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MOSSORÓ (RN), QUINTA-FEIRA, 01/05/2008 (ATUALIZADO: 01:27hs)
 
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Uma página de Villaça
Villaça (Antônio Carlos Villaça) escreveu, em Degustação, memórias, uma bela página sobre o mal no mundo, e que releio agora. Não em busca de convencimento em suas razões filosóficas relativas à existência do mal no mundo, mas para deliciar-me no seu estilo correto e harmonioso de mestre da palavra. Villaça, é ele quem o diz, preferia os vôos da imaginação à exatidão científica.
Claro que a primeira leitura dessa página filosófica de Villaça me exigiu a mais atenta consideração de suas idéias, muito bem ordenadas, diga-se, do ponto de vista da filosofia, mas dela, leitura, vamos dizer, saí com as mãos abanando. Quero dizer, não convencido. Que isto de dizer que o mal é a nota negativa de uma sinfonia perfeita, que não é substância, e coisa e tal, é muito bonito, mas, pelo menos a mim, não convence coisa nenhuma.
O fato é que, desde que o homem começou a fazer uso do raciocino lógico, até hoje, tem procurado encontrar uma explicação para o mal no mundo, mas também é verdade que tudo não vai além de teorias. De apenas vôos da imaginação, muito próprios às mentes de nascimento dadas às especulações metafísicas. Em substância, e a meu ver, o confronto da razão com o absurdo existencial.
A lenda bíblica da Queda, essa é que menos convence a inteligência, principalmente na era do jato e do satélite, pela incapacidade de resistir às indagações da razão mais elementar. Agostinho, Claudel, em suma, os chamados gênios da fé nada mais alcançaram, nisto, senão fantasiar a palavra - que o inexplicável até pode ser explicado pela genialidade, mas sem a força vital da justificação.
Vão estas linhas aliás sem o propósito, da minha parte, e parte sobremodo insignificante, de contestar o grande estilista das nossas letras modernas, mas com a intenção, afinal de contas, de dizer da satisfação estética que, a cada leitura, me proporciona sua escrita de mestre da palavra. Leitor de memórias, memórias no sentido do sabor literário, volto sempre às páginas de Villaça, e com a surpresa agradável da descoberta estilística.

Virose
Esses dias arruinado por uma virose, não tenho a cidade e fora dela pelos jornais. O fastio da leitura igual ao fastio da mesa.

Mosquito
Preocupa-me ver o nosso país vencido por um mosquito miserável, quando há cem anos Oswaldo Cruz, sem os recursos de hoje, acabou com a febre amarela no Brasil. Particularmente falando, não se admite que uma cidade como o Rio de Janeiro, viva com o mosquito da dengue há quinze anos, se fosse uma cubata africana.

Governo
O problema do Brasil é, e apenas, de governo.

LINGUAGEM
• Tenho na minha pequena biblioteca o texto da tão falada reforma ortográfica, do Antônio Houais. Não se pode dizer que alguma coisa, nesse texto, não traz vantagem à língua portuguesa. Alguma coisa. Por exemplo, a simplificação das normas para o emprego do hífen. A meu ver, e faço logo ver minha incompetência, trata-se de uma verdadeira agressão à prosódia do idioma pátrio, cientificamente estabelecida, há séculos, pelo filólogo português Duarte Nunes Leão, dos mais competentes do mundo, à época. Querem mutilar nosso vernáculo.



       




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