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MOSSORÓ (RN), DOMINGO, 01/06/2008 (ATUALIZADO: 18:57hs)
 
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Pecados da Igreja Católica
A Igreja Católica se auto-intitula "santa e pecadora". E diz: "Senhor, não olheis nossos pecados, mas a fé que anima a nossa igreja". Com essa capacidade de pecar e pedir perdão tem conseguido reinar há dois mil anos, sempre adaptando o seu poder espiritual ao poder temporal. Tem cometido crimes terríveis, dos mais cruéis, como tem prestado enormes serviços sociais, filantrópicos, caritativos à humanidade. A inquisição na Europa e no resto do mundo cristão, o massacre às civilizações americanas primitivas causados por Fernando Cortez, Cristóvão Colombo e os inquisidores que vieram para os trópicos são coisas que só acredita quem se aprofunda muito. Lampião, Bin Laden e Fernandinho Beira-mar são fichinhas diante de tanta maldade. Só podem ser comparados em crueldade os atos Hitler, Pol Pot, Idi Amin Dadá e o Conde Drácula, o príncipe Vlad III, por sinal filho de Vlad II, membro de uma sociedade cristã chamada Ordem do Dragão. Errar e pedir perdão séculos depois pode ser uma virtude, desde que os erros não se repitam conscientemente. O pedido de perdão a Galileu teria sentido se as correntes e fogueiras não estivessem a postos, como agora no caso das pesquisas das células-tronco. A Igreja fez um discurso que não convence a ninguém em defesa dignidade da vida. Que vida? Da vida de uma célula de um embrião, congelada há três anos, que não caiu num útero, que não foi fertilizada, que nem de longe pode ser considerada uma vida formada? Que deve ir para o lixo?... Isso em detrimento de milhões de portadores de deficiências, de portadores de males terríveis? Exatamente os portadores de deficiência que foram o alvo da Campanha da Fraternidade do ano passado? E as vidas sofridas com as dores e fraquezas da osteoporose, da doença de Parkinson, do diabetes, da cegueira, dos danos da medula espinhal, das doenças renais, hepáticas, esclerose, doença de Alzheimer, distrofia muscular, osteoartrite, câncer e doença pulmonar... Faço minha a pergunta de Alexandra Vieira: "É ético deixar um paciente afetado por uma doença letal morrer para preservar um embrião cujo destino é o lixo?" Tenho um profundo respeito pela Igreja, mesmo sendo um estudioso dos seus pecados, visto que pesquiso as guerras e massacres cometidos em nome de Deus ao longo da História. Entendo sua essência santa, apesar de pecadora. Mas não posso calar diante de tamanha hipocrisia. E não quero nem argumentar em cima das dezenas de milhões de mortes cometidas pela Igreja ou em nome dela, mas, acima de tudo, me posiciono diante da tentativa de barrar os avanços da ciência na sua luta santa pela busca da verdade dos mistérios que Deus deixou ao livre arbítrio dos homens criados à Sua imagem e semelhança, a descoberta e o bom uso. Ao defender o embrião e esquecer as vidas formadas carentes de curas, a Igreja parece o advogado Antônio Nardoni, que defende o filho assassino, esquecendo que a menina assassinada é sua netinha querida. Olho para tantos cristãos católicos cadeirantes, cancerosos, diabéticos, portadores de doenças degenerativas na fila de espera dos avanços da ciência e fico pensando que a Igreja precisa mais do sofrimento que da felicidade dos seus fiéis para sobreviver como instituição.

Ensaio
O que se viu na inauguração do Complexo da Avenida Rio Branco é um triste ensaio do que pode vir as ser a campanha política de 2008. Se não houver um pacto de não-agressão, a campanha pode descer a níveis nunca imagináveis. Munição para chutes e cotoveladas, sangue e ranger de dentes ambos os lados têm. Portanto, é melhor partir para discutir o futuro de Mossoró.

Vírgula
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) está comemorando cem anos e fazendo uma bela campanha publicitária. Entre as peças essa que mostra como é difícil fazer um jornal. Uma simples vírgula pode fazer uma grande diferença num texto. Mostra que vírgula não é problema de gramática, mas de informação. A vírgula pode ser uma pausa... ou não. Não, espere. Não espere. Ela pode sumir com seu dinheiro. 23,4. 2,34. Pode ser autoritária. Aceito, obrigado. Aceito obrigado. Pode criar heróis. Isso só, ele resolve. Isso só ele resolve. E vilões. Esse, juiz, é corrupto. Esse juiz é corrupto. Ela pode ser a solução. Vamos perder, nada foi resolvido. Vamos perder nada, foi resolvido. A vírgula muda uma opinião. Não queremos saber. Não, queremos saber. Uma vírgula muda tudo.

Fotolegenda
Mamãe coruja, professora-doutora Telma Gurgel está lambendo a cria como toda boa mãe. É que Marília Gurgel, sua filha, estudante do curso de Direção Teatral na UFRJ, foi agraciada com o prêmio de Melhor Realização Cênica, da VIII Mostra Minimalista de Petrópolis (RJ), ocorrida no último final de semana. Telma exala orgulho materno por todos os poros, mas vamos cobrar dela o direito de dizer que o orgulho não é só da família Gurgel, mas de todos os mossoroenses, especialmente dos que têm amor à cultura. Um beijão de incentivo para Marília.

 



       




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