enigma de Outro Mundo. Dia 19 (quinta-feira), às 9h, Marcelino Pão e Vinho, às 18h, Marcas do Destino e, às 20h, Ilusões Perigosas.
Dia 20 (sexta-feira), às 9h, O Jeca e a Freira; às 18h, Rio 40 Graus e, às 20h, O Enigma do Mal. Dia 21 (sábado), às 9h, O Lamparina, às 18h, Um Golpe do Destino e, às 20h, Solaris.

Sindicatos temem extinção do sistema
JANAÍNA HOLANDA
Da Redação

Nos últimos cinco anos, a frota de transporte coletivo de Mossoró foi reduzida em mais da metade. A função de cobrador foi abolida e, mesmo assim, as projeções é que o sistema possa ser extinto até o fim do ano.
Tanto o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros (SITRANS) quanto o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Públicos Rodoviários de Mossoró (SINTROM) temem que os 36 ônibus que fazem o sistema coletivo da cidade saiam de circulação, caso não sejam tomadas providências quanto à atuação de transportes alternativos e clandestinos.
“Já houve demissão, acúmulo de função, defasagem salarial e agora estamos assistindo o sistema acabar porque não há fiscalização; só exigências”, comentou o presidente do Sintrom, Francisco de Assis.
Segundo ele, de 2004 para cá, 96 cobradores foram demitidos e o risco de mais demissões aumenta a cada dia. “A frota foi diminuída. Nos fins de semana praticamente não existe, então vai haver mais demissão”, relatou, confidenciando que já tem empresa descumprindo direitos trabalhistas devido à crise.
E não é só. Os trabalhadores das empresas de transporte estão tendo perda salarial. “Enquanto o piso é de R$ 911,00, em Mossoró não passa de R$ 861,00, porque não há como reajustar mais”, reforçou o presidente do Sintrom.
Os empresários reafirmam que a crise está chegando ao limite. “Se não bastasse a concorrência desleal dos transportes irregulares que não são fiscalizados, mais de 30% dos usuários das linhas são passe-livre. Não há nenhum tipo de compensação, e isso é prejuízo”, argumentou o presidente do Setrans, Eudo Laranjeiras.
Segundo ele, os prejuízos têm sido imensos e o sistema está sendo mantido praticamente por estudantes que pagam meia-passagem.
Como alternativa para compensar o prejuízo, algumas empresas estão reduzindo ou mudando as rotas dos carros e lançando promoções, como forma de atrair mais passageiros.
Mesmo assim, a estratégia parece não surtir efeito. Atualmente, para se ter margem de lucro, o preço da passagem deveria passar de R$ 1,70 para R$ 2,60.
“Nós não defendemos o aumento da passagem, mas temos essa projeção só para avaliar como a situação está complicada. O que a gente defende é atuação do Município, fiscalização, prioridade para o sistema de transporte coletivo”, reforçou Francisco de Assis.
O presidente do Sintrom confirmou que se nenhum acordo for feito, os carros sairão de linha até dezembro.
“Se a situação continuar como está, as empresas vão tirar os carros de circulação com certeza, porque elas precisam de lucro”, garantiu Eudo.

Crise já compromete segurança dos carros
A crise do sistema de transporte coletivo já compromete a segurança dos carros que circulam na cidade. A vistoria de toda a frota que deveria ter sido renovada em novembro do ano passado até agora não foi feita e alguns carros estão com mais de dez anos de uso e já deveriam ter sido retirados de circulação.
E não é só. Há denúncias de que sem a revisão alguns ônibus estão circulando com peças reaproveitadas de carros que já estão fora de linha.
“A situação é preocupante. Tem ônibus rodando com peças de carros que estão parados; outros, com freios só em duas rodas, ao invés das quatro, e isso é perigoso. A informação que a gente tem é que não há dinheiro para investir em mais nada”, revelou Francisco de Assis, presidente do Sintrom.

