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PÁGINA ATUALIZADA AOS DOMINGOS
CLÁUDIO
SANTOS
Hoje
o vereador é um
profissional da política
O
presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte
(TRE-RN), desembargador Cláudio Santos, avalia que a PEC
333/2004 poderia ter sido complementada com uma limitação
também do salário dos vereadores. O pagamento, na
opinião dele, deveria ser feito de acordo com o número
de habitantes, o que aliviaria a pressão financeira sobre
municípios pequenos. Na entrevista a seguir, Cláudio
Santos opina sobre a nova situação que deve passar
a valer ainda neste ano.
COMO o senhor avalia essa alteração que deve elevar o
número de vereadores nas Câmaras Municipais?
CLÁUDIO SANTOS - Acho que é uma providência
desnecessária o aumento de vereadores.
POR QUÊ?
PORQUE não vai melhorar a democracia. Além de,
na prática, gerar indiretamente mais despesas para o erário,
com o Legislativo. A medida, aparentemente, tem um lado muito positivo
quando limita os percentuais (de repasse para as Câmaras)
entre 4,5% e 2%, fazendo uma economia muito significativa porque
necessária para o custeio da máquina pública
e para investimentos. Espero que isso seja usado para investimentos.
Agora, a grande lacuna é que não veio acompanhada
de um limite de ganho para os vereadores. Isso deveria ser proporcional
à quantidade de habitantes. Não porque um vereador
do interior é menos importante que um da capital. Mas é
pela impossibilidade de o município pagar. Eu acho que deveria
ser entre um e 20 salários mínimos, o máximo
e o mínimo.
O SENHOR observa isso porque, independente da cidade, o salário
do vereador é determinado de acordo com o dos deputados estaduais.
ISSO. A limitação é de até 75%.
Agora, o que eu quero dizer é que isso desprofissionalizaria
mais a função de vereador. Vereador hoje é
um profissional de política. E nas pequenas cidades nós
teríamos maior oportunidade para que cidadãos comuns
viessem a ocupar o cargo de vereador, se esse cargo não fosse
tão cobiçado quanto é hoje em face dos seus
vencimentos. Porque em muitas cidades o melhor salário é
o de vereador, depois do prefeito e do vice. Então, isso
arejaria muito mais a democracia, principalmente nos pequenos municípios.
COMO o senhor acha que as Câmaras vão se comportar
diante dessa redução de repasse?
ACHO que as Câmaras vão ter de adequar suas tarefas
e seus objetivos a legislar. Tem muitas Câmaras por aí
pelo Brasil afora - não conheço no Rio Grande do Norte
- que têm setor médico, dentista, assistente social,
escola de computação, enfim, várias tarefas
e atribuições que não são funções
fim da Câmara. São funções meio. E acabam
sendo usados, esses mecanismos, para angariar votos no sentido meramente
eleitoreiro para aquele vereador que preside a Câmara ou daqueles
que têm mandato. Então, essas Câmaras vão
ter que se adequar a essa limitação, que poderia ser
complementada com a redução do ganho dos vereadores.
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