População não vai ficar sem o ônibus, garante secretário
O secretário de Serviços Urbanos, Trânsito e Transportes Públicos de Mossoró, Alex Moacir, disse que a atuação da Prefeitura ainda é limitada porque o trânsito não é municipalizado.
“O sindicato exige fiscalização, mas ela ainda não é de competência do Município, e sim do Pelotão de Trânsito. Só poderemos atuar realmente quando o trânsito for municipalizado. Nós já solicitamos a minuta do convênio para que a formalização aconteça o mais rápido possível”, disse Alex.
Ele reforçou que com a municipalização, a fiscalização e a organização do trânsito não serão problema, porque o Município realizou no último dia 18 concurso público para a contratação imediata de 90 agentes de trânsito. Além disso, a secretaria estuda a implantação do Plano Diretor de Transporte no município.
O secretário disse ainda que se reunirá com os sindicatos para buscar um entendimento sobre a operacionalização do sistema de transporte coletivo.
“Até agora não recebi nada oficial dos sindicatos. Fiquei sabendo das reivindicações e da parada de advertência pela imprensa. Mesmo assim, vou me reunir com as partes interessadas para buscar um entendimento”, afirmou Alex, garantindo que o sistema de transporte coletivo não será extinto.
“Se as empresas retirarem os ônibus, abriremos espaço para outras. O certo é que a população não ficará sem ônibus”, concluiu o secretário de Serviços Urbanos, Trânsito e Transportes Públicos de Mossoró.

Mais de 50% trabalham na informalidade
MAGNOS ALVES
Da Redação

Todos os dias, mais de 50% da população economicamente ativa de Mossoró sai de casa para trabalhar sem qualquer segurança. São os trabalhadores informais. Eles não têm direito a nenhum tipo de benefício, como férias, décimo terceiro salário, hora extra remunerada, FGTS, licença-maternidade/paternidade, seguro desemprego, entre outros.
O último Censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2000, apontou que Mossoró contava, na época, 29.064 trabalhadores informais, 21.195 homens e 7.869 mulheres. A quantidade de trabalhadores formais era um pouco maior – 30.789 (18.435 homens e 12.444 mulheres).
Hoje, embora não existam números oficiais, pode-se afirmar que o trabalho informal já superou a formalidade em Mossoró, levando-se em conta o crescimento do mercado de trabalho nos últimos anos, que aponta crescimento de 9,6% do trabalho informal e de apenas 2,4% para o trabalho formal e que, segundo o IBGE, é uma realidade nacional.
Para os três economistas ouvidos pela reportagem do DE FATO, o crescimento do trabalho informal está ligado à abertura da economia, que criou grande competitividade, principalmente, no setor industrial. “Com os encargos trabalhistas atuais, as empresas contratam cada vez menos e o caminho para os que sobrem é o trabalho informal”, disse um deles.
Na maioria dos casos, quem vive do trabalho informal ainda sonha com a oportunidade de entrar ou voltar ao mercado de trabalho formal. Porém, existem casos em que os informais não querem nem ouvir falar de carteira assinada. É o caso de Francisco de Assis Almeida, “Almeida do Carro de Som”. Por vinte anos, ele foi funcionário de uma empresa de departamentos e há cinco anos vive de fazer propaganda em um carro de som, de onde tira parte do sustento da família, composta por esposa e filha pequena.
A renda mensal de Almeida ultrapassa os R$ 1.000,00, que chegam ao seu bolso em partes de R$ 20,00, preço de uma hora de propaganda de carro de som. O “propagandista” se sente feliz com a decisão que tomou e não pensa em assinar a carteira novamente. “Estou muito bem no que estou fazendo. Bem melhor que antes, quando tinha a carteira assinada”, assegurou, sem se preocupar com a insegurança da informalidade.
Uma maneira de os trabalhadores informais garantirem algum benefício é contribuir com a Previdência Social. Mas, de acordo com a Previdência Social, 36% da população ocupada brasileira entre 16 e 59 anos não está protegida por qualquer benefício. A Previdência Social em Mossoró disse que não era possível informar números locais de contribuições autônomas. Mas a realidade nacional pode ser aplicada à situação local.

O dia começa às 3h para seu Expedito e dona Alzemar
Ex-funcionário de supermercado, seu Expedito Pereira Lopes, 57 anos, decidiu continuar no comércio quando foi demitido. Mas, ao invés de trabalhar para os outros, montou seu próprio negócio. Assim, há vinte anos começava a vida de seu Expedito como vendedor de frutas e verduras na Central de Abastecimento de Mossoró.
Todos os dias ele acorda às 3h da madrugada para iniciar sua rotina diária. Mas não caminha sozinho. Ao seu lado está dona Alzemar Paula, sua esposa. A professora aposentada acompanha o marido todos os dias e, antes mesmo de se dedicar às vendas, tem de fazer os serviços de casa, como o almoço. “Saio de casa de madrugada e só volto ao meio-dia. Então, tenho que deixar o almoço pronto”, justificou.
Dos três quiosques que possui, o casal tira cerca de R$ 1.000,00 todos os meses. “Juntando com minha aposentadoria, dá para terminar de criar nossos três filhos”, ressaltou, em tom de felicidade.
Ao contrário da maioria dos trabalhadores informais, Alzemar e Expedito fogem da insegurança. Tanto é, que todos os meses seu Expedito contribui com a Previdência Social. Quando ele completar o tempo de contribuição, daqui a cinco anos, vai se aposentar com direito a receber dois salários mínimos mensais. Mesmo com a aposentadoria próxima, Expedito e Alzemar não pensam em parar. “Vamos continuar trabalhando, porque ficar em casa sem fazer nada é muito pior”, afirmou dona Alzemar.

Comdica abre inscrições para candidatos ao Conselho Tutelar
A coordenação do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (COMDICA) divulga a abertura do processo de inscrições dos candidatos ao cargo de conselheiros tutelares (33ª e 34ª zonas eleitorais).
As inscrições poderão ser feitas no período de 2 a 6 de junho na sala dos conselhos - Centro Administrativo, bairro Aeroporto.
A responsável pelo Comdica e que acompanha o processo de eleição dos novos conselheiros tutelares, Mirna Aparecida de Souza, explica que os candidatos serão escolhidos a partir do voto da população e da aprovação em exame que trata sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Para concorrer aos 10 cargos de conselheiros tutelares - cinco para 33ª e cinco para 34ª zona eleitoral - os candidatos devem ter idade superior a 20 anos, residir em Mossoró, ter concluído o ensino médio ou equivalente e ter experiência de pelo menos dois anos na área da criança e do adolescente.
Os dez candidatos com maior número de votos serão empossados e terão de cumprir 40 horas semanais na função, recebendo remuneração de R$ 500,00 por mês, durante o período de três anos.
Mirna Aparecida ressalta que nesse processo é fundamental a participação da população na escolha destes representantes que terão, entre outras atribuições - o de atuar na defesa, proteção e garantia de direitos das crianças e dos adolescentes no município. Em 2005, na última eleição, ela recorda que apenas 40 pessoas se candidataram ao cargo de conselheiro.
"Qualquer pessoa cidadã que esteja em dia com a justiça eleitoral pode votar e escolher os conselheiros tutelares. Muitos não sabem da importância do trabalho dos conselheiros e não comparecem para as eleições", explica Mirna. O Estatuto da Criança e do Adolescente possui capítulos que explicam de maneira clara quais são as atribuições dos conselheiros tutelares no município e como cobrar esse trabalho (Veja mais no quadro).

Eleições
A escolha dos conselheiros tutelares ocorrerão no dia 13 de julho, das 8h às 12h e das 14h às 17h no Centro Administrativo, bairro aeroporto.



       
 




